Desempenho dos Fundos – Agosto de 2026

4 set 2026

“Agosto, mês do desgosto”, diz a velha expressão popular. De origem incerta, a crença de que o oitavo mês do ano é um período de má-sorte tem longa tradição cultural. Na língua portuguesa, a rima facilitou memorizar o ditado, mas essa superstição está presente em culturas com idiomas em que não há rima entre as duas palavras. Na Alemanha e na Europa Central, por exemplo, o período é associado a más colheitas e crises de falta de comida. No Japão, a crença tem a ver com a ligação entre os mundos dos vivos e dos mortos – e há ainda a marca trágica dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, ambos ocorridos em agosto. Em Portugal, surgiu durante as grandes navegações: mulheres evitavam casar-se no período devido ao número mais alto de expedições marítimas – e ao medo maior de acabarem viúvas. Também é um mês que a crença popular diz que é mês de cachorro louco e curiosamente é o mês de campanha de vacinação antirrábica.

No nosso século 21, mais especificamente no mês passado, houve três semanas que pareceram honrar na íntegra a rima: o Ibovespa chegou a acumular perda mensal de 6,5% e a B3 já havia visto R$ 23 bilhões de recursos estrangeiros irem embora. Nos dez últimos dias, porém, o humor virou: entraram cerca de R$ 5 bilhões, e o índice encerrou o mês com queda de apenas 0,3%.

Ainda assim, o saldo final do fluxo estrangeiro ficou negativo em R$ 18,4 bilhões, o que reduziu à metade o acumulado positivo do ano, que agora soma cerca de R$ 18 bilhões. Nas ações small caps, em que o fluxo estrangeiro (que segue concentrado em blue chips) pesa menos, não houve recuperação equivalente: o índice SMLL caiu 1,3%, mas chegou a apresentar queda de 8% no mês.

Tal como nos meses anteriores, a dinâmica global seguiu dominada pelos temas de juros nos EUA e tensões geopolíticas – a escalada do conflito entre estes e o Irã manteve a pressão sobre o preço do petróleo: o Brent encerrou agosto acima de US$ 90/barril (alta de 2,9%), realimentando preocupações com a inflação norte-americana. O ouro, refúgio histórico de investidores em cenários de aversão a risco e juro real incerto, disparou 10% no mês, batendo em US$ 4.447/onça.

Foi nesse contexto que Kevin Warsh, presidente do Fed (BC dos EUA), adotou tom mais duro no combate à inflação em seu discurso em Jackson Hole, no dia 28. Sem se comprometer com forward guidance, Warsh deixou explícita sua função de reação: só haverá afrouxamento monetário quando houver convicção de que a inflação converge para a meta de 2%. O mercado reagiu de imediato, e a aposta majoritária para a reunião do Fed neste mês deixou de ser manutenção e passou a ser de alta da taxa de juros. Quanto, qual a intensidade e pausa? A nova questão de um milhão de dólares, talvez bilhões e trilhões.

No campo microeconômico, o mês concentrou boa parte da divulgação dos resultados do 2º trimestre de 2026. O que se revelou foi um mercado brasileiro em ciclo de crescimento de lucros, mas muito desigual entre setores. As companhias do Ibovespa somaram R$ 143 bilhões de lucro no trimestre, com avanço anual de 22,9% no lucro líquido e de 18,5% no EBITDA. O detalhe, porém, está na composição: o setor de óleo e gás cresceu, sozinho, 79,7% em EBITDA; excluído o setor, o agregado do índice avança apenas 5,2% em EBITDA e 9,6% em receita. O bloco de commodities carregou o índice, enquanto empresas mais expostas ao ciclo doméstico e ao custo de capital elevado entregaram números fracos (peso dos juros altos).

Entre os destaques dentro do índice estiveram setores cíclicos que tiveram forte queda em julho, como agronegócio, construção civil e varejo (estes dois últimos, com pouca exposição na maioria dos fundos da Trigono). Em nossos fundos, pesou mais o segmento de Bens de Capital, principalmente por conta de Marcopolo. Abaixo, seguem os comentários de desempenho e a atribuição de performance dos principais fundos da Trígono.


Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)

Apesar do leve alfa frente ao SMLL (0,7 p.p.), o Flagship 60 fechou mais um mês em queda, com desempenho de -0,6%. O ano segue desafiador para a estratégia (-18,9% no acumulado, contra -6,5% do SMLL), reflexo da concentração em teses de valor e de menor liquidez que ainda não foram devidamente precificados pelo mercado. Liquidez e fluxo são os motores. Valor fica em segundo plano. Na janela longa, porém, o diferencial permanece expressivo: desde o início, o fundo acumula alta de 137,2%, ante 23% do SMLL (mais de 110 p.p. de alfa).

Não foi um mês de grandes oscilações, tanto para o lado negativo como para o positivo. Pesaram os setores Petroquímico (-0,8%) e de Energia (-0,5%). Indústria Rodoviária e Transporte Logístico subiram (0,4%).

Mantemos a convicção nas teses e a disciplina de processo, cientes de que o descasamento entre preço e valor tende a se resolver no médio e no longo prazo. Quanto maior a distância hoje, maior o potencial de alta e captura desse valor, embora visível, o mercado atribui um peso secundário na tomada de decisões.

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ 29.177.0130001-12)

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)

Em agosto, o Delphos recuou 3%, ante queda de 1,7% do benchmark. No acumulado anual, o fundo cai 20,6%, enquanto o referencial teve valorização de 8,4%. Quando considerado desde seu início (abr/2018), o fundo teve retorno de 106,1%, contra ganho de 180,6% do IDIV.

Tal como no benchmark, os papéis de destaque no fundo no mês passado vieram do Agronegócio (0,6%) e de Petróleo e Gás (0,5%), impulsionados principalmente por Kepler e PRIO. No lado negativo, o setor que mais prejudicou foi a Indústria Rodoviária (-1,6%) principalmente devido à queda de Marcopolo (desvalorização de -17,1% no mês) após os resultados do 2T26.

Seguimos com a carteira do Delphos fiel ao método de seleção: foco em empresas com capacidade de distribuição de dividendos, geração de caixa consistente e balanços sólidos.

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ 29.177.0240001-00)

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)

Em agosto, o Parthenon teve retorno de 0,8%, superando o benchmark (-0,3%) e gerando 1,1 p.p. de alfa. No ano, o fundo acumula 5,2% de retorno, abaixo dos 10,1% do Ibovespa. Desde seu início (nov/2023), o fundo tem retorno total de 34%, ante 39,8% do índice de referência.

O setor de Álcool e Açúcar (+3,8%) e o de consumo discricionário (+3%) deram as principais contribuições no mês, com destaques para o papel de São Martinho (que subiram +36%), que refletiu a alta do preço do açúcar nos mercados globais e petróleo, embora o preço do etanol no Brasil segue deprimido, posição diametralmente oposta ao ano passado e no 1T26. Do lado negativo, o principal destaque foi o setor de Indústria Rodoviária (-4,2%), impactado pela já citada queda de Marcopolo. Mas com resultados robustos no primeiro semestre e boas perspectivas. Juros elevados, talvez, o principal motivo de queda das ações, mas uma empresa praticamente sem dívida líquida, líder de mercado, negociada a 5x o P/L dos últimos 12 meses, e talvez abaixo desse múltiplo olhando para frente e com yield acima de 10% para 2026. Um ativo sensível a juros.

Seguimos convencidos da qualidade da estratégia Parthenon, combinando mid e large caps, com foco em selecionar empresas maduras de boa governança, alta liquidez, geração de caixa consistente e vetores claros de crescimento. Nomes como Aura Minerals, Prio, São Martinho, Embraer, Ultrapar, Vibra, Copel, além de Marcopolo, entre outros compõe o Parthenon. Aura e Prio são os principais nomes ligados a commodities, mas além de embutir a alta de preços dos produtos minerais, apresentam crescimento robusto (até 100% em três anos na Aura e já realizado pela Prio), além de redução de custos, notadamente nos novos projetos, especialmente na Era Dorada na Aura e Wahoo na Prio.

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ 52.924.5850001-30)

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)

Em agosto, o Verbier recuou 2,8%, ante queda de apenas 0,3% do Ibovespa. No acumulado anual, o fundo tem retorno negativo de 8,9%, contra ganho de 10,1% do benchmark. Desde seu início (abr/2018), o fundo traz retorno acumulado de 129,7% – acima dos 127,1% do Ibovespa (gerando assim um magro, mas bem-vindo, alfa de 2,6 pontos percentuais).

