O mês de abril foi marcado por duas metades bem distintas. Na primeira quinzena, a sensação que se tinha era de mais um mês extremamente positivo para a bolsa. O IBOV chegou a subir mais de 5%, renovando suas máximas históricas por quatro vezes e ficando próximo da simbólica marca de 200 mil pontos. Havia um tom otimista de avanço nas negociações entre EUA e Irã para um possível encerramento dos conflitos.
Então veio a segunda quinzena. A tensão no estreito de Ormuz se estendeu, o que levou o brent a atingir mais de US$ 124/barril, um dos maiores patamares desde 2022 (após conflitos Rússia x Ucrânia), prolongando incertezas e pressões inflacionárias para a economia global. Os temores de que o espaço para corte de juros nos principais países desenvolvidos (Brasil inclusive) cresceram. O humor dos investidores, para surpresa de ninguém, azedou. O ouro, sensível a este cenário, teve um mês próximo da estabilidade próximo a US$ 4.600/oz, embora em doze meses uma expressiva alta superior a 40%.
O fluxo estrangeiro continua forte, embora perdeu força ao final do mês, mas finalizou em R$ 3,2 bilhões, acumulando R$ 56,6 bilhões no ano. Já os investidores Institucionais seguem na sangria, com saída de outros R$ 9,4 bilhões (acúmulo de R$ 49,6 bilhões de saída em 2026 até aqui). O IBOV encerrou o mês praticamente no “zero a zero” (-0,1%). O SMLL caiu 3,2% – sua composição é mais sensível a juros. Juros, aliás, que devem ter uma queda mais lenta que o esperado inicialmente (também pouco espaço para surpresa de alguém aqui), impactando os setores de Varejo e Construção.
No fim de abril, as empresas começaram a divulgar seus resultados referentes ao 1T26 – período que deve carregar um peso grande nas despesas financeiras de muitas das listadas, com o cenário tão incerto. Quanto aos nossos portfólios, nas mais variadas estratégias, esperamos resultados mistos para as principais empresas de nossa carteira (lembrando que o trimestre é só uma foto: damos ênfase mesmo é ao filme que se desenha ao longo do tempo).
Apesar da cautela, alguns resultados podem chamar a atenção – como os da Prio, que começa a pegar o incremento de produção de Wahoo e preços médios maiores do brent, dando maior visibilidade para o potencial enorme de entrega de resultados neste cenário de petróleo elevado; e os da Metal Leve, que tem feito excelente trabalho na extração de sinergias das aquisições da Mahle Compressores e Térmicos no final de 2024 (além de ter mostrado de forma consecutiva muita resiliência no aftermarket).
Abaixo segue breve comentários sobre a atribuição de performance dos fundos da Trigono.
Renda Variável
Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)
Em abril, o Flagship 60 recuou 0,7%, ante queda de 3,2% do SMLL (gerando alfa de 2,5 p.p. no mês), resultado que ilustra a menor correlação da carteira com o referencial. No acumulado de 2026, o fundo recua 2,7%, enquanto o SMLL avança 2,4%. Desde o início, o Flagship 60 acumula 177,7%, ante 34,7% do SMLL – são 143 p.p. de alfa nesta janela, o que mostra um histórico de geração de valor superior ao do benchmark ao longo dos anos. Apesar das janelas recentes desafiadoras, seguimos disciplinados, com paciência e convicção de que o mercado acabará reconhecendo a assimetria de valor das nossas investidas.
Contribuíram positivamente Energia (0,4%) e Indústria Rodoviária (0,5%), com EMAE (0,5%) e Metal Leve (0,5%) como destaques individuais. No caso da EMAE, teve influência o interesse da Sabesp em fechar o capital mediante permuta de ações, que avaliaria em R$ 61,83/ação (prêmio de 40%) a EMAE4. A Trígono entende que a EMAE possui ativos e processos judiciais favoráveis de muito valor: avaliaremos se a oferta (caso concretizada) oportunamente. Na ponta negativa, Álcool e Açúcar (-0,8%) e Agricultura e Agropecuária (-0,4%) pesaram, com Kepler Weber (-1%) e São Martinho (-0,8%) como maiores detratores.

