Em fevereiro, o viés positivo observado no mercado em janeiro se manteve – ainda que menos intenso e mais seletividade na performance. O Ibovespa avançou cerca de 4,1% no mês, enquanto o SMLL teve um desempenho mais contido, +1,9%, refletindo um ambiente ainda construtivo para risco, porém com dispersão maior entre setores e estilos. Nesse cenário menos “direcional”, a maior parte das nossas estratégias entregou resultados acima dos referenciais – com contribuições mais equilibradas e menos dependentes de um único vetor de mercado.
Ao final do mês, o estresse geopolítico aumentou – aumentando junto a relevância dos temas de energia e proteção. Em petróleo e gás, seguimos muito bem-posicionados em PRIO, combinando avanço operacional e uma assimetria que já nos parecia atraente mesmo sob premissas mais conservadoras de preço do barril (com a possibilidade de um Brent mais caro, mais atraente ainda). A companhia também avançou em marcos que aumentam a visibilidade de crescimento de produção (licença operacional de Wahoo), reforçando o racional de manter a posição para captura de valor no ciclo. Aura Minerals através de seu BDR (AURA33) é outra posição ao mesmo tempo de proteção e agressiva, ouro protege, mas a expansão dos negócios da empresa e geração de valor, continua, na realidade, acelerando.
As tensões no Oriente Médio escalam no momento mesmo em que esta análise é produzida. O risco de um conflito mais amplo envolvendo o Irã – país que controla o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo marítimo global — sustenta um patamar de Brent mais elevado (por prêmio de risco e oferta restrita de petróleo e derivados, além do gás do Qatar). Se mais tensão vier a compor o cenário, gás, carvão, energia elétrica e petróleo mais caros tendem a contaminar custos e inflação, com impacto negativo para a indústria (especialmente eletrointensivos, logística e petroquímicos) e para a demanda. A reação em cadeia específica em cada setor dependerá da evolução do conflito.
Em ouro, mantivemos cautela com a volatilidade, mas confiantes na execução e nos catalisadores específicos de Aura. No período, a empresa divulgou acordo com o DNIT para viabilizar a realocação de um trecho da BR-101 na área de Borborema (RN), abrindo espaço para expansão relevante da mina. Além disso, o patamar mais alto do ouro tende a favorecer revisões de recursos e reservas. O relatório de reservas é esperado para o fim de março e que poderá trazer boas surpresas, pois o preço mais elevado do ouro permite a viabilidade econômica em áreas com menor teor do metal e com custos mais elevados, ainda assim viáveis sob o ponto de vista econômico e ROIC.
Dentro da estratégia de small caps, a posição em 3tentos carrega um “tailwind” com duas dimensões complementares: execução operacional sólida e um vetor estrutural favorável no segmento de bioenergia com forte expansão associado a preços bastante remuneradores. A companhia está posicionada para capturar valor ao longo de toda a cadeia, de originação e processamento de grãos a produção de biocombustíveis – e vem expandindo consistentemente sua capacidade e diversificação de rotas, incluindo projetos para ampliar biodiesel e iniciar produção de etanol de milho. Esse perfil integrado adiciona opcionalidade real ao modelo de negócio.
Seguimos agnósticos às narrativas: o portfólio é construído a partir do processo e da assimetria entre preço e valor, não de tentativas de antecipar o “tema” do mês. Não, não ignoramos o contexto – pelo contrário: acompanhamos de perto informações novas e possíveis vetores que acelerariam (ou atrasariam) a materialização das teses. Fazemos isso em nossas discussões sobre energia, ouro e bioenergia: monitorá-los é parte central do controle de risco e da identificação de oportunidades ao longo de seus ciclos. Como bem lembra o historiador financeiro Peter L. Bernstein, autor de “Against the Gods: The Remarkable Story of Risk”: investir é, essencialmente, ter disciplina ao lidar com incerteza. Não por qualquer ilusão de dominar a previsibilidade, e sim por ter um processo de mais qualidade, pela gestão do risco e pela humildade diante do que não controlamos.
Se a leitura da presente Resenha parecer familiar, não é por acaso. Em fevereiro, fomos postos diante do mesmo tipo de decisão do mês anterior: não sabemos como a guerra vai evoluir, assim como não era possível antecipar o efeito de longo prazo da indicação de Kevin Warsh para presidir o Fed – o que chegou a pressionar o ouro no primeiro momento (naquele exato instante, se alguém perguntasse quando o ouro voltaria a US$5.200/oz, quantas pessoas responderiam “em menos de três semanas”).
Ainda assim, procuramos trabalhar com probabilidades. Hoje, nos parece razoável que parte desses “upsides” e “tailwinds” possa se materializar. Mas a disciplina permanece a mesma: em commodities, seguimos modelando com premissas abaixo do spot e tratando esses ventos favoráveis como opcionalidades, nunca como o principal alicerce da tese.
O livro de Peter Bernstein, renomado economista e pesquisador, morto aos 90 anos em 2009, foi lançado no Brasil pela Alta Books, como “Desafio Aos Deuses: a Fascinante História do Risco”, em 2018, e hoje é imprescindível a todos os investidores e que gostam de boas histórias.
Renda Variável
Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)