Os principais detratores ficaram por conta do setor de Construção (-1,7%), puxado por Eucatex; e Indústria Rodoviária, com a já mencionada Marcopolo. Do lado positivo, Tecnologia (0,3%), foi um dos poucos setores que contribuíram.

Seguimos convencidos da qualidade das teses no longo prazo – e lembramos que o fundo Verbier não tem limitação em seu universo de investimentos: alocações incorporam de micro a large caps, sempre em busca das melhores oportunidades independentemente da capitalização das empresas.

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ 08.968.7330001-26)

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)

Em agosto, o Trígono 70 Previdência apresentou retorno de 1,7%, superando o benchmark (1,1%) e gerando 0,6 pontos percentuais de alfa. No acumulado anual, acumula recuo de 1,5%, ante ganho de 9,3% do CDI. Desde seu início (set/2019), o fundo acumula 83% de rentabilidade, nem tanto abaixo dos 92,1% do referencial.

O fundo capturou com sucesso a alta no preço do ouro, em um mês em que a onça subiu 10% nos mercados globais (atingindo US$ 4.447). Com essa valorização, o setor de Mineração contribuiu com alta de 2,5% no retorno do fundo, impulsionado pelas ações da Aura Minerals. Tal como no Ibovespa, outro setor de destaque no fundo foi o Agronegócio (0,4%), que recuperou parte da queda do mês anterior.

Com a estratégia 70/30 (70% de exposição em renda-variável, 30% em renda-fixa), o Trígono 70 Previdência mantém foco em gerar retorno através de empresas de fundamentos e valor sólidos para uma estratégia previdenciária de longo prazo.

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ 33.146.1300001-96)

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)

Em agosto, o Icatu 100 FIA teve retorno positivo de 0,1%, superando a queda de 0,3% do Ibovespa e gerando alfa de 0,5 p.p. No acumulado anual, o fundo tem recuo de 3,2%, ante ganho de 10,1% do benchmark. Na janela desde seu início (julho/2020), o fundo tem retorno acumulado de 66,3%, contra 76,7% do índice de referência.

Seguindo o ritmo dos mercados globais, o Icatu 100 capturou a alta de 10% do ouro no mês – o que fez da Mineração (2,7%) o setor que mais contribuiu para o ganho (mérito das ações da Aura Minerals). Do lado detrator, pesou o setor de Construção (-1,3%), devido principalmente à queda das ações da Eucatex.

O fundo segue fiel ao mandato de previdência 100% alocada em renda variável, com exposição focada em micro e small caps. Isso proporciona baixa sobreposição em relação a pares do segmento previdenciário.

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ 35.610.3420001-08)

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)

No mês passado, o Trígono Icatu 70 apresentou valorização de 2%, bem acima da queda de 0,3% do Ibovespa, gerando assim 2,3 pontos percentuais de alfa. No acumulado do ano, o fundo tem retorno de 1,6%, bem abaixo dos 10,1% do referencial. Desde seu início (maio/2023), o Trígono Icatu 70 tem 12,8% de retorno, contra 61,1% do benchmark.

O Icatu 70 capturou com sucesso a alta mensal de 10% do ouro, também aqui o setor de Mineração (3,1%) deu a principal contribuição, também impulsionado por Aura Minerals. O destaque negativo veio do setor de Construção (-0,6%), também puxado para baixo pelas ações da Eucatex.

Com a estrutura 70/30 (70% de exposição em renda-variável, 30% em renda-fixa), o Trígono Icatu 70 mantém foco em gerar retorno através de empresas de valor e fundamentos sólidos para uma estratégia previdenciária de longo prazo.

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ 49.459.3450001-05)

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)

Em agosto, o Power & Yield apresentou retorno de 0,5% – muito acima do benchmark, que recuou 1,35% no mesmo período, gerando assim alfa de 1,8 ponto percentual. Ao longo do ano, o retorno do fundo acumula ganho de 4,2%, também acima do IEE, que valorizou apenas 2,2% (alfa de 2,1 p.p.). Desde seu início (fev/2021), o Power & Yield retornou 59%, ante 52,6% do índice de referência (alfa de 6,4 p.p.)