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)
Em abril, o Parthenon recuou 2,5%, ante queda de 0,1% do Ibovespa. No acumulado de 2026, o fundo avança 18,1%, acima dos 16,3% do referencial – o alfa, de 1,8 p.p., deve ser “celebrado”, dado que o fundo possui baixíssima sobreposição ao benchmark. Em 12 meses, o fundo entrega 40,3% de valorização, contra 38,7% do IBOV. Desde o início (dez/23), o Parthenon acumula 50,3%, contra 47,6% do referencial (uma vantagem de 2,7 p.p.).
Os destaques positivos vieram de Indústria Rodoviária (1,1%) e Energia (0,5%). Marcopolo (1,1%) foi o principal destaque – favorecida pelo resultado do programa do governo Caminho da Escola (a empresa conquistou 97% do volume, equivalente a 7,2 mil unidades), trazendo maior previsibilidade de resultados e de geração de caixa (e sustentando um dividendo próximo dos dois dígitos para 2026). Copel (0,5%) também contribuiu. Na ponta negativa, Álcool e Açúcar (-2,9%) e Papel e Celulose (-0,7%) foram os setores que mais pesaram, com São Martinho (-2,9%) e Suzano (-0,7%) como principais detratores. São Martinho sozinha respondeu pela maior parte da queda do fundo no mês, refletindo quedas sequenciais do etanol hidratado após o início da safra no Centro-Sul e retorno dos preços do açúcar para o patamar de US$ 0,14/lb, mas recuperando-se depois para um nível próximo a US$ 0,155/lb.
A carteira segue concentrada em empresas de qualidade, com presença relevante de mid e large caps, foco em geração consistente de caixa e capacidade de distribuir dividendos. Os alfas acumulados no ano e desde o início reforçam a proposta do fundo, mesmo em um ambiente desafiador, evidenciando uma gestão ativa assertiva até aqui.

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)
Abril foi mais um mês difícil para o Delphos, que recuou 0,8% – mas o IDIV caiu 1,2%, o que gerou um (pequeno) alfa positivo de 0,4 p.p. No acumulado de 2026, o fundo recua 2,9%, enquanto o IDIV avança 13,8% – diferença em parte devida à exposição maior a empresas micro e small caps, que representam 88% da carteira e têm “underperformado” IBOV e IDIV, concentrados em grandes nomes como Petro, Vale e bancos, que têm recebido maior parte do fluxo. Desde o início (abril/2018), o Delphos acumula 152,1%, ante 194,5% do IDIV.
O mês teve contribuições positivas de Bens de Capital (1,1%) e Indústria Rodoviária (1,1%), com destaque individual para a Marcopolo (0,6%). Na ponta negativa, Álcool e Açúcar (-1,9%) e Metalurgia e Siderurgia (-0,7%) pesaram, com São Martinho (-1,9%) e Ferbasa (-0,7%) como principais detratores. A leve geração de alfa em abril interrompe a sequência de meses adversos frente ao IDIV, embora o acumulado no ano siga bem desafiador.
Mantemos a carteira fiel ao nosso processo: foco em empresas com geração de caixa consistente, balanços sólidos e capacidade de distribuir dividendos.

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)
Em abril, o Verbier avançou 1,4%, destoando do IBOV, que caiu 0,1% (alfa de 1,5 p.p. no mês). No acumulado de 2026, o fundo avança 6,6%, abaixo dos 16,3% do referencial. Desde o início (abril/2018), o Verbier acumula 168,7%, acima dos 139,8% do IBOV, uma vantagem de 28,9 pontos percentuais.
Contribuíram positivamente Indústria Rodoviária (1,5%) e Construção (1%), com Marcopolo (0,9%) e Eucatex (1%) como destaques individuais. Na ponta negativa, Agricultura e Agropecuária (-0,9%), puxada por Kepler Weber e Metalurgia e Siderurgia (-0,2%), por conta de Ferbasa, pesaram. A carteira segue posicionada onde vemos valor e assimetria no médio prazo, com predominância de micro e small caps.