Em fevereiro, o Delphos avançou 1,9%, ante 4,4% do IDIV (ficando cerca de 2,5 pontos percentuais abaixo do referencial no mês). No acumulado de 2026, o fundo soma 6,4%, abaixo dos 15,4% do IDIV. Desde o início (abr/2018), o Delphos acumula 176,1%, ante 198,7% do IDIV.
O desempenho do mês foi puxado sobretudo pelo setor de indústria rodoviária (1,3%), com destaque para Metal Leve (LEVE3), que absorveu parte do fluxo para industriais e small caps. Os setores de Bens de Capital (0,9%) e Álcool e Açúcar (0,4%) também foram bem. Na ponta negativa veio Agricultura e Agroindústria (-1,6%).
No relativo, a leitura de fevereiro é bem mais direta que a de janeiro: apesar da predominância bastante positiva das demais posições, a queda em Agricultura e Agroindústria (setor relevante dentro da carteira) anulou parte dos ganhos. Em outras palavras: o descolamento foi majoritariamente consequência de um detrator específico, não de uma dinâmica ampla de carteira.
Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)

Em fevereiro, o Flagship avançou 2,7%, enquanto o SMLL subiu 1,9% – resultando em alfa positivo de cerca de 0,8 p.p. no mês. No acumulado de 2026, o fundo soma 7,2%, ante 12,2% do SMLL. Desde o início (abr/2018), o Flagship acumula 213,5%, contra 47,6% do referencial.
Por setores, os principais destaques positivos foram Bens Industriais (0,9%), Indústria Rodoviária (0,8%), Construção (0,5%), Consumo Discricionário (0,5%) e Bens de Capital (0,5%). Na ponta negativa, Agricultura e Agronegócio (-0,8%) foi o principal detrator. Entre os nomes, Schulz foi o principal destaque positivo do período.
A dinâmica de fevereiro foi bem objetiva: houve contribuição positiva relevante nas teses industriais e de construção, com o impacto negativo concentrado em um fator específico dentro de Agricultura e Agronegócio. Esse mix permitiu ao Flagship superar o SMLL no mês, com desempenho sustentado por ganhos bem distribuídos entre os setores vencedores.
Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)

Em fevereiro, o Parthenon avançou 7,9%, superando os 4,1% do Ibovespa (alfa de cerca de 3,8 p.p. no mês – que manteve a toada positiva do ano). No acumulado desde janeiro, o fundo soma 22,3%, acima dos 17,2% do referencial. Em 12 meses, no entanto, o Parthenon acumula 48% – ainda abaixo dos 53,7% do Ibovespa. Desde o início (dez/2023), o fundo acumula 49,4%, contra 46,3% do benchmark.
O desempenho do mês foi liderado por Mineração (4,3%), com destaque para Aura Minerals, que segue avançando em pontos relevantes da tese: a permissão para realocação da estrada em Borborema abre espaço para uma expansão material do ativo. Além disso, um patamar de ouro sustentadamente mais alto fortalece a perspectiva de reavaliação de reservas. Na sequência, contribuíram Petróleo e Gás (1,1%), Energia (1%), Indústria Rodoviária (1%), Álcool e Açúcar (1%) e Papel e Celulose (0,5%). Na ponta negativa, Indústria Aeronáutica (-0,7%) foi o principal detrator.
A carteira segue ancorada em empresas de elevada qualidade, combinando exposição a mid e large caps com dispersão setorial e privilegiando negócios com forte capacidade de geração de caixa, governança consistente, alavancas claras de crescimento e disciplina na remuneração do acionista. O objetivo é capturar assimetrias de valor ao longo do tempo, mantendo elevada liquidez ao investidor. O Parthenon é um dos fundos mais recentes da Trígono e opera com prazos de aplicação e resgate em D+5.
Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)

