Desempenho dos Fundos – Julho de 2025

11 ago 2025

Renda VariávelCrédito Privado

Assim como o primeiro, o segundo semestre de 2025 começa com várias incertezas. Se no fim de 2024 o pânico foi cortesia do cenário fiscal, negligenciado pelo governo e do qual, a nosso ver, não houve reversão (reiteramos, aliás, nossa preocupação, mesmo um ceticismo, quanto a uma eventual queda dos juros no curto/médio prazo), a causa de preocupação-pânico em potencial agora são as relações internacionais, em particular com os EUA. O desgaste que vinha ocorrendo culminou nas tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, entre as mais altas decretadas por Donald Trump neste início de seu segundo mandato.

No fim de julho, no entanto, houve um estreito espaço para alívio: a lista da section 232 mostrou que produtos específicos, como madeira, celulose e aviões, ficaram fora do tarifaço (dado seu caráter essencial à economia americana).

Antes de apontar os eventuais impactos nas investidas, digamos que julho foi bem desafiador para a renda variável. As questões de política internacional são parte expressiva do motivo do investidor estrangeiro ter preferido ficar um tanto de longe da bolsa brasileira. De fato, o mês passado teve saída de R$ 6,4 bilhões em capital estrangeiro (o tombo mais dolorido do ano até aqui). O fluxo estrangeiro, mesmo assim, ainda é positivo: R$ 21 bilhões no ano.

Para compensar a saída do estrangeiro, as instituições financeiras entraram no mês passado com R$ 5,3 bilhões; o Investidor Individual (pessoa física), com R$ 1,1 bilhão; os “Outros” (majoritariamente recompras), com R$ 500 milhões. Os “Institucionais” tiraram R$ 500 milhões.

A propósito: o 1° semestre teria tido todo um semestre de fluxo estrangeiro positivo se não fosse por abril, quando saíram R$ 100 milhões (o conhecido “zero a zero”).

Nossos fundos tiveram mais um mês de desafios. O Flagship 60 caiu 7,6%; o Delphos perdeu 6,4%; o Parthenon recuou 3,1%; e o Horizon caiu 5,2%. Os principais índices também não tiveram vida fácil: SMLL (-6,4%); IBOV (-4,2%); IEE (-4,6%); IDIV (-3,0%).

Quanto às empresas diretamente expostas à economia americana, faremos um breve comentário sobre o máximo de exposição de cada uma (e sobre quais ficaram de fora após a lista final).

  • Embraer: Com muitas reviravoltas ao longo de julho, os produtos da Embraer acabaram fora da lista de tarifas. Inicialmente, o impacto estimado poderia superar R$ 20 bilhões até 2030, por conta da alta exposição ao mercado dos EUA, para o qual são vendidos 45% dos jatos comerciais e 70% dos jatos executivos. No fim, falou mais alto o bom senso: a companhia emprega, afinal de contas, mais de 2,5 mil funcionários diretos nos EUA e é responsável por outros 10 mil empregos indiretos de fornecedores. Nos próximos 5 anos, a Embraer pode comprar até US$ 21 bilhões em produtos americanos e gerar US$ 1 bilhão de CAPEX no país, com a intenção de produzir o KC-390 em solo americano. Resumo da ópera: com aviões de fora da lista, as tarifas não serão turbulência (sem perdão pelo trocadilho) no voo da Embraer, permanecendo os 10%, mas que a companhia ainda acredita que será zerada.
  • Eucatex: Uma das poucas empresas que comunicaram ao mercado através da B3, os possíveis impactos das tarifas. A companhia tinha sido muito beneficiada no 1° trimestre por conta do seu reposicionamento nas exportações (avanço de 58% sobre um ano antes), que totalizaram R$ 215 milhões (29% das receitas do 1T25), com um expressivo ganho de margens. Desde a tarifa de 10%, a companhia já estava fora da tarifação automática por conta do Anexo II da Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962. Eventualmente, caso as tarifas forem aplicadas sobre os produtos de madeira, seria uniforme para todos os países. Portanto, a Eucatex segue sem tarifas em seus produtos exportados aos EUA. Enquanto isso, a madeira canadense foi tributada em 35%, favorecendo ainda mais a Eucatex, pois parte desta madeira poderá ser utilizada em produtos norte-americanos concorrentes da Eucatex, encarecendo custos e que poderão ser repassados aos preços.
  • Tupy: A companhia é exposta às tarifas, mas de forma um tanto limitada ao nosso ver: acreditamos que os clientes pagarão parte da conta, pois o que exporta são Blocos e Cabeçotes sem substituto similar no mercado americano (e que muitas vezes não passam de 1% do custo final do veículo). Em 2024, cerca de 41% das receitas vieram da América do Norte, e destes, 23,1% vieram do mercado americano (dentro dessa fatia, aproximadamente metade é exportado das plantas do México para os EUA, sob o guarda-chuva do USMCA, que isenta de tarifas).

