Janeiro de 2026 marcou uma largada muito forte para a bolsa brasileira. O IBOV fechou o mês com alta de 12,6%, embalado pelo fluxo de capital estrangeiro para os mercados emergentes (Brasil entre eles) vindo “de cima para baixo” – o conhecido movimento “topdown”. Como costuma acontecer nesses episódios, o fluxo se concentrou nos nomes de maior liquidez e com maior representatividade no IBOV – e, principalmente, em índices como MSCI e ETFs, ao IBOV muito assemelhados. O IBOV acabou, assim, “turbinado”.
Nesse fluxo, o mercado premiou com intensidade os “pilares” clássicos de beta Brasil: Petrobras (ON +25,0%; PN +23,0%), Vale (+16,5%) e o bloco financeiro, com destaque para Bradesco PN (+17,1%), Itaú (+16,2%) e Banco do Brasil (+21,8%). Esse pano de fundo ajuda a explicar não só o tamanho do avanço do índice, mas também o desenho do mês: foi um rali com direção clara, mas participação desigual – boa parte do ganho veio de um conjunto relativamente estreito de ações que “capturam” fluxo estrangeiro e doméstico de forma mais imediata.
Ainda assim, não foi apenas um rali de commodities e bancos: em paralelo, alguns nomes de economia doméstica também tiveram desempenho expressivo, como Cyrela (+24,8%), WEG (+21,1%) e B3 (+20,3%), reforçando que o mercado passou a reprecificar, de maneira ampla, representantes relevantes de risco Brasil (ainda que com forte assimetria entre empresas e setores).
No universo de small caps, o mês também foi positivo em termos absolutos – o SMLL avançou 10,1% –, mas a alta veio de forma bem concentrada em alguns blocos específicos – imobiliário, com incorporadoras e shopping centers (Cyrela, Allos e Multiplan); saneamento, com privatizações (Copasa em processo e Sanepar como possibilidade); varejo (Assaí e Lojas Renner); e educação (Cogna, principalmente). Essa concentração acabou deixando “para trás” setores e empresas que até puderam performar bem em termos absolutos, mas, sem o mesmo impulso de fluxo e rotação, tiveram mais dificuldade de acompanhar o índice.
Em momentos assim, a comparação “carteira vs. índice” fica naturalmente mais exigente, porque a régua do SMLL passa a ser ditada por poucos bolsões de alta baseada no fluxo, e não por uma melhora ampla e homogênea do conjunto de fundamentos.
Dentro desse contexto, nossos fundos de perfil large/mid entregaram um começo de ano bastante sólido – e, em alguns casos, com capacidade de competir com o índice sem depender do “trade” mais óbvio das blue chips. O Parthenon, por exemplo, avançou 13,4%, apoiado por contribuições relevantes de Aura Minerals, Cyrela e Prio, além de outras posições que performaram bem ao longo do mês. Já em estratégias com maior inclinação a small caps, o movimento foi positivo em termos absolutos, mas a régua ficou mais difícil: quando o mercado compra setores específicos dentro do universo de small caps, a diferença entre estar bem-posicionado em valor e capturar o melhor pedaço do índice no curtíssimo prazo pode aumentar. Isso não invalida, no entanto, o desempenho operacional das empresas nem o racional de carregar assimetrias de valor por mais tempo.
Como somos agnósticos em relação ao índice, o foco está em buscar as melhores oportunidades independentemente da composição dos índices como SMLL ou IBOV. Por ser um universo amplo e sujeito a rotações temáticas, é natural haver meses em que a alta fica concentrada em poucos setores e, mesmo com as teses desempenhando bem em termos absolutos, a carteira não acompanhe o índice no mesmo ritmo.
Lemos esse fluxo de forma pragmática: ele explica o “como” do mês, mas não muda o “porquê” do nosso processo. A tentação, em ralis assim, é administrar carteira para “encaixar” na narrativa do momento – e é justamente aí que a disciplina faz diferença. Como lembra Nassim Taleb, “tendemos a olhar demais para as mudanças ‘locais’ e pouco para a tendência de longo prazo”: o mercado se apaixona pelo último dado, pela rotação da semana, pelo fator do mês, e corre o risco de perder o que de fato move valor ao longo do tempo – execução, geração de caixa, estrutura de capital e vantagem competitiva/comparativa (que denominamos Quality, “Qualidade”), além do tão propagado Value (“Valor”).
Quality e Value, o leitor que nos acompanha a mais tempo sabe, são, para nós, “irmãos siameses”, ou “goiabada com queijo”. Nosso esforço é estar do lado da tendência que conseguimos observar com mais clareza: a evolução dos fundamentos e a assimetria entre preço e valor (e não gerir o portfólio para capturar movimentos de fluxo que, por definição, são voláteis e reversíveis). Estaremos sempre certos? Não. Ninguém está nem jamais estará (e quem disser que está ou estará tem alguma intenção não declarada). Mas fazer o que fazemos aumenta a consistência de se decidir pelo valor intrínseco e pela margem de segurança (e não por sinais transitórios de fluxo e macroeconomia que guiam a dinâmica do topdown).
Esse ponto fica ainda mais evidente quando olhamos para commodities e, em particular, para o ouro (talvez não mais uma commodity, mas um ativo financeiro), que teve um choque de volatilidade no fim do mês. Movimentos bruscos nos preços do metal (e, sobretudo, nos ativos ligados a ele) tendem a misturar reprecificação de juros e dólar, desalavancagem, correlação com outros ativos como prata e cobre, ajuste de margens e efeito manada em horizontes muito curtos. E é exatamente tudo isso que exige que se faça uma leitura humilde.
Taleb tem uma observação que ajuda a calibrar a mentalidade: “A única coisa na sua vida sobre a qual a sorte não tem controle é o seu comportamento”. Em outras palavras: o que controlamos não é o ruído do dia a dia, nem o preço diário do ouro ou de qualquer ativo. Podemos estudar, entender os fundamentos e mapear cenários, mas o ponto decisivo é sempre o mesmo: controlar o nosso comportamento.
Isso significa manter o compromisso com premissas conservadoras, com margem de segurança e com um processo que não se deixa sequestrar por vieses quando a volatilidade aumenta. As ferramentas para atravessar meses em que o mercado muda de foco rapidamente são: atenção ao contexto, sem submissão a ele; e convicção de que, no longo prazo, quem dita a criação de valor é a combinação de negócio, execução e preço pago. O barulho do noticiário ou da última manchete do jornal é só isso – barulho.
Renda Variável
Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)