Em fevereiro, o Verbier avançou 3%, abaixo do Ibovespa (4,1%). Desde janeiro, o fundo soma 13,5%, ante 17,2% do índice. Em 12 meses, o Verbier acumula 9,8%, bem abaixo dos 53,7% do Ibovespa. Já desde seu início, o fundo acumula 186,3%, acima dos 141,6% do referencial.
O desempenho do mês foi sustentado principalmente por Indústria Rodoviária (1,5%), Químico e Petroquímico (0,8%), Construção (0,6%), Bens Industriais (0,6%) e Consumo Discricionário (0,5%). Na ponta negativa, o principal detrator foi Agricultura e Agronegócio (-1,1%).
O Verbier segue com a vocação de fundo versátil: liberdade para ajustar a exposição ao longo do espectro de capitalização e explorar oportunidades em nichos onde o mercado costuma ser menos eficiente (sem, claro, renunciar a posições mais líquidas quando a relação risco-retorno é atrativa). A carteira permanece ancorada em companhias com geração de caixa, balanços saudáveis e capacidade de remunerar o acionista ao longo do ciclo. Em ambientes mais desafiadores, a gestão prioriza a qualidade do portfólio e a maturação das teses, com foco em construção de valor no longo prazo.
Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)

Em fevereiro, o Trígono 70 Prev avançou 4,4%, enquanto o CDI rendeu 1% (superando, assim, o referencial em cerca de 3,4 p.p. no mês). No acumulado do ano, o fundo soma 10,6%, bem acima dos 2,2% do CDI. Em 12 meses, o 70 Prev acumula 20,2%, muito acima dos 14,5% do CDI. Desde o início (set/2019), o fundo acumula 105,5%, contra 79,5% do referencial.
O desempenho do mês foi sustentado principalmente por Mineração (1,9%), Indústria Rodoviária (1,4%), Bens de Capital (0,7%), Álcool e Açúcar (0,5%) e Petróleo e Gás (0,5%). Na ponta negativa, o principal detrator foi Agricultura e Agronegócio (-0,7%).
Por ser um produto de previdência com construção 70/30, o 70 Prev mantém uma estrutura que combina exposição a ações e parcela em renda fixa. Essa estrutura foi desenhada para atravessar diferentes cenários com bom balanço entre retorno potencial e preservação de capital. No bloco de renda variável, a carteira segue focada em empresas com boa geração de caixa, balanços robustos e dispersão entre setores, para capturar oportunidades de valor ao longo do tempo em um veículo voltado à formação de patrimônio.
Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)

Em fevereiro, o Icatu 100 avançou 5,2%, superando os 4,1% do Ibovespa (resultando em alfa positivo de cerca de 1,2 p.p. no mês). No acumulado do ano, o fundo soma 14,2%, ante 17,2% do referencial. Em 12 meses, o Icatu 100 acumula 25,2%, longe ainda dos 53,7% do Ibovespa. Desde seu início (jul/2020), o fundo acumula 96,1% (superando os 88% do referencial).
Mineração (2%) foi o esteio do mês, com Indústria Rodoviária (1,1%), Bens de Capital (0,9%), Bens Industriais (0,7%), Petróleo e Gás (0,6%) e Construção (0,5%) vindo a seguir. Na ponta negativa, Agricultura e Agronegócio (-0,8%) foi o pior em desempenho.
Seguimos fiéis ao mandato previdenciário do Icatu 100: alocação integral em ações e carteira deliberadamente mais enxuta (concentrada nas teses de maior convicção por parte da gestora). O portfólio é construído a partir de empresas com boa geração de caixa, solidez financeira e potencial de composição de valor ao longo do tempo e concentradas em small caps. Exploramos distorções de preço quando identificamos assimetrias favoráveis. Para o cotista, a proposta é ser uma alternativa “pura” de Bolsa, baseada em negócios resilientes e capaz de entregar retorno no horizonte de longo prazo.
Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)