No geral, estimamos impacto entre 11% a 13% das receitas, mas pode haver mitigantes – que, claro, são exatamente isso: mitigantes. Não vão anular o impacto – só vão torná-lo mais brando. Entre esses mitigantes estão, por exemplo, o repasse das tarifas aos clientes (maior parte dos contratos já inclui repasse automático de tarifas; fica-se a ver se os clientes podem querer renegociar dada a proporção). Também pode haver a migração para o México de parte do que o Brasil exporta para os EUA (mesmo que os custos das plantas mexicanas sejam maiores). No meio dessa bagunça tarifária toda, o cliente de caminhões acaba vendo senão as incertezas e, nada bobo, segura investimentos, o que paralisa a compra de caminhões (os volumes seguem bem baixos, mas isso sem queda de market share). Ou seja: o impacto é limitado entre 11% a 13% das receitas, com medidas que podem abrandar os efeitos. As autopeças para veículos leves ficaram isentas (dentro Anexo II da Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962), fato que poderá ser também estendido aos similares de veículos pesados.

  • Jalles: Um dos grandes diferenciais da companhia em termos de margens (por conta de preços mais elevados em relação ao VHP e cristal), o açúcar orgânico pode trazer para a companhia um impacto, ainda que limitado. Na safra 24/25, finalizada em março último, foram exportados para os EUA R$ 156 milhões (ou 6,5% das receitas).

A grande dúvida que temos é: onde os americanos irão buscar substituto para o volume exportado pelo Brasil? Estima-se que o mercado de exportação de açúcar orgânico no mundo seja de aproximadamente 450 mil toneladas; os EUA respondem por algo próximo de 325 mil toneladas. O Brasil representa 140 mil toneladas (através de três exportadores; a Jalles responde por 50 mil toneladas). Como sabemos, para trazer oferta adicional a esse mercado, são necessários entre 3 e 4 anos (com tudo dando certo) de preparo da terra antes de começar a produzir. Não é por acaso que a oferta é bem limitada pois a cana-de-açúcar necessita ser cultivada de forma orgânica, sem fertilizantes e defensivos químicos.

Quanto ao destino desse orgânico exportado: 20% vão direto para as gôndolas de supermercados; os outros 80% são usados como ingredientes de produtos orgânicos (exemplos: ketchups, iogurtes, sorvetes, saladas caeser e outros), respondendo por entre 1% e 3% do custo final desses produtos. Portanto: impacto de menos de 10% das receitas, apesar de os EUA não terem muita alternativa de fornecedores. O que pesa é a margem melhor do açúcar orgânico em relação aos dos tipos VHP e Cristal. Potencialmente o consumidor ou indústrias pagarão parte desta conta.