Em janeiro, o Delphos avançou 4,4%, enquanto o IDIV subiu 10,6% (alfa negativo em cerca de 6,2 pontos percentuais no mês).
O mês foi puxado sobretudo pelas principais posições do portfólio, com destaque para Itaú, Ferbasa e Kepler Weber (mas também ajudaram Banco da Amazônia e Marcopolo). Na ponta negativa, o principal detrator foi Riosulense, com Tupy logo atrás. O desempenho absoluto do mês reflete um bom comportamento das teses em empresas ligadas ao agronegócio e à indústria, com dispersão natural em alguns nomes específicos (além de bom retorno com Itaú e Banco da Amazônia do setor bancário).
O descolamento frente ao IDIV em janeiro foi muito mais “mecânico” do que narrativo: o índice é bastante carregado em blue chips pagadoras de proventos que recebem fluxo mais forte com aumento de exposição ao Brasil de forma generalizada. Sendo assim, o mês foi dominado pela forte alta de Petrobras (ON +25,0%; PN +23,0%) e pela retomada de bancos grandes, como Itaú (+16%) e Bradesco (+17,1%), além de Vale (+16,5%). Como o Delphos é exposto apenas a Itaú nesses pilares do IDIV e está mais concentrado em teses fora do “núcleo” do índice, apesar do ganho absoluto do fundo, a performance relativa acabou penalizada.
Desde o início (abr/2018), o Delphos acumula 170,9% – frente aos 186,2% do IDIV.
Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)

