Bolsas nas Máximas e Juros nas Alturas: o que explica?
Há várias décadas, estudiosos, cientistas de dados (analistas quantitativos), economistas, investidores e aventureiros diversos tentam desvendar o funcionamento das engrenagens complexas do mercado. Não tiveram muito êxito. Esse esforço todo gerou explicações – principalmente vindas da terra do Tio Sam –, curiosas, supersticiosas e cômicas. Exemplos:
- Relação entre retornos em períodos de Lua nova e Lua cheia (mais baixos);
- Super Bowl Indicator: Se o campeão for um time da conferência NFC, o mercado sobe no ano; se for da AFC, cai[1]. Antes da era “pontocom” esse indicador tinha taxa de sucesso de 90%; de 2004 a 2023, no entanto, acertou apenas 6 em 20;
- Efeito Halloween: o período de novembro a abril teria retornos melhores que os do período de maio a outubro (daí veio a célebre correlação “Sell in may and go away”).[2]
- Clima em Nova York: estudos acadêmicos já até correlacionaram dias nublados na cidade de Nova York com retorno médio menor (teria a ver com a influência negativa no humor dos investidores).
Nenhuma fórmula mágica acertou, na história das fórmulas e gráficos mágicos já imaginados para tentar prever o mercado. Mas também, pense, o dileto leitor: se alguém encontrasse uma fórmula que realmente funcionasse para prever o mercado, por que cargas d’água a ofereceria de bandeja para o público geral?
O matemático Jim Simons (1938-2024) talvez tenha sido o que mais perto chegou de algo assim. Com seu fundo quantitativo Medallion, entregou de 1988 até 2018 retorno bruto anual de 66% (ou 39% após taxas – cerca de 5% de taxa de administração e 44% de performance). Fez isso coletando o maior número possível de dados (dos mais variados tipos) e correlacionando-os. Com essa combinação, faria o maior número possível de trades – com taxa de acerto perto de 50,7%. Foi o suficiente para Simons amealhar US$ 31 bilhões.
Para perdurar o sucesso do Medallion por muitos anos, foi necessário limitar os investimentos do fundo apenas a funcionários da gestora Renaissance Technologies – composta por matemáticos e cientistas, muitos sem noções básicas de investimentos.
Mas por trás desta fórmula – que ninguém conseguiu replicar –, havia poderosos computadores e capacidade de processar trades à frente do mercado numa velocidade inimaginável. Era uma combinação de novas informações do mercado, com milhares (milhões?) de correlações instantâneas, negociações em milhares de ativos em todos os mercados ao redor do planeta. Aqui, já comentamos anteriormente, atua sob o sugestivo nome de Cachaça Trading (domiciliada no mesmo endereço da Renaissance Technologies, gestora criada por Simons em 1982).
O segredo de Jim Simmons está em um cofre guardado a sete chaves. Mas, para os meros mortais sem acesso a computadores avançados nem às mentes matemáticas mais brilhantes do mundo, talvez o mais próximo de uma receita mágica divulgada para o público geral tenha sido a divulgada por Joel Greenblatt, no livro “The Little Book That Beats the Market”(2005). Lá, ele apresenta um filtro ao ranquear as empresas com melhores “EV/EBIT” e “ROIC” combinados.
A lógica por trás dessa fórmula é combinar Value Investing e Quality Investing com o múltiplo EV/EBIT, selecionando as empresas mais descontadas; e o ROIC elevado, selecionando de histórico de maior criação de valor (uma das metades do EVA: ROIC > WACC), de forma simples e metódica, minimizando erros ao sugerir uma diversificação entre as 20 e 30 mais bem ranqueadas.
Um backtest feito no mercado americano alguns anos atrás mostrou que, de 2000 até 2022, os retornos anuais foram de 17,2%, contra 8% do mercado, com estratégia long-only e rebalanceamento trimestral[3]. Apesar de suas limitações (empresas financeiras ficam de fora, para evitar distorções), essa “Fórmula Mágica” é uma ferramenta muito prática e uma excelente forma de screening (ou “garimpagem”) para investidores.
Mas, se funciona, por que a maioria dos investidores não replica?
Simples: a maioria não quer esperar. Não tem a paciência necessária para os momentos em que a fórmula não funciona.
Uma associação bem mais comum e que até faz sentido é a relação bolsas x juros. Em cenários de juro elevado, as bolsas historicamente enfraquecem e aumentam o fluxo para a renda fixa, balanceando a relação risco/retorno. Nem todos preferem dois pássaros voando a ter um na mão (lembra Mark Twain: “coloque os ovos numa cesta e vigie a cesta”). Para muitos, essa associação é quase um paradigma: períodos de juros elevados, com possíveis crises e recessões, levando a derrocadas da bolsa.