  • Metal Leve: Exposição de 7% a 8% das receitas, mas com metade disso sem incidência de impostos (por estar dentro da exceção). A outra metade (4%) é referente a um cliente que ficou com toda a tarifação dos 10% (precisará conversar novamente). No aftermarket, não exportam para os EUA. Sendo assim: o impacto direto é de apenas 2% da receita, com outros 2% podendo ser impactados em parte. Em relação ao total, no entanto, é bem limitado. Por outro lado a Argentina é um dos países mais beneficiados, pelo excelente relacionamento entre os respectivos presidentes, fato que poderá favorecer a exportação de válvulas para este país, ganhando market-share de outros países e empresas.
  • Schulz: impacto bem limitado, dado que a maior parte das exportações vai para o mercado europeu. Como a Tupy, talvez o impacto maior esteja no curto prazo: as incertezas se traduzem em clientes segurando compras. Assim: exposição limitada de 6% da receita, mas comentário sobre Tupy também válido para a Schulz.
  • Ferbasa: A companhia não teve receitas vindas dos EUA em 2025. O que pode acontecer (mas não se vê isso ainda) é ver surgir uma oportunidade no mercado de ferro-silício, no qual os EUA ostentam um déficit de 100 mil toneladas, após a política de anti-dumping atingir alguns países produtores de forma mais contundente. Mesmo sem exposição ao mercado americano, as ferroligas da Ferbasa não estão entre os produtos tarifados. Logo: impacto zero, mas potencialmente positivo caso este mercado demande o FeSi75% da Ferbasa e até com preços mais favoráveis em relação ao mercado asiático. A conferir.

Renda Variável

Abaixo, os comentários dos desempenhos de julho:

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)

Em julho, o Delphos desvalorizou 6,4%, contra queda de 3% do IDIV. No ano, a diferença entre o benchmark aumentou um pouco mais, com queda de 12,2%, contra alta de 10,3% do referencial. Bens de Capital (-2,5%) e Agronegócio (-2,2%) puxaram para baixo.

Bens de Capital, aliás, tem sido o “grande vilão” de desempenho no ano, com atribuição de performance em -4,8% de janeiro a julho, puxado por Tupy (pesando -6% no acumulado de 2025). A companhia encontrou uma “tempestade perfeita”: volume menor no mercado americano; ruídos das tarifas americanas; troca de CEO neste ambiente conturbado; e juros elevados no Brasil ameaçando arrefecer produção local de caminhões pesados. Não é para amadores.

O Trígono Delphos tem como estratégia selecionar boas pagadoras de dividendos ou empresas com histórico de forte geração de caixa, boas perspectivas de distribuição futura e estrutura de capital sólida para enfrentar os altos e baixos da economia. Abaixo, o desempenho do Delphos:

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)

Em um ano difícil até aqui, o Flagship 60 teve mais um mês negativo: queda de 7,6%, contra recuo menor (-6,4%) do SMLL. Agricultura e Agronegócio (-2,8%), Bens de Capital (-2%) e Bens Industriais (-1,3%) respondem por boa parte dessa queda. Quanto às empresas, Tupy, Kepler, Schulz e 3Tentos foram os principais nomes que sofreram (as duas primeiras deram perda de 2% cada para o resultado do mês).

Em 2025, a queda acumulada é de 14,6%; já o SMLL subiu 18,4% no período. Desde seu início (abril/2018), o retorno do Flagship 30 é de 155,9%, contra módicos 19,2% (alfa de 136,7 pontos); e o do Flagship 60 é de 149,8% (alfa de 130,6 pontos).

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)

Em julho, o Parthenon se desvalorizou 3,1%, ante queda de 4,2% do IBOV (ou seja, teve leve vantagem de 1,1 p.p.). Trata-se do 3º mês consecutivo que o Parthenon reduz o atraso para o Ibovespa em 2025. A diferença agora é de 4,9 pontos percentuais, com 5,7% de alta do Parthenon contra 10,6% do IBOV. Desde seu início (dez/23), o fundo sobe 9,4%, contra 4,9% do referencial (vantagem de 4,5 pontos de percentagem).

No mês, a principal contribuição veio da Indústria Aeronáutica (0,6%), puxada pela Embraer. Julho foi um mês bem agitado para a Embraer. No início do anúncio do tarifaço de Trump, seria, na visão de muita gente, a empresa mais penalizada na bolsa brasileira. As ações responderam com um solavanco, saíram de R$ 83 para R$ 66 (21% de queda); depois de ficarem fora do tarifaço, recuperaram praticamente tudo. Do lado negativo, Comércio Atacadista (-1%), Energia (-0,9%), Mineração (-0,6%) e Construção (-0,6%) justificaram a queda mensal.