Em janeiro, o Flagship 60 avançou 4,5%, em um mês ainda bem construtivo em termos absolutos, mas marcado por uma alta mais forte e concentrada no universo de small caps: o SMLL subiu 10,1%, resultando em alfa negativo de cerca de 5,7 p.p. no período.
O desempenho do fundo foi sustentado principalmente por contribuições de Schulz (0,9%), Kepler Weber (0,8%) e Lavvi (0,7%), com Ferbasa por perto (0,5%). Os resultados refletem boa execução operacional e reprecificação gradual de teses que carregamos há mais tempo. Na outra ponta, o mês foi parcialmente afetado por Tronox (-0,1%). Como comentado na introdução, o fundo ficou abaixo do benchmark no mês, mais por uma esticada forte de empresas do índice do que por algum resultado ruim de ações dentro do fundo.
Atribuindo por setores, os destaques foram Agricultura & Agronegócio (1,1%), Bens Industriais (0,9%), Energia (0,7%) e Construção (0,7%), com um reforço de Metalurgia & Siderurgia (0,5%).
Seguimos com uma carteira concentrada em empresas de nicho, com balanços robustos e geração de caixa consistente, buscando assimetrias de valor no longo prazo – mesmo quando o índice se beneficia, no curto prazo, de movimentos mais táticos e rotações setoriais. Desde o início do fundo (abr/18), o retorno acumulado é de 198,2% (ante 44,9% do SMLL).
Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)

Em janeiro, o Parthenon avançou 13,4%, ante 12,6% do Ibovespa. Em 12 meses, o fundo acumula alta de 35,6%, pouco abaixo dos 43,8% do referencial. Já desde seu início (dez/23), o Parthenon acumula 44,3%, seguido de perto pelos 42,9% do Ibovespa.
O desempenho do mês foi liderado principalmente por Mineração e Petróleo & Gás. Aura Minerals foi o principal destaque positivo (4,4%), seguida por Prio (3,4%) e Cyrela (2%). Embraer (1,3%), Marcopolo (1,2%) e Vibra (1,1%) também contribuíram de forma relevante. Na ponta negativa, as contribuições foram pontuais e de menor magnitude: Suzano (-0,2%) e um efeito muito marginal de São Martinho. A carteira segue concentrada em empresas de qualidade, combinando mid e large caps, com diversificação setorial e foco em negócios com geração de caixa consistente, boa governança, vetores claros de crescimento e capacidade de distribuir dividendos, sempre em busca de assimetrias de valor no longo prazo (sem renunciar à liquidez). O Parthenon é um dos fundos mais recentes da Trígono, com portfólio líquido para o cotista e prazos de aplicação e resgate em D+5.
Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)

Em janeiro, o Verbier avançou 10,2%, abaixo do Ibovespa (alfa negativo de cerca de 2,4 p.p. no mês). Em 12 meses, o fundo recua 1,3%, ante alta de 43,8% do referencial. Ainda assim, desde seu início, o Verbier acumula 177,9% de valorização – acima dos 132,1% do Ibovespa no período.
O desempenho do mês foi sustentado principalmente por contribuições de Pettenati (4,3%), Eucatex (3,3%) e Kepler Weber (0,9%). Na ponta negativa, os detratores foram pontuais, com destaque para Tronox e Tupy (com atribuição de performance abaixo de 0,1%).
O Verbier mantém sua vocação de fundo flexível, livre para transitar entre diferentes faixas de capitalização e capturar oportunidades onde o mercado costuma ser menos eficiente (sobretudo em empresas de menor capitalização, mas aberto também a large caps). Nosso foco permanece em companhias com boa geração de caixa, balanços equilibrados e capacidade de remunerar o acionista ao longo do tempo. Em ciclos mais desafiadores, a prioridade é preservar a qualidade do portfólio e esperar a reprecificação das teses, sem renunciar ao objetivo central: criar valor no longo prazo.
Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)