Com um mercado cada vez mais global e digitalizado, e informações instantâneas refletidas nos preços, expectativas começaram a ser colocadas no fator preço com um peso cada vez maior antes mesmo de se materializarem. “Comprar no boato, vender no fato” – todo mundo conhece isso.
Mas o que justifica essa contradição atual? Juros nas máximas desde 2006 e a bolsa (IBOV) no maior patamar histórico, ultrapassando os 140 mil pontos (nominalmente, sem ajustes por inflação ou dólar)? E por que há investidores na bolsa dispostos a arriscar o capital, sendo que um tem o bom e velho CDI entregando 15% de bandeja, com risco soberano zero (ou quase)?
Os mercados têm a característica de antecipar movimentos antes dos fatos se materializarem. Juros, por exemplo. Mas será que apenas meia dúzia de felizardos com bola de cristal têm essa informação? É uma verdadeira corrida ao pote de ouro. É como se a expectativa de um corte de juros (atualmente em patamares elevados, sem muita margem para incrementos adicionais) fosse adicionada em tempo real ao valor presente de fluxos-de-caixa esperados – mesmo sem a certeza de quando ocorrerá. Muda de acordo com as expectativas dos participantes, um ou outro dado da economia (aqui, a inflação; na terra do Tio Sam, a taxa de desemprego, PIB e alguns antecedentes econômicos, conhecidos como leading indicators).
E não é só a antecipação: o perfil do fluxo ingressante ou de saída também é uma variável importante. Até agosto, o fluxo de investidores estrangeiros em 2025 soma aproximadamente R$ 21,2 bilhões, ajudado por Instituições Financeiras e Investidores Individuais (ambos com R$ 8 bilhões), enquanto a principal saída no ano até aqui vem dos Institucionais (cerca de R$ 34 bilhões). Desde 2021, a redução de exposição em renda variável dos investidores institucionais ultrapassa a marca de R$ 300 bilhões, enquanto estrangeiros ingressaram com cerca de R$ 130 bilhões (sendo os principais atores deste mercado).
Bom: a alocação de institucionais pode incluir fundos que fazem stock picking e investem de maneira mais bottom-up em certo nível, apesar de abarcar muitos fundos multimercados (que sofreram bastante com resgates nessa janela). Enquanto os investidores estrangeiros, de forma geral (não dá para universalizar), vêm em boa parte através de alocações via ETFs, refletindo calls mais top-downs, talvez (só talvez) venham em busca de alocações em setores mais sensíveis a um eventual corte no juro.
Para ilustrar melhor, seguem as principais atribuições de performance dos três principais índices da bolsa brasileira – e os principais detratores no ano até aqui:
IBOV: Financeiro (+7,4%) e Energia (+3,6%); Petróleo e Gás (-1,1%) e Máquinas e Equipamentos (-1%)
SMLL: Construção (6,1%), Comércio Atacadista (4,5%), Empreendimentos e Participações (2,4%), Energia (2,3%); Petróleo e Gás (-1,9%), Metalurgia e Siderurgia (-0,6%) e Bens de Capital (-0,4%)
IDIV: Financeiro (6,2%), Telecomunicações (2,6%) e Energia (2,1%); Metalurgia e Siderurgia (-0,9%) e Petróleo e Gás (-0,6%).
No caso do setor financeiro, representado principalmente por bancos, uma leitura possível é a de um pico da inadimplência com eventual melhora à frente, além das taxas maiores de juros ajudando de certo modo a alavancar receitas no curto prazo. Já Energia, por ser defensivo e com certa previsibilidade de receitas e dividendos, tem contratos que trazem indexação; uma eventual redução de juros aliviaria o WACC (custo ponderado do capital), uma vez que a maioria das empresas do setor trabalha com alavancagem Você maior (dada a previsibilidade de resultados). Nas revisões tarifárias, ROIC e WACC são considerados (como fazemos na Trígono para cálculo do EVA), assegurando equilíbrio econômico e retorno adequado sobre os investimentos realizados (incluindo expansão e qualidade).
No índice small caps (SMLL), vemos este movimento mais nítido ainda: a Construção contribui com 6% do retorno, sendo um dos setores mais sensíveis ao crédito e aos juros. Em seguida vem Comércio Atacadista (+4,5%), na esperança de que a queda do CDI reduza o custo financeiro e estimule o consumo.