Em fevereiro, o Icatu 70 avançou 6% – superando o referencial (Ibovespa) e entregando alfa positivo de cerca de 1,9% no mês. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o fundo soma 13,4% vs 17,2% do índice. Em 12 meses, o Icatu 70 acumula 25,9%, também bastante longe dos 53,7% do Ibovespa. Em 24 meses, o fundo acumula 17,1%, ante 46,3% do referencial. Desde seu início, o Icatu 70 acumula 25,9%, frente a 71,4% do Ibovespa.
O desempenho do mês foi puxado principalmente por Mineração (3%), Indústria Rodoviária (1,3%), Petróleo e Gás (0,7%), Bens de Capital (0,4%), Bens Industriais (0,4%) e Álcool e Açúcar (0,4%). Na contramão, veio Agricultura e Agronegócio (-0,4%).
Como estratégia previdenciária com construção 70/30, o Icatu 70 tem participação relevante na Bolsa – mas uma parcela fica em renda fixa (um contrapeso de risco, digamos). Essa arquitetura permite ao fundo capturar assimetrias em ações sem estar preso a cada movimento de curto prazo do Ibovespa. Ao mesmo tempo, o fundo busca manter uma trajetória de retorno mais controlada no tempo. A seleção do portfólio segue os critérios já conhecidos: empresas com fundamentos sólidos, boa geração de caixa, resiliência operacional. Desse modo, preservamos o objetivo central – construir retorno com disciplina para o investidor de previdência.
Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)

Em fevereiro, o Power & Yield avançou 10,8%, superando o IEE (4,6%) em cerca de 6,3 p.p. no mês. Neste ano, o fundo já soma 23,9% – bem acima dos 7,3% do referencial. Em 12 meses, o Power & Yield acumula 73,5%, também acima dos 57,9% do IEE. Desde seu início, o fundo acumula 88,9% (contra 60,3% do referencial). Acreditamos que é um dos fundos com melhor desempenho no setor de fundos de renda variável, mas ainda desconhecido e ignorado pelos investidores.
Mineração (5,8%) puxou a composição para cima no mês passado, com o apoio também de Energia (2,2%), Químico e Petroquímico (1,2%), Petróleo e Gás (1,1%), Álcool e Açúcar (0,7%) e Agricultura e Agronegócio (0,4%). Nada teve peso negativo relevante em fevereiro.
O Power & Yield é construído a partir de uma leitura setorial clara: energia como tema central, explorado tanto por meio de companhias diretamente expostas ao setor quanto por teses que capturam efeitos de segunda ordem do complexo energético. A carteira prioriza empresas com alta capacidade de geração de caixa e racional econômico bem definido, combinando posições mais resilientes com alocações oportunas em momentos de reprecificação. A atual composição do fundo, já anterior ao conflito no Oriente Médio tende a se beneficiar pelos afeitos adjacentes com destaque para as posições em Aura, Prio, São Martinho, 3tentos e Unipar.
Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)

O Horizon Microcaps emplacou seu 7º mês positivo consecutivo de alta em fevereiro, com valorização de 2,4% (contra 1,9% do SMLL). O Horizon vem construindo uma boa janela de performance em relação ao referencial, com alta de 47,5% nos últimos 12 meses (acima dos 43,8% do SMLL) e de 26,8% desde seu início (set/21) ante 9,1 negativo do índice SMLL. São 35,9 p.p. de alfa (janela bem desafiadora para a classe de microcaps), tornando seu resultado ainda mais importante.
A grande contribuição veio, mais uma vez, do setor de Construção (1,9%), impulsionado por Moura Dubeux – que concluiu oferta primária bem demandada de R$ 500 milhões, para acelerar a Única (parceria com a Direcional para o segmento do Minha Casa Minha Vida). Do lado negativo, ficaram Agronegócio (-0,5%) e Tecnologia (-0,2%).
Trígono Dynamic FIA (CNPJ: 41.063.457/0001-22)