O Trígono 70 Prev teve um janeiro bastante positivo, com avanço de 6% – bem acima do 1,2% do CDI. Em 12 meses, o fundo acumula alta de 9,3%, abaixo dos 14,5% do referencial. Desde o início (set/2019), o fundo acumula 96,8% de valorização, acima dos 77,8% do CDI no período.
O desempenho mensal foi puxado principalmente por Aura (1,9%), Ferbasa (1,3%) e Prio (1,1%). Na outra ponta, São Martinho (-0,1%) foi o principal detrator – mas, por ser uma posição menos relevante, teve impacto marginal na atribuição de performance.
Por ser uma estratégia previdenciária e seguir a lógica 70/30, o fundo combina exposição relevante a renda variável com uma parcela em renda fixa, buscando equilíbrio entre retorno e controle de risco ao longo do ciclo. A seleção segue focada em empresas de valor, com boa geração de caixa, estrutura de capital sólida e diversificação setorial. Dentro do portfólio de previdência, é uma alternativa para capturar assimetrias de longo prazo em companhias que muitas vezes ficam fora do radar dos produtos tradicionais do segmento.
Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)

Em janeiro, o Icatu 100 avançou 8,5% (abaixo do Ibovespa). Em 12 meses, o fundo acumula alta de 11,6%, ante 43,8% do referencial. Desde seu início (jul/2020), o Icatu 100 soma 86,4%, ligeiramente acima dos 80,6% do Ibovespa no período.
O mês foi positivo nas principais posições ligadas à economia real, com destaque para Eucatex (2,5%), Aura (1,9%) e Prio (1,4%). Na ponta negativa, o destaque foi Riosulense (-0,3%). As demais contribuições negativas foram pontuais e de baixa magnitude na atribuição de performance.
Mantemos a disciplina do mandato previdenciário com 100% em renda variável, construindo uma carteira concentrada em poucas empresas nas quais temos maior convicção. A seleção prioriza companhias com boa geração de caixa, balanços equilibrados e potencial de criação de valor no tempo, buscando assimetrias claras entre preço e valor. Para o cotista, a proposta é oferecer exposição “enxuta” e consistente à Bolsa, com foco em negócios capazes de atravessar diferentes ciclos e capturar retorno ao longo dos anos, com baixa sobreposição aos produtos mais tradicionais do segmento.
Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)

Em janeiro, o Icatu 70 avançou 7%, (alfa negativo de cerca de 5,6 p.p. em relação ao referencial). Em 12 meses, o fundo acumula alta de 15,7%, ante 43,8% do Ibovespa. Desde o início (mai/23), o fundo soma 18,8%, ante 64,7% do Ibovespa no período.
O desempenho do mês foi liderado principalmente por Aura (2,5%) e Prio (2,1%). Na ponta negativa, as contribuições foram pontuais e de baixa magnitude na atribuição de performance.
O Icatu 70 segue a proposta de uma estratégia previdenciária 70/30, combinando renda variável com uma parcela em renda fixa para modular a volatilidade do produto ao longo do ciclo. A seleção busca assimetrias em empresas com fundamentos sólidos e boa geração de caixa, com exposição relevante a teses fora do “núcleo” do índice. Em meses de rali mais forte de Bolsa, essa estrutura tende a reduzir o acompanhamento do Ibovespa, mas preserva o objetivo central de construir retorno com disciplina e menor oscilação ao longo do tempo.
Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)