E analisando o lado que tem sofrido, foram setores como Petróleo e Gás (com maior correlação entre preços do petróleo Brent e do dólar, que tem se depreciado frente ao real). Setores como Metalurgia & Siderurgia e Bens de Capital são mais associados ao uso intensivo de capital, com dependência maior do ciclo de investimento e financiamentos de longo prazo. É natural – e até esperada – a desaceleração da venda de caminhões, máquinas pesadas, entre outros equipamentos ligados a bens de capital (produção).
Grosso modo, algumas das empresas de varejo soltaram bons resultados sem reflexo total ainda do peso da Selic a 15% e do juro real perto de 10% no poder de compra dos brasileiros. A eventual redução impediria esses efeitos. Já Bens de Capital têm ticket muito maior por equipamento e dificuldade de acesso ao capital. Entretanto, o que se deixa de consumir hoje precisa ser reposto no futuro. Isso cria demanda reprimida – afinal, equipamentos e veículos envelhecem, precisam de manutenção e se tornam antieconômicos com a idade.
Talvez a Kepler Weber seja uma das empresas de nossa carteira mais sensíveis e beneficiadas em um cenário de corte de juros. Seu produto é o CAPEX do cliente – um projeto de silos pode chegar a algumas dezenas de milhões em investimentos. Dos três principais pilares – soja, produção (gera o déficit) e juros –, o preço da soja e principalmente os juros têm sido o freio para investimentos. E mesmo assim, os volumes seguem em níveis recordes, justificados pelo menor preço do aço e pela necessidade de investimentos gritante por conta do déficit cada vez maior, já acima de 120 milhões de toneladas. Seriam necessários investimentos de R$ 100 bilhões para cobrir tal déficit. A expectativa de redução de juros pouco afetou os preços da ação (queda de 17% no ano), diferente de outros setores. Tem-se aí uma antecipação ainda tímida, apesar da recuperação de 13% na cotação em agosto.
Como temos exposição maior a Agronegócio, Bens de Capital e Mineração e Siderurgia, temos sofrido ao longo do ano por conta desse reposicionamento em busca de queda de juros e alocações via ETFs e investimentos estrangeiros direcionados aos benchmarks (passivos). Além de resultados um pouco mais tímidos de algumas posições. Seguimos diligentes na alocação de capital e principalmente dando preferência a companhias pouco alavancadas – fruto de geração de caixa mesmo em ambientes difíceis e boas pagadoras de dividendos.
Agosto, apesar da maioria dos fundos finalizarem no campo positivo, ficaram atrás dos respectivos referenciais: Delphos 0,2% x 5,4% IDIV; Flagship 60 0,9% x 5,9% SMLL; Parthenon 4,7% x 6,3% IBOV; Verbier -1,0% x 6,3% IBOV; Horizon 3,1% x 5,9% SMLL.
Acompanhamos de perto as empresas investidas e adicionamos oportunidades em alguns dos fundos quando possível – nos últimos 3 meses adicionamos novos nomes em Flagship 60, Delphos, Horizon e Parthenon.
Renda Variável
Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)
Em agosto, o Delphos avançou 0,2%, enquanto o IDIV subiu 5,4%. No ano, o fundo acumula recuo de 11,9%, ante ganho de 16,3% do referencial.
O mês foi marcado por assimetrias entre as principais posições. Kepler Weber (2,7%) foi o principal destaque positivo do portfólio e é atualmente uma das principais posições do fundo. A tese segue ancorada no papel estratégico da Kepler no pós-colheita e no crescente déficit de armazenagem no Brasil – sem contar com a visão estrutural para o agronegócio brasileiro e a expectativa de uma nova safra recorde em 25/26; na atual (24/25) já se está acima de 340 milhões de toneladas. Só em agosto, a ação avançou 13%, o que pode ser reflexo em alguma medida da expectativa de redução dos juros. Daí viria um impacto positivo – e um clima favorável prognosticado favoreceria a próxima safra (que já poderá contar com juros mais baixos no Plano Safra 26/27).
Na outra ponta, a Tupy (-2,2%) voltou a ser o maior detrator do mês. Além da dinâmica setorial mais fraca em caminhões pesados nos EUA, o papel segue sensível ao ruído tarifário na relação Brasil–EUA, à troca em seu comando e à desaceleração da produção de caminhões no 2º semestre.
Outros nomes contribuíram de forma pontual, como CEB e São Martinho – mas em magnitude menor que a da Kepler no período. Reforcemos o anúncio de distribuição de R$ 125 milhões em proventos pela CEB (yield de 8,5%). Encerramos agosto reforçando a disciplina da estratégia: priorizar empresas com sólida geração de caixa, capacidade de distribuição e balanços preparados para atravessar ciclos (com espaço para capturar assimetrias quando, como agora, vencedores e detratores se descolam no curto prazo).