Em fevereiro, o Trígono Dynamic completou seu 1º ano como fundo (desde mar/21 atuava como clube de investimento), entregando excelente performance no seu debut: 79,5% de valorização, contra 53,7% do IBOV (uma expressiva vantagem de 25,8 p.p.). O fundo é long biased – ou seja: pode ficar comprado em até 120% do seu PL e vendido em até 20%. Outra particularidade é abertura para investir no exterior em até 20% do PL. Desde seu início cotando o período de clube de investimentos (mar/21), o Dynamic entrega impressionantes 410,8% de retorno, contra esforçados, mas modestos, 67,4% do IBOV (nada menos que 343,4 p.p. de alfa). Ou seja, quintuplicou o capital dos seus investidores iniciais em quase 5 anos.
Contribuíram para o retorno do mês os setores de Máquinas e Equipamentos (1,1%), Mineração (1%) e Petróleo e Gás (1%). Destaque para a Prio, que após tempestade perfeita em 2025, passa a ter um Brent mais favorável em meio aos conflitos no Oriente Médio (acima de US$ 75/barril) e com a iminente produção de Wahoo após a obtenção das licenças operacionais (podendo adicionar 40 mil barris/dia, com um lifting cost marginal de US$ 1).
Do lado negativo, tivemos as posições vendidas em SMLL e IBOV (-0,4%) e, por setores, Tecnologia (-0,4%) e Farmacêutico (-0,3%).
Crédito Privado
TRÍGONO SIRIUS FLEX 5 FIC FI RF LP
O Trígono Sirius teve retorno de 0,97% em fevereiro (98% do CDI), acumulando ganhos de 103% no ano e de 104% nos últimos 12 meses sobre o CDI.
Após o fluxo negativo sazonal da classe de Renda Fixa em dezembro, fevereiro viu a continuidade do fluxo relevante registrado em janeiro. Foram captados no mês passado R$ 61,6 bilhões – cerca de 10 vezes mais que o captado em fevereiro de 2025.
Lembremos: os dados são da Anbima e são sujeitos a reapresentação.

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital
Fevereiro foi marcado por uma correção generalizada de spreads, com abertura de 20 bps (0,2 ponto percentual) no carrego do IDEX-CDI, que passou de 1,7% para 1,9%. Esse movimento foi impactado por uma maior aversão a risco, especialmente em nomes com particularidades (tais como Raízen, Grupo Cosan e CSN).
A Cosan é uma holding com atuação nacional e internacional nos setores de energia, agronegócio e logística. Entre dezembro de 2025 e o mês passado, as agências de rating S&P, Moody’s e Fitch realizaram ações na classificação da qualidade do crédito da Companhia – desde mudanças de perspectiva até rebaixamentos da nota, em razão de preocupações com alavancagem e impacto da situação financeira da Raízen. A ação do tipo mais recente foi a de 26 de fevereiro, quando a Fitch rebaixou o rating na escala internacional de BB para BB- e, na nacional, de brAAA para brA+ e colocou as classificações em observação negativa.
Em relação à alavancagem da holding, no final de 2025, a Companhia celebrou um acordo de investimento com o BTG Pactual e a Perfin Infra Administração de Recursos no qual foi estruturada uma operação estratégica incluindo ofertas públicas primárias de ações no montante total de R$ 10 bilhões. A injeção de capital fortalece a estrutura de capital da Companhia e alivia a pressão financeira sobre seus indicadores de alavancagem. Além disso, a entrada de novos sócios garante reforço institucional e fortalecimento de governança corporativa.
Já a curva de spread para ativos com rating brAAA apresentou aumento de inclinação, com redução no vértice curto e abertura nos ativos com duration mais longa.