Em janeiro, o Power & Yield avançou 11,7%, acima dos 2,6% do IEE (alfa positivo de cerca de 9,1 p.p. no mês). Em 12 meses, o fundo acumula 56,2%, pouco acima de 54,9% do referencial. Desde o início, o Power acumula ganho de 70,5%, acima dos 53,3% do IEE – um importante alfa de 17,2%, a um mês de completar seu 5º aniversário.
O desempenho no mês foi puxado principalmente por Aura (5%) e Prio (3,2%). Na ponta negativa, o destaque foi São Martinho (-0,1%), com impacto pontual, enquanto o restante do portfólio teve contribuição positiva.
Mantendo sua proposta setorial, o fundo busca capturar assimetrias dentro e ao redor do tema de energia — tanto via companhias do setor (geração, transmissão e distribuição) quanto via negócios que se beneficiam de dinâmicas energéticas específicas. A carteira segue concentrada em teses com boa geração de caixa e vetores claros de valor, combinando nomes mais defensivos com posições que trazem opcionalidades (o que tende a gerar boa assimetria em movimentos de preço como os observados no mês).
Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)

O Horizon Microcaps teve em janeiro seu 6º mês consecutivo de alta, com valorização de 11,7% (contra 10,2% do SMLL). O Horizon vem construindo uma boa janela de performance em relação ao referencial, com alta de 36,8% nos últimos 12 meses (35,7% do SMLL) e 23,8% desde seu início (set/21). São 34,6 p.p. de alfa, dado que o benchmark recuou 10,8% no período, em uma janela bem desafiadora para a classe de Microcaps.
As maiores contribuições no mês vieram de Construção (5,1%), puxado por Eucatex (3,1%) e Moura Dubeux (1,9%); e Indústria Têxtil (3,8%), impulsionada por Pettenati (que foi objeto de uma proposta de fechamento de capital pela família controladora).
Do lado detrator, tivemos o setor farmacêutico (-0,9%), representado por Blau (afetada por uma expectativa de resultados mais fracos para o 4° tri e pela aceleração dos investimentos referentes ao desenvolvimento de anticorpos monoclonais).
Trígono Dynamic FIA (CNPJ: 41.063.457/0001-22)
Nosso fundo “caçula”, o Trígono Dynamic tem como característica ser long biased: pode, assim, ficar comprado em até 120% do seu PL e vendido em até 20%. Outra particularidade é a possibilidade de investir no exterior em até 20% do PL. Desde seu início (mar/21), o Dynamic entrega 399% de retorno, contra 61% do IBOV (nada menos que ou 338 p.p de alfa). Prestes a completar um ano como fundo, nos últimos 12 meses o retorno é de 70,7%, contra 43,8% do IBOV no mesmo período. Nada mal como cartão de visitas.
Com alta de 11,8% em janeiro (ligeiramente atrás do IBOV), as contribuições mais importantes vieram de Educação (3,1%), Petróleo e Gás (2,8%) e Tecnologia (2,6%). Este último, diga-se, foi favorecido por uma posição exposta ao ciclo de investimentos em Inteligência Artificial – com P/L abaixo da média da bolsa americana. Já os destaques negativos foram as posições vendidas em ETFs (BOVA11 e SML11), com impacto de -1,7%; e o setor farmacêutico, puxado por Blau (-0,6%).

Crédito Privado
TRÍGONO SIRIUS FLEX 5 FIC FI RF LP
O Trígono Sirius teve retorno de 1,24% em janeiro (107% do CDI), acumulando ganhos de 104% do CDI nos últimos 12 meses e desde o seu lançamento.
Após o fluxo negativo sazonal da classe de Renda Fixa no mês de dezembro, em janeiro já se registra fluxo relevante, retomando a tendência positiva vista nos demais meses. Foram captados no mês passado R$ 75,6 bilhões – evolução de 67,1% frente a janeiro de 2025.
Lembremos: os dados da Anbima são sujeitos a reapresentação.

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital
A relevante entrada de recursos do mês passado levou a um fechamento expressivo de spreads de crédito, o que se vê no fechamento de 30 bps (0,3 ponto percentual) no carrego do IDEX-CDI, que passou de 2,0% para 1,7%. Esse movimento também fica evidente no fechamento da curva de spread para ativos com rating brAAA, que finalizou o mês em patamares inferiores aos meses anteriores e ao de janeiro de 2025.