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)
No mês, o Flagship 60 avançou 0,9%, enquanto o SMLL subiu 5,9%. No acumulado de 2025, o fundo acumula queda de 13,8%, ante ganho de 25,3% do índice. Desde seu início (abr/2018), o Flagship 30 entrega 158% de valorização; o Flagship, 152%; e o SMLL, 26,2%.
Os principais contribuidores de performance foram Agronegócio (2,8%) e Energia (0,6%). Kepler Weber, Três Tentos e CEB estão por trás das altas desses setores. Como detratores, os setores relacionados com a indústria automotiva (especialmente veículos pesados e comerciais) foram os principais penalizadores: Tupy (-1,7%); Schulz (-0,4%); Metal Leve (-0,3%); e WLM (-0,2%).

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)
O Parthenon finalizou agosto com 4,7% de alta, ante 6,3% do IBOV. Os setores de Mineração (2,1%), com a Aura Minerals, e Construção, com a Cyrela (1,4%), puxaram para cima. A Marcopolo (1,4%) também contribuiu, refletindo os bons resultados do 2º trimestre – com margens resilientes, uma boa expectativa de apresentar resultados ainda melhores ao longo do 2º semestre e, em 2026, mantendo esta tendência. É quando as eleições costumam favorecer as vendas de ônibus – e o reforço do programa Caminho para a Escola favorece especialmente a Marcopolo.
Do lado negativo, Petróleo e Gás (-1,2%), representado por Prio, foi quem penalizou. O anúncio da suspensão da produção de Peregrino, ainda comandada pela Equinor, foi a principal notícia negativa. Como especificado em contrato, a Prio não terá prejuízo dessa parada após a conclusão da aquisição, podendo até antecipar o closing. O lado negativo é que os 40% que já contam com a participação da Prio estão paralisados – o que impacta a produção do 3º trimestre e pode significar um aumento do lifting cost. A tese segue válida, dado que a companhia, ao extrair o 1º óleo de Wahoo (esperado só para abril de 2026), deve ultrapassar os 200 mil barris/dia, praticamente dobrando sua produção. Vai se tornar, assim, uma das maiores geradoras de caixa da bolsa e de maior crescimento.
No ano, a vantagem é do IBOV: 17,6% contra 10,8% do fundo. Desde seu início (dez/23), este sobe 14,6%, contra 11,4% do referencial.
O Parthenon é um dos fundos mais recentes da Trígono. Destaca-se pela elevada liquidez, com média diária de mais de R$ 200 milhões por empresa – aliada a uma grande capacidade de investimento e resgate em D+5 (prazo bastante curto), oferecendo liquidez aos investidores.