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)
Em abril, o 70 Prev recuou 1%, ante alta de 1,1% do CDI. No acumulado de 2026, o fundo avança 7,2%, superando os 4,5% do referencial por 2,7 p.p. Em 12 meses, entrega 11,9%, contra 14,8% do CDI. Desde o início (set/2019), o fundo acumula 99,2%, acima dos 83,7% do CDI – 118,5% do CDI no período.
No mês, o setor de Indústria Rodoviária (1%) foi o que mais contribuiu, com Marcopolo (0,5%) e Metal Leve (0,4%) puxando o resultado. Na outra ponta, Álcool e Açúcar (-1,1%) e Agricultura e Agropecuária (-0,6%) foram os setores que mais pesaram, com São Martinho (-1,1%) e Kepler Weber (-0,6%) como maiores detratores. Apesar do resultado negativo no mês, o fundo segue entregando no acumulado do ano resultado superior ao benchmark.
Com a estrutura 70/30 – que combina exposição a empresas com histórico de criação de valor ao acionista no longo prazo e a estabilidade da renda fixa –, o 70 Prev se posiciona como alternativa diferenciada no universo previdenciário, dada a exposição de 73% da carteira de renda variável em micro e small caps, explorando uma base de ativos pouco acessada pela maioria dos fundos do segmento.

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)
O Icatu 100 avançou 0,4%, ante queda de 0,1% do Ibovespa – gerando um tímido alfa de 0,5 p.p. No acumulado de 2026, o fundo avança 10,2%, abaixo dos 16,3% do referencial, devido à sua exposição maior a small caps. Em 12 meses, o fundo enfrenta uma janela difícil, entregando 16,1%, contra 38,7% do IBOV. Desde o início (julho/2020), o fundo acumula 89,2%, levemente acima dos 86,5% do referencial.
Contribuíram positivamente Construção (0,8%) e Indústria Rodoviária (0,7%), com Eucatex (0,8%) e Metal Leve (0,4%) como destaques individuais. Na ponta negativa, Álcool e Açúcar (-0,7%) e Agricultura e Agropecuária (-0,6%) pesaram, com São Martinho (-0,7%) e Kepler Weber (-0,6%) como maiores detratores. O fundo segue fiel ao mandato de previdência 100% renda variável, com carteira concentrada em micro e small caps – posicionamento raro na indústria previdenciária e que vem entregando alfa desde o início.

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)
Outro 70/30 da casa, o Icatu 70 avançou 0,4%, ante queda de 0,1% do Ibovespa – leve alfa de 0,4 p.p. No acumulado de 2026, o fundo avança 12,9% (3,4 p.p abaixo dos 16,3% do referencial). Em 12 meses, entrega 20,5%, contra 38,7% do IBOV. Desde o início (maio/2023), a estratégia enfrenta uma janela difícil, acumulando 25,4%, contra 70,1% do IBOV.
Indústria Rodoviária (1,5%) foi o setor que mais contribuiu, com Marcopolo (1,2%) e Metal Leve (0,3%) como destaques. Na ponta negativa, Álcool e Açúcar (-0,8%) e Agricultura e Agropecuária (-0,3%) pesaram mais uma vez, com São Martinho (-0,8%) e Kepler Weber (-0,3%) como maiores detratores.

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)
Apesar de um ano muito bom até aqui, o Power teve um pequeno revés de 0,9% em abril, ante alta de 4,8% do IEE – alfa negativo de 5,7 p.p. no mês. No acumulado de 2026, o fundo sustenta vantagem relevante, com 23,9% de valorização – bem acima dos 13% do IEE. Em 12 meses, entrega 63,8%, contra 44,7% do referencial. Desde o início, o Power acumula 89,1%, ante 68,8% do benchmark.
As contribuições positivas vieram de Energia (1,4%) e Agricultura e Agropecuária (0,9%), com Três Tentos (0,9%) e Emae (0,8%) à frente. As duas empresas foram favorecidas, respectivamente, pelo cenário interessante que se desenha para biocombustíveis (especialmente o biodiesel); e pelo interesse da Sabesp em fechar capital da EMAE via troca de ações.
Na ponta negativa, Álcool e Açúcar (-2,3%) e Petróleo e Gás (-0,4%) pesaram, com São Martinho (-2,3%) e PRIO (-0,4%) puxando para baixo. São Martinho, que opera no ecossistema de bioenergia, sofreu com a pressão nos preços do açúcar e do etanol. Apesar do cenário geopolítico no Oriente Médio sustentar preços mais altos do brent, a PRIO sentiu a Medida Provisória imposta pelo governo, adicionando 12% de imposto sobre os preços de exportações.
A carteira segue focada no ecossistema de energia e setores correlatos (cada vez mais sensíveis aos eventos geopolíticos), no qual a combinação de geração de caixa, dividendos e vetores estruturais de crescimento continua a oferecer boas oportunidades.