O Parthenon é um dos fundos mais recentes da Trígono. Destaca-se pela elevada liquidez com média diária de mais de R$ 200 milhões por empresa, aliada a uma grande capacidade de investimento e resgate em D+5 (prazo bastante curto), oferecendo liquidez aos investidores. O fundo investe exclusivamente em empresas com valor de mercado superior a R$ 10 bilhões e liquidez diária acima de R$ 10 milhões. A liquidez média atual, no entanto, é muito superior (20 vezes maior que o mínimo para empresa elegível).

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)

O Verbier, fundo da Trígono que fica de olho nas melhores oportunidades, independentemente do valor de mercado das empresas, encerrou julho com forte revés: a queda foi de 7,4%. O IBOV também levou um baque no mês passado, mas menor (-4,2%). O mercado reagiu aos impactos das possíveis tarifas de 50% em algumas empresas, mas, mais do que isto, aos efeitos secundários que tais medidas podem acarretar a economia brasileira: desgaste nas relações com a maior economia do mundo e questões fiscais não resolvidas. São nuvens bem pesadas as que ainda pairam sobre os noticiários.

As principais contribuições negativas vieram de Bens de Capital (-2%), Agricultura e Agronegócio (-1,7%), Bens Industriais (-1,4%) e Construção (-1%). Apesar das janelas de desempenho mais recentes não jogarem a nosso favor, desde seu início (abril/18) o Verbier entregou retorno de 139%, contra 70,3% do IBOV (alfa de 68,8%).

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)

Outro fundo “all caps” da Trígono, o 70 Prev mantém 70 % alocados em renda variável e 30%, em renda fixa. A aposta segue na concentração em ações de companhias com longo histórico de geração de valor, fundamentos sólidos e espaço para crescimento, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

A dura missão de ter o CDI como benchmark voltou a pesar em julho: o 70 Prev recuou 5,3%, pressionado sobretudo por Agricultura/Agropecuária (-1,8%.) e Bens de capital (-1,6%). No ano, enquanto o CDI avança 7,8 %, o 70 Prev acumula perda de 6,5%. Desde seu início (set/19), porém, o fundo segue com ganho de 67,5%, levemente à frente dos 65,7% do referencial.

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)

Em julho, o fundo recuou 7,1%, ante queda menor (-4,2%) do IBOV. O desempenho foi pressionado por Bens de Capital (-1,7%), Agricultura/Agro (-1,7%) e Bens Industriais (-1%), refletindo o ambiente adverso para nomes de menor liquidez. Mineração (-0,5%) e Álcool & Açúcar (-0,4%) também contribuíram negativamente, enquanto Consumo Discricionário teve impacto marginal. A severidade do movimento concentrou-se em micro caps (-5,7%), evidenciando a penalização ao segmento em um cenário de aversão a risco. No ano, o Icatu 100 acumula -6,5%, contra alta 10,6 % do referencial; ainda assim, desde seu lançamento (jul/20), nosso fundo entrega retorno de 48% (superando os 29,3% do IBOV).

O Icatu 100, como o nome já sugere, segue plenamente investido em renda variável, com ênfase em companhias de menor capitalização — cerca de dois terços do portfólio em micro caps e o restante em small caps. Essa abordagem, ainda pouco comum no universo previdenciário, oferece real diversificação ao investidor, com baixa sobreposição em relação aos fundos tradicionais. Operando sob normativa SUSEP, o produto reforça seu mandato de longo prazo e disciplina na seleção de empresas com potencial de valorização estrutural.

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)

O Icatu 70 preserva a estrutura clássica 70/30: 70% em renda variável (voltados a empresas de menor capitalização) e 30 % em renda fixa. Oferece, assim, exposição à filosofia da Trígono, mas com volatilidade atenuada. Dos recursos em ações, cerca de metade está em small caps; 44 %, em micro caps; e uma participação residual em large caps (mantendo a convicção de que o maior potencial de assimetria de valor continua nas faixas inferiores de capitalização).