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)
Em agosto, o Verbier recuou 1%, em contraste com a alta de 6,3% do Ibovespa. O desempenho reflete tanto a seletividade da carteira em setores mais pressionados quanto o peso de nomes cíclicos que continuam enfrentando desafios. No acumulado de 2025, o fundo registra queda de 13,4%, ante valorização de 17,6% do índice.
Entre os destaques positivos do mês esteve mais uma vez a Kepler Weber (1,8%), que se mostra resiliente em meio ao ambiente macro adverso (apoiada na carteira robusta de armazenagem que vem se formando). São Martinho também ajudou, mas menos (0,2%).
Na outra ponta, Tupy foi novamente o maior detrator (-1,7%), refletindo o enfraquecimento de volumes nos mercados externos, especialmente em veículos pesados nos EUA e na Europa. Outras posições relevantes em bens de capital, como Schulz (-0,5%), Metal Leve (-0,3%) e Ferbasa (-0,2%) também pesaram.
Apesar das adversidades recentes, desde seu início (abr/2018), o Verbier acumula valorização de 136,8%, ante 81% do Ibovespa — um alfa de 55,7 p.p. no período. Isso reforça a consistência da estratégia de longo prazo ao identificar oportunidades fora do radar imediato do mercado.

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)
Outro fundo all caps da Trígono, o 70 Prev mantém 70% alocados em renda variável e 30% em renda fixa. A filosofia ainda é concentrar investimentos em companhias com histórico de geração de valor, fundamentos sólidos e espaço para crescimento – mesmo em ambiente de juros ainda elevados.
Em agosto, o fundo avançou 1,1%, praticamente em linha com o CDI (+1,2%). No acumulado de 2025, contudo, a diferença ainda é expressiva: -5,5% do fundo, contra 9% do benchmark.
Entre os destaques positivos do mês vêm Kepler Weber (1,9%), Aura Minerals (1,4%) e São Martinho (0,4%). Na contramão vem, de novo, Tupy (-1,5%), Jalles Machado (-0,8%) e nomes industriais e de metalurgia/mineração – como Metal Leve e Ferbasa (ambas com -0,3%).
Desde o início (set/2019), o 70 Prev acumula valorização de 69,3%, levemente acima dos 67,6% do CDI. Mostra assim resiliência mesmo em janelas mais curtas (em que a renda fixa impõe um desafio maior).