Fonte: Idex-CDI Geral JGP – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital
Continuamos muito criteriosos e seletivos no mercado primário. Em fevereiro, participamos de apenas duas emissões de letras financeiras sêniores dos bancos Inbursa e Toyota – em ativos corporativos, não participamos de qualquer emissão primária. Já no mercado secundário, mantivemos a estratégia de realizar lucro em ativos cujos spreads foram demasiadamente comprimidos e alocar recursos em ativos que julgamos ainda ter possibilidade de fechamento de taxa.
A despeito de termos mantido posição de caixa mais elevada durante boa parte do mês, nos últimos dias alocamos taticamente o caixa do fundo, que passou de 16,6% para 11% do patrimônio líquido. Seguimos atentos a oportunidades de alocação nos mercados primário e secundário.

Fonte: Trígono Capital
Finalizamos o mês com 130 ativos, de 49 emissores diferentes e duration de 3,4 anos. O rating médio da carteira ficou em brAA+, sendo: 63% de ativos brAAA; 13% em brAA+; 10% em brAA; 13% em brAA-; e apenas 1% em brA+. O carrego bruto da carteira está em CDI + 1,02%.
Nossa principal exposição (32%) é ao Setor Financeiro/Bancário – composta basicamente por bancos de primeira linha e bancos ligados a grupos internacionais sólidos. Em seguida vêm exposições relevantes em Saneamento (11%) e Rodovias (7%), setores com demanda resiliente – logo, fluxo de caixa previsível.

Fonte: Trígono Capital
Seguimos bastante confiantes em que os juros, se ficarem em patamares elevados por período prolongado (mesmo depois de iniciado um eventual ciclo de cortes da Selic), manterão positivo o fluxo de recursos para a classe de crédito privado no médio ou longo prazos.
O cenário de juros altos por período prolongado impõe desafios para empresas com estrutura de capital alavancada e para as de resultados cíclicos. O atual cenário de incertezas políticas e geopolíticas e o custo de capital mais elevado reforçam nossa convicção de que um portfólio premium no segmento de ativos high-grade (melhor qualidade de crédito) segue como a melhor estratégia. Desnecessário mencionar a importância de monitorar de perto e frequentemente a evolução da qualidade creditícia dos emissores.
TRIGONO POLARIS DEBENTURES INCENTIVADAS FIC FI RF
O Polaris teve ganho de 0,21% em fevereiro, menos que o 1,22% do IMA-B5 – nos acumulados do ano e dos últimos 12 meses, o fundo supera o benchmark em 4bps e 244bps, respectivamente. O Patrimônio Líquido da estratégia fechou o mês com cerca de R$ 43 milhões sob gestão. Finalizamos fevereiro com 4,8 anos de duration e 1,2% de caixa.

Fonte: Trígono Capital
O fundo chegou ao fim do mês passado terminou com 89,8% de debêntures incentivadas – dentro, portanto, do limite mínimo regulatório de 85% previsto na legislação (artº 3 da Lei nº 12.431/2011). O fundo agora já tem mais de 2 anos de existência – logo, esse limite deve ser mantido.

Fonte: Trígono Capital
Conforme mencionado nos últimos meses, esta participação de debêntures incentivadas no fundo estava sendo realizada de forma criteriosa e aproveitando das oportunidades nos mercados primários e secundários.

Fonte: Trígono Capital
Ao final de fevereiro, o fundo tinha 94 ativos de crédito, carrego de IPCA + 7,5% ao ano (equivalente a NTN-B 2031 -0,03%, rating médio de brAA+ e duration de 4,8 anos. A carteira continua setorialmente diversificada. As principais exposições são apresentadas a seguir:

Fonte: Trígono Capital
Nosso desempenho em fevereiro foi positivamente impactado pelo fechamento de curva de juros – enquanto o impacto negativo veio da abertura de spreads. Ao longo do mês, o mercado de crédito apresentou abertura generalizada de spread de crédito, evidenciado pelo aumento de 13 bps do Idex-Infra Core que passou de -19bps para – 6 bps. Cabe destacar que, no mês, o Trígono Polaris teve abertura de 8 bps – superando, portanto, o índice nesse quesito.