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)
No mês, o Horizon recuou 0,7%, ante queda de 3,2% do SMLL – gerando alfa de 2,5 p.p. No acumulado de 2026, o fundo avança 11,5%, bem acima dos 2,4% do referencial. Em 12 meses, entrega 36,8%, contra 13,3% do SMLL. Desde o início (set/2021), o fundo acumula 23,6%, enquanto o SMLL recua 17% no mesmo período – são mais de 40 p.p. de alfa acumulado no período, confirmando a estratégia de gerar valor no universo das Micro Caps.
Contribuíram os setores de Construção (0,3%) e Energia (0,4%), com Eucatex (1%) e Celesc (0,4%) como destaques individuais. Já na ponta negativa, Tecnologia (-0,4%) e Agricultura e Agropecuária (-0,4%) pesaram, com Moura Dubeux (-0,7%) e Kepler Weber (-0,4%) como maiores detratores. Em mais um mês de queda expressiva para small caps, o resultado do fundo reforça a proposta da estratégia: o Horizon conseguiu se descolar positivamente graças à seleção ativa em micro caps pouco correlacionadas com o índice e pouco acompanhadas pelo mercado. A carteira segue concentrada em empresas com capitalização abaixo de R$ 3 bilhões, diversificada entre setores nos quais vemos assimetria e espaço para criação de valor – nicho pouco explorado pelo mercado e onde a Trígono encontra suas melhores oportunidades.

Trígono Dynamic FIA (CNPJ: 41.063.457/0001-22)
O Dynamic recuou 1,5%, ante queda de 0,1% do Ibovespa – alfa negativo de 1,4 p.p. no mês. No acumulado de 2026, o fundo segue como destaque, ao avançar 17,1% – acima dos 16,3% do IBOV. Em 12 meses, entrega 66,4%, contra 38,7% do referencial (nada menos que 27,7 pontos percentuais de alfa no período). Desde o início (mar/2021 – como clube; como FIA a partir de 27/fev/2025), o Dynamic acumula 422,7%, ante 66,1% do IBOV – expressivos 356 p.p. de alfa desde o seu início.
Os principais detratores vieram de Comércio Atacadista e Varejista (-1,2%) e Consumo Discricionário (-0,6%), com Grupo SBF (-0,7%) e Assaí (-0,6%) puxando o resultado para baixo, além de Natura (-0,2%) e Cosan (-0,4%). A posição vendida em SMAL11 gerou contribuição positiva marginal (0,1%), funcionando como proteção em mês de queda para small caps. Do lado positivo, vieram Transporte e Logística (1,1%) e Agricultura e Agropecuária (0,2%), com OceanPact (1,2%) e Três Tentos (0,2%) como maiores contribuidores individuais.
O Dynamic se diferencia dos demais veículos da Trígono por sua flexibilidade long biased: pode ficar comprado em até 120% do PL e vendido em até 20% (sempre 100% net), além de investir no exterior em até 20% do patrimônio. Essa estrutura permite capturar oportunidades táticas e usar posições vendidas como funding para compor a carteira Long Only, no intuito de, com responsabilidade, potencializar o alfa no longo prazo. Mesmo com o recuo de abril, o alfa acumulado desde o início segue excepcional e reforça a proposta única do fundo dentro da grade da Trígono.

Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital
Equipe da Trígono Capital
Renda Variável
Pedro Carvalho, CGA
Guilherme Cambraia, CFG