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)
Em agosto, o Icatu 100 registrou leve alta de 0,4%, abaixo dos simpáticos 6,3% do Ibovespa. No acumulado de 2025, o fundo cai 6,1%, enquanto o referencial sobe 17,6%.
Entre os destaques positivos, Kepler Weber – uma das principais posições do portfólio – contribuiu com 1,9%. Aura Minerals e São Martinho também somaram pontos (mas modestos).
Por outro lado, o maior detrator do mês voltou a ser Tupy (-1,6%), pressionada pela queda de volumes no mercado externo, em especial em caminhões pesados nos EUA e na Europa. Jalles Machado (-0,6%), Metal Leve (-0,3%) e Schulz (-0,3%) também recuaram, em escala menor.
O fundo segue fiel ao seu mandato: 100% exposto à renda variável, com cerca de dois terços em micro caps e o restante em small caps. Trata-se de uma característica rara no universo previdenciário: proporcionamos, assim, diversificação real e baixa sobreposição em relação a fundos tradicionais. Desde o início (jul/20), o Icatu 100 acumula valorização de 53,4%, contra 40,8% do Ibovespa.

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)
O Icatu 70 mantém a estrutura clássica 70/30 (70% em renda variável, 30% em renda fixa), proporcionando exposição à filosofia da Trígono com volatilidade menor que a de um fundo 100% ações. A carteira de renda variável continua concentrada em companhias de menor capitalização: cerca de metade em small caps; 44% em micro caps; e uma fatia residual em large caps. Sustentamos desse modo a convicção de que as maiores oportunidades de assimetria seguem nas faixas inferiores de mercado.
Em agosto, o fundo avançou 2,9%, mas ficou atrás da alta de 6,3% do Ibovespa. A contribuição positiva veio sobretudo de Aura Minerals (2,1%) e Marcopolo (1,3%); nomes como Kepler Weber (0,8%) e São Martinho (0,3%) também deram sua contribuição. Na outra ponta, Tupy (-0,8%) foi o maior detrator, acompanhada mais uma vez por ajustes negativos em companhias industriais como Schulz e Metal Leve.
No acumulado de 2025, o Icatu 70 sobe 2,2%, contra 17,6% do Ibovespa. Desde o início (mai/23), o fundo soma 2,5%, enquanto o referencial avança 28,4%, refletindo a penalização persistente de micro e small caps em ambiente avesso ao risco.
Seguimos convictos de que a disciplina na seleção de empresas de qualidade, muitas vezes negligenciadas pelo mercado, abre espaço para retornos superiores no longo prazo. O Icatu 70 se mantém como alternativa diferenciada no universo previdenciário.

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)
Com foco em empresas que se beneficiam direta ou indiretamente da transição energética, além de eletrointensivas, geradoras e fornecedoras da cadeia de energia, o Power fechou agosto com valorização de 6,4%, o IEE, no entanto, se saiu um pouco melhor (7,6%). No acumulado de 2025, o fundo soma alta de 17,8%, ante 34,3% do referencial. Desde o início (fev/21), acumula 27%, ligeiramente acima dos 26,3% do IEE.
O mês foi marcado por ganhos relevantes em Aura Minerals (3,8%), CEB (3,2%) e Três Tentos (1,3%); já PRIO (-1%) e Jalles Machado (-0,7%) foram os principais detratores.
Na visão setorial, Mineração se destacou (3,8%), sustentada pelo bom desempenho de Aura; em seguida vêm Energia (3,2%) e Agronegócio (1,3%). Já Petróleo & Gás (-1,1%) sofreu a maior pressão negativa no mês, refletindo o desempenho da PRIO.
Mesmo com oscilações de curto prazo, seguimos confiantes na robustez da estratégia: exposição a companhias de geração de caixa previsível e múltiplos atrativos dentro da temática de energia, em segmentos ainda pouco explorados pelo mercado. Para ser uma alternativa para diversificação no segmento energético.