Fonte: Idex-Infra Core JGP – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Trígono Capital
Contudo, tivemos maior aversão a risco nos ativos da CSN Mineração, o que impactou negativamente e comprometeu a performance relativa do fundo no mês.
A CSN Mineração – subsidiaria do Grupo CSN com foco nas atividades de mineração – é uma das maiores empresas do Brasil em extração e comercialização do minério de ferro. Em fevereiro, a Companhia teve seu rating rebaixado pela Fitch, de brAAA para brAA-, em razão do reflexo do rebaixamento da nota de sua controladora. Ao contrário da CSN Mineração, a CSN vem apresentando métricas de alavancagem em patamares persistentemente elevados, indicando alto risco de refinanciamento — o que, no atual cenário de aversão a risco, pode levar a um reajuste em sua classificação de crédito pela agência. A CSN Mineração, é importante não perder de vista, apresenta fortes métricas financeiras – incluindo posição de caixa superior ao montante total da sua dívida (Dívida liquida/Ebitda em -0,59x no 3T25), o que traz conforto com o crédito do emissor.
A Lei das Debêntures Incentivadas (no. 12.431/2011) prevê que esses títulos devem ter remuneração vinculada a índice de preços (usualmente IPCA ou IGP-M), juros pré-fixados ou à Taxa Referencial (TR). Para fundos que, como o Trígono Polaris, não são hedgeados (ou seja, não utilizam instrumentos derivativos para trocar a remuneração da NTN-B por CDI), há uma exposição indireta à variação da taxa das NTN-Bs. Ao longo de fevereiro, estas apresentaram fechamento considerável (o maior deles, de 35 bps, na NTN-B 2026; e o menor, de 10 bps, nas NTN-Bs 2028 e 2060), o que, de certa forma, contribuiu para a rentabilidade nominal do fundo. Houve, no entanto, um impacto desfavorável em relação ao desempenho de benchmark (IMAB-5).

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital
Em vista do nível comprimido de spreads de crédito do mercado (evidenciado acima pelo Idex-Infra Core), e em linha com o fechamento considerável de taxa das NTN-Bs no mês passado, entendemos que o mercado de ativos incentivados possivelmente terá dois movimentos opostos ao longo dos próximos meses: (i) manutenção dos spreads de crédito em patamares levemente negativos ou com alguma abertura de taxa; e (ii) fechamento de taxa das NTN-Bs. Este segundo item pode ocorrer por diversos fatores políticos e macroeconômicos – por exemplo, fluxo de recursos estrangeiros e redução da taxa Selic em vista da menor pressão inflacionária no país.
Sendo assim, entendemos que os resultados do Trígono Polaris devem ser positivamente impactados pelo fechamento de taxa de juros ao longo dos próximos meses. Para ilustrar o impacto potencial de um fechamento de taxa de juros na rentabilidade esperada do Trígono Polaris e a diferença ante nosso benchmark proveniente das diferentes duration, realizamos um exercício.
Assumimos (i) fechamento de taxa paralelo na curva de juros (todos os títulos têm a mesma variação de taxa); (ii) estimativa de resultado utilizando a modified duration; (iii) CDI anual de 14,9%; e (iv) cálculo do retorno em porcentagem do CDI para um mês.
A sensibilidade do retorno potencial à variação da taxa pode ser vista no quadro a seguir:

Fonte: Quantum e Anbima– elaboração: Trígono Capital
Nossa estratégia permanece inalterada: manter a carteira com elevada qualidade de crédito, sem incorrer em riscos de projeto (o fundo só incorre em risco de crédito corporativo). Dado o cenário macroeconômico de juros em patamares altos – ainda muito desafiador para as empresas, julgamos prudente a alocação exclusiva em riscos corporativos.
Seguimos confiantes em oferecer para o investidor pessoa física uma combinação única – e bastante favorável, no presente contexto – para a classe de ativos: i) isenção fiscal; e ii) nível elevado de juros reais das NTN-Bs (acrescidos de spread de crédito). Tais fatores, combinados à elevada qualidade de crédito da carteira do Polaris, nos permitem seguir com uma visão otimista para o fundo.
Equipe de Crédito Privado da Trígono Capital
Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital
Marcelo Antonio Tramontina Peixoto, CGA — Head e Gestor de Crédito Privado
Rômulo Bredt, CFA, CGA, CNPI — Cogestor e Analista de Crédito Privado
Larissa Marrocos Resende Villar – Analista de Crédito Privado
Eric Gordon Findlay – Analista de Crédito Privado