Os principais drivers de retorno do fundo no mês foram: a alta de 2,9% Brent (que encerrou o mês cotado US$ 90/barril) e a valorização de 10% na onça de ouro. Esse retorno foi capturado principalmente nos papéis de PRIO e Aura Minerals.

O retorno acumulado do fundo segue expressivo e consistente, reforçando a proposta de uma carteira focada no ecossistema de energia e setores correlatos. Apesar de sensível aos eventos geopolíticos atuais, o setor continua a oferecer boas oportunidades em momentos de estresse energético.

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ 40.265.1530001-85)

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)

O Horizon, um dos nossos fundos com melhor desempenho histórico e que completou 5 anos no dia primeiro de setembro, recuou 0,8% em agosto, ante queda maior, de 1,3%, do SMLL (gerando um alfa positivo de 0,5 p.p. no mês). O fundo teve um desempenho melhor ao benchmark mesmo em um ambiente que segue adverso para a classe desde o seu início  – alta de juros e aversão às empresas de menor liquidez e capitalização.

A leitura relativa permanece amplamente favorável nas demais janelas: no acumulado de 2026, o fundo avança 2,5%, contra queda de 6,5% do SMLL (alfa de 9 p.p. no ano); em 12 meses, valoriza 15,4%, ante -2,5% do índice; e, desde seu início (set/2021), acumula alta de 13,6%, enquanto o SMLL recua 24,3% no mesmo período (cerca de 38 p.p. de alfa acumulado – evidência da capacidade da estratégia de gerar valor no universo das microcaps).

O desempenho negativo no mês veio, de novo, do setor de Construção (-1,6%), também aqui por efeito da queda da Eucatex (que, sozinha, contribuiu com -1,5%). O ativo reagiu negativamente aos resultados do 2T26, que mostraram ligeira pressão de margens pela alta de insumos (metanol e ureia), além de incertezas em relação às tarifas no mercado dos EUA. No entanto, no semestre os resultados foram robustos. Do lado positivo, Tecnologia (0,9%) e Educação (0,4%) suavizaram o tropeço.

Mais que um recorte de “tamanho”, enxergamos as microcaps como terreno de ineficiências: lá, encontramos empresas pouco cobertas pelo sell side, de menor liquidez e cujos preços frequentemente descolam dos fundamentos, permitindo gerar alfa mesmo em um período bastante adverso e com pouco fluxo para essa classe de ativos. É no descompasso entre percepção e valor que concentramos o trabalho, com disciplina de processo e horizonte de médio e longo prazos.

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ 43.104.1340001-65)

Trígono Dynamic FIA (CNPJ: 41.063.457/0001-22)

No mês, o Dynamic recuou apenas 0,2%, ante recuo ligeiramente maior (-0,3%) do IBOV, um empate técnico. Diferentemente de julho, quando o índice disparou na esteira das principais blue chips e o fundo ficou para trás, agosto foi um mês de bolsa praticamente estável, em que a flexibilidade da carteira permitiu ao Dynamic terminar ligeiramente à frente do referencial. No acumulado de 2026, o fundo avança 4,5%, ainda atrás dos 10,1% do IBOV – descompasso coerente com um ano de rali concentrado em exportadoras, Petrobras e bancos. Em 12 meses, entregou 25,9% de ganho, em linha com o índice; e, desde seu início (mar/2021 como clube; como FIA, a partir de fev/2025), acumula 366,2%, ante 57,3% do IBOV (respeitável alfa de 309 p.p.)

Na ponta positiva, contribuíram os setores de Educação (1%), Tecnologia (1%) e Álcool e Açúcar (0,5%). Destaque foi a Ser Educacional, focada em sua estratégia para cursos de medicina e demais presenciais relacionados à saúde. O grupo entregou geração de caixa consistente e negocia em múltiplos próximos a 5,0x lucro, olhando mais adiante. Quanto aos detratores, Locação de veículos (-1,2%), Telecomunicações (-0,7%) e Comércio Atacadista (-0,7%) foram os principais obstáculos para a entrega de um desempenho positivo no mês.

Trígono Dynamic FIA (CNPJ 41.063.4570001-22)


Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital

Equipe da Trígono Capital

Renda Variável

Pedro Carvalho, CGA

Guilherme Cambraia, CFG

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