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)
Com desempenho de 13,9% no ano até aqui (contra 25,3% do SMLL), o Horizon tem desempenhado razoavelmente bem, mesmo sendo agnóstico ao benchmark. No mês, a alta foi de 3,1% contra 5,9% do SMLL. A diferença ficou em grande parte por conta do peso negativo do setor de Álcool/Açúcar (-1%) no mês, puxado por Jalles – desafios climáticos têm atrapalhado o turnaround em Santa Vitória e o crescimento da moagem.
Do lado positivo, Construção (2%), puxado por Moura Dubeux; e Telecomunicações (1,1%), com alta da Unifique, praticamente justificaram a alta mensal.
Com foco em micro caps, o Horizon busca empresas com valor de mercado inferior a R$ 3 bilhões. O fundo tem, assim, uma carteira diversificada de companhias com elevado potencial de valorização. A estratégia é identificar negócios pouco acompanhados pelo mercado, mas com fundamentos sólidos, qualidade de gestão e capacidade de geração de valor no longo prazo. Ao explorar e focar esse universo menos óbvio da Bolsa, o Horizon oferece ao investidor uma alternativa diferenciada e diversificadora, com potencial de retorno elevado e baixa correlação com os principais índices de mercado. No acumulado desde seu lançamento, há queda de 1,6% – bem menor que a do índice SMLL (composto pelas mais líquidas e maiores empresas do segmento small caps).

Crédito Privado
O Trígono Sirius teve retorno de 1,13% em agosto (97% do CDI), acumulando 108% do CDI em 2025 e 105% desde seu lançamento. Nosso desempenho mensal ficou ligeiramente abaixo do CDI devido à ampliação dos spreads de crédito em alguns nomes (principalmente Cosan, Localiza e Armac), que foi parcialmente compensada pelo estreitamento visto na maior parte dos títulos e emissores que compõem nossa carteira.
Agosto foi de fato um mês mais desafiador para a indústria, com fluxo líquido negativo para a classe de ativos renda fixa e abertura de spread de crédito nos índices de mercado, sobretudo em emissores mais alavancados. Os índices continuam a apresentar grande dispersão, com emissores com spreads bastante comprimidos e os mais alavancados, com ampliação relevante nos prêmios de risco.

Fonte: Idex-CDI Geral JGP – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital
Nossa carteira mantém rating médio brAA+, com: 56% de ativos brAAA; 21% em brAA+; 15% em brAA; 7% em brAA-; e apenas 1% em brA+. O carrego da carteira está em CDI + 1,13%.
Continuamos muito criteriosos e seletivos no mercado primário, tendo participado apenas na emissão primária da Aegea. Já no mercado secundário, seguimos com a estratégia de realizar lucro em ativos cujos spreads foram demasiadamente comprimidos. Em contrapartida, aumentamos exposição em Rede D’Or, Itaú e Vibra Energia.
Ao fim de agosto, o Sirius tinha 71 ativos de crédito (de 41 emissores diferentes), carrego de CDI + 1,13% e duration de 3,7 anos.
Nossa principal exposição (31%) é ao setor financeiro/bancário – composto por bancos de primeira linha e bancos ligados a grupos internacionais sólidos. Em seguida vêm exposições relevantes em Saneamento (15%) e Energia Elétrica (9%), setores com demanda resiliente e, consequentemente, fluxo de caixa previsível.

Fonte: Trígono Capital
Seguimos bastante confiantes em que juros elevados por período prolongado, bem como as incertezas geopolíticas e tarifárias, manterão o fluxo de recursos positivos para a classe de crédito privado ao longo do ano.

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital
Por outro lado, seguimos cautelosos: o cenário de juros elevados por período prolongado continuará a impor desafios às empresas com estrutura de capital mais alavancada. Nesse contexto, seguimos convictos de que um portfólio premium no segmento de ativos high-grade (de melhor qualidade de crédito) continua a ser a melhor estratégia a perseguir. Desnecessário mencionar a importância de se monitorar de perto e frequentemente a evolução da qualidade creditícia dos emissores.
TRIGONO POLARIS DEBENTURES INCENTIVADAS FIC FI RF
O Polaris teve retorno de 1,3% em agosto, superando o benchmark – IMA-B 5 – por 12 bps. No acumulado de 2025 superamos o IMA-B 5 por 223 bps (retorno equivalente a 109% do CDI). O Patrimônio Líquido da estratégia fechou o mês com R$ 44 milhões sob gestão. Continuamos encurtando a duration do fundo, que passou de 5,0 para 4,7 anos ao final de agosto.
Nosso desempenho mensal foi resultado tanto do fechamento das curvas, impactadas por acomodação da guerra tarifária, como de indicadores de inflação ligeiramente melhores que as expectativas e sinais crescentes de desaceleração econômica. O conjunto denota que podemos estar perto do início dos cortes de juros por parte do Banco Central.