Fonte: Idex-CDI Geral JGP – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital
Continuamos muito criteriosos e seletivos no mercado primário. Em janeiro participamos de apenas uma emissão de letra financeira subordinada do Banco BTG Pactual – em ativos corporativos, não participamos de qualquer emissão primária no mês. Já no mercado secundário, mantivemos a estratégia de realizar lucro em ativos cujos spreads foram demasiadamente comprimidos (principalmente em alguns ativos bancários).
Aproveitamos o fluxo de recursos positivos e a compressão de spreads de créditos em alguns ativos para elevar taticamente o caixa do fundo de 7,9% ao final de dezembro para 16,6% ao final de janeiro. Esse caixa será alocado oportunamente, nos mercados primário e secundário.

Fonte: Trígono Capital
Finalizamos o mês com 123 ativos, de 46 emissores diferentes e duration de 3,3 anos. O rating médio da carteira ficou em brAA+, sendo: 66% de ativos brAAA; 15% em brAA+; 9% em brAA; 7% em brAA-; e apenas 3% em brA+. O carrego da carteira está em CDI + 0,94%.
Nossa principal exposição (29%) é ao setor financeiro/bancário – composta basicamente por bancos de primeira linha e bancos ligados a grupos internacionais sólidos. Em seguida vêm exposições relevantes em Saneamento (11%) e Rodovias (7%), setores com demanda resiliente – logo, fluxo de caixa previsível.

Fonte: Trígono Capital
Seguimos bastante confiantes em que os juros, se seguirem em patamares elevados por período prolongado (mesmo depois de iniciado um eventual ciclo de cortes da Selic), manterão positivo o fluxo de recursos para a classe de crédito privado no médio ou longo prazos.
O cenário de juros altos por período prolongado impõe desafios para empresas com estrutura de capital alavancada e para as de resultados cíclicos. O atual cenário de incertezas políticas e geopolíticas e o custo de capital mais elevado reforçam nossa convicção de que um portfólio premium no segmento de ativos high-grade (melhor qualidade de crédito) segue como a melhor estratégia. Desnecessário mencionar a importância de monitorar de perto e frequentemente a evolução da qualidade creditícia dos emissores.
TRIGONO POLARIS DEBENTURES INCENTIVADAS FIC FI RF
O Polaris teve retorno de 2,26% em janeiro, superando o IMA-B5 por 106 bps. O Patrimônio Líquido da estratégia fechou o mês com R$ 43 milhões sob gestão. Finalizamos o mês com 4,8 anos de duration e 3% de caixa.

Fonte: Trígono Capital
Conforme previsto na legislação (artº 3 da Lei nº 12.431 de 2011) os fundos de debêntures incentivadas têm seis meses para atingirem 67% do fundo composto por esses títulos e dois anos para alcançar a alocação mínima de 85% nesses ativos, sendo os prazos contados desde a primeira integralização de cotas. Uma vez que o fundo iniciou em 29 de fevereiro de 2024, estamos nos aproximando do término da última janela para enquadramento regulatório.
Sendo assim, ao longo dos últimos meses temos elevado a participação de debêntures incentivadas no fundo por meio da venda de ativos não incentivados e aquisição de ativos incentivados nos mercados primário e secundário.

Fonte: Trígono Capital
Ao final de janeiro, o fundo tinha 89 ativos de crédito, carrego de IPCA + 7,5% ao ano (equivalente a NTN-B 2032 -0,11%), rating médio de brAA+ e duration de 4,8 anos. A carteira continua setorialmente diversificada. As principais exposições estão apresentadas a seguir:

Fonte: Trígono Capital

Fonte: Trígono Capital
Nosso desempenho em janeiro – o melhor desde o lançamento do fundo – foi positivamente influenciado pela compressão nos spreads de crédito dos ativos em carteira. O fundo finalizou o mês com carrego equivalente a -11 bps de spread over NTN-B 2032 (título público federal lastreado à inflação com duration mais próxima à do fundo).