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital
Continuamos com a estratégia de encurtar duration do fundo, através da venda de ativos mais longos e com spreads bastante comprimidos. O fechamento dos spreads e o aumento tático da posição de caixa (de 3,3% para 8%) resultou em um decréscimo no carrego do fundo de IPCA + 8,5% para IPCA + 8,1%. Embora tenhamos diminuído a alocação em debêntures incentivadas de 74% para 71% do fundo, permanecemos com alguma folga em relação ao mínimo exigido pela regulação: 67% para fundos entre 6 meses e 2 anos de vida. Seguimos com as alocações seletivas no fundo (e sem pressa para atingir os 85% que passam a ser obrigatórios em fevereiro de 2026).

Fonte: Trígono Capital
Com as ações acima, o Polaris encontra-se com spread de +29 bps em relação à NTN-B 2030 (título público atrelado ao IPCA, com duration mais próxima à do fundo). No mercado, presenciamos a aceleração do estreitamento dos spreads de crédito do Idex-Infra Core, claramente impactados pela demanda por investimentos isentos frente à MP 1303/2025 (de 0,20% para 0,0%). A partir de 1º de janeiro de 2026 haverá tributação por uma alíquota de IR fixa de 5% para pessoas físicas. Assim, em nossa opinião, ao longo deste segundo semestre ocorrerá uma pressão compradora em títulos isentos, com investidores objetivando manter a isenção (o que já não será possível para investimentos nas cotas de fundo emitidas a partir de 2026).

Fonte: Idex-Infra Core JGP – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Trígono Capital
Ao final de agosto, o fundo tinha 81 ativos de crédito, carrego de IPCA + 8,1% ao ano (equivalente a NTN-B 2030 + 0,29%), rating médio de brAA+ e duration de 4,68 anos. A carteira continua setorialmente diversificada, mais exposta a Energia Elétrica (31%), Saneamento (13%), Agronegócio (11%) e setor Financeiro (11%).

Fonte: Trígono Capital
Nossa estratégia permanece intocável: manter a carteira com elevada qualidade de crédito, sem incorrer em riscos de projeto (o fundo só incorre em risco de crédito corporativo). Dado o cenário macroeconômico ainda muito desafiador para empresas, devido aos juros em patamares elevados, julgamos prudente alocar exclusivamente em riscos corporativos.
Seguimos confiantes em uma combinação única para a classe de ativos e bastante oportunística para o investidor pessoa física: (i) manutenção da isenção fiscal indefinida para os aportes realizados nos fundos de debêntures incentivadas até o fim de 2025; e (ii) nível elevado de juros reais das NTN-Bs (acrescidos de spread de crédito). Esses fatores, combinados à elevada qualidade de crédito da carteira do Polaris, nos permitem seguir com uma visão otimista para o fundo.
Equipe de Crédito Privado da Trígono Capital
Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital
Marcelo Antonio Tramontina Peixoto, CGA — Head e Gestor de Crédito Privado
Rômulo Bredt, CGA, CNPI — Cogestor e Analista de Crédito Privado
Larissa Marrocos Resende Villar – Analista de Crédito Privado
Eric Gordon Findlay – Analista de Crédito Privado
Gabriel Russo de Moraes – Estagiário de Crédito Privado