Fonte: Trígono Capital
A Lei das Debêntures Incentivadas (no. 12.431/2011) prevê que as debêntures incentivadas devem ter remuneração vinculada a índice de preços (usualmente IPCA ou IGP-M), juros pré-fixados ou à Taxa Referencial (TR). Para fundos que, como o Trígono Polaris, não são hedgeados (ou seja, não utilizam instrumentos derivativos para trocar a remuneração da NTN-B por CDI), há uma exposição indireta à variação da taxa das NTN-Bs. Ao longo do último mês, estas apresentaram alguma variação de taxa, sendo o maior fechamento de 14 bps na NTN-B 2028, também contribuindo para o desempenho mensal.

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital
Ao longo de janeiro, o mercado voltou a apresentar fechamento no nível dos spreads de crédito – o que se verifica no Idex-Infra Core, que passou de zero para -0,19% de spread over NTN-B. Como a MP 1.303/2025 não foi aprovada e acabou por caducar – resultando na manutenção da isenção fiscal para todos os títulos isentos –, entendemos que a classe de ativos seguirá demandada (em ambiente de Selic alta, isenção fiscal segue bem atrativa).

Fonte: Idex-Infra Core JGP – elaboração: Trígono Capital
Em vista do nível comprimido de spreads de crédito do mercado, evidenciado acima pelo Idex-Infra Core, e a despeito da baixa variação de taxa das NTN-Bs no mês passado, entendemos que o mercado de ativos incentivados possivelmente terá dois movimentos opostos ao longo dos próximos meses: (i) manutenção dos spreads de crédito em patamares levemente negativos ou com alguma abertura de taxa; e (ii) fechamento de taxa das NTN-Bs. Este segundo item pode ocorrer por diversos fatores políticos e macroeconômicos – por exemplo, fluxo de recursos estrangeiros e redução da taxa Selic tendo em vista a menor pressão inflacionária no país.
Sendo assim, entendemos que os resultados do Trígono Polaris devem ser positivamente impactados pelo fechamento de taxa de juros ao longo dos próximos meses. Para ilustrar o impacto potencial de um fechamento de taxa de juros na rentabilidade esperada do Trígono Polaris e a diferença ante nosso benchmark proveniente das diferentes durations, realizamos um exercício.
Assumimos (i) fechamento de taxa paralelo na curva de juros (todos os títulos têm a mesma variação de taxa); (ii) estimativa de resultado utilizando a modified duration; (iii) CDI anual de 14,9%; e (iv) cálculo do retorno em porcentagem do CDI para um mês.
A sensibilidade do retorno potencial à variação da taxa pode ser vista no quadro a seguir:

Nossa estratégia permanece inalterada: manter a carteira com elevada qualidade de crédito, sem incorrer em riscos de projeto (o fundo só incorre em risco de crédito corporativo). Dado o cenário macroeconômico de juros em patamares altos – ainda muito desafiador para as empresas –, julgamos prudente a alocação exclusiva em riscos corporativos.
Seguimos confiantes em oferecer para o investidor pessoa física uma combinação única – e bastante favorável no presente contexto – para a classe de ativos: i) isenção fiscal; e ii) nível elevado de juros reais das NTN-Bs (acrescidos de spread de crédito). Tais fatores, combinados à elevada qualidade de crédito da carteira do Polaris, nos permitem seguir com uma visão otimista para o fundo.
Equipe de Crédito Privado da Trígono Capital
Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital
Marcelo Antonio Tramontina Peixoto, CGA — Head e Gestor de Crédito Privado
Rômulo Bredt, CFA, CGA, CNPI — Cogestor e Analista de Crédito Privado
Larissa Marrocos Resende Villar – Analista de Crédito Privado
Eric Gordon Findlay – Analista de Crédito Privado