Em julho, o fundo recuou 3,7% – o que foi, no entanto, melhor que o observado no Ibovespa (-4,2%). A contribuição negativa concentrou-se em Bens de Capital (-1,1%), Mineração (-0,7%) e Agricultura & Agro (-0,7%), todos segmentos mais sensíveis ao ambiente de aversão a risco e custos de capital elevados. No acumulado de 2025, o fundo recua 0,6 %, até os elegantes 10,6 % de ganho do IBOV. Vê-se aí a penalização recorrente às micro e small caps (-2,9% no mês). Desde seu lançamento (mai/23), o Icatu 70 segue próximo da estabilidade (-0,4 %), ante alta de 20,9 % do referencial. Acreditamos que a persistência na seleção de nomes de qualidade e o carregamento de posições em setores pouco precificados pelo mercado oferecem oportunidades aos investidores mais seletivos.

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)

Com estratégia voltada a negócios que se beneficiam direta ou indiretamente da transição energética — empresas eletrointensivas, fornecedores da cadeia de energia e afins —, o Power recuou 5% em julho, pouco mais que o IEE (que caiu 4,6%). A maior contribuição negativa veio de Agricultura & Agronegócio (-1,8%), seguida por Mineração (-1,3%) — setor em que a Aura é um dos principais expoentes — e devolveu parte pequena dos ganhos acumulados no ano. Continuamos confiantes nos projetos e geração de valor da empresa para o futuro, no entanto – e continuamos confiantes que a empresa, mesmo tendo aumentado em 78% o market cap desde o início do ano, continua descontada. Energia (-0,7%) e Álcool/Açúcar (-0,6%) também pressionaram. A queda concentrou-se em small caps (-3,2%), refletindo a aversão a risco do mercado no mês.

No acumulado de 2025, o fundo ainda avança 10,7%, mas segue atrás do referencial (24,8%) dada a forte valorização de elétricas de grande porte presentes no índice. Desde seu início (fev/21), a carteira mantém vantagem de 19,4%, ligeiramente acima do IEE (17,3%), comprovando a robustez da tese, apesar da volatilidade pontual. Continuamos focados em nomes com geração de caixa previsível e múltiplos atrativos dentro da temática de energia, confiantes de que o prêmio de valor tende a se materializar conforme as assimetrias de precificação se normalizem.

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)

Em um julho de forte aversão a risco para micro caps, o Horizon recuou 5,2%. Ainda assim, com queda inferior ao SMLL, que caiu 6,4% (alfa de 1,2 p.p.). Construção (-1,5%) foi o segmento que mais pesou, refletindo realização intensa nas incorporadoras regionais. Agricultura & Agronegócio (-1,3%) e Álcool/Açúcar (-1,0%) também pressionaram. Já Energia (0,1%) foi o leve contraponto positivo.

No acumulado de 2025, o fundo avança 10,5%, ainda 7,9 p.p. atrás do SMLL. Mas mantém, não obstante, expressiva geração de alfa nos horizontes mais longos. Em 36 meses: 22% vs 4,5%; desde o início (set/21): -4,5% vs -26,6%. Seguimos convictos de que a carteira focada em cases com balanços saudáveis, governança aprimorada e valuations atrativos está bem-posicionada para capturar a retomada de interesse por micro caps quando a percepção de risco se normalizar.

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)


Crédito Privado

TRÍGONO SIRIUS FLEX 5 FIC FI RF LP

O Trígono Sirius teve retorno de 1,33% em julho (105% do CDI), acumulando 110% do CDI em 2025 e 106% desde seu lançamento. Nosso desempenho se beneficiou do fechamento dos spreads na grande maioria dos papéis a que temos exposição. O PL da estratégia Sirius atingiu R$ 139 milhões, enquanto o fundo disponível nas plataformas digitas terminou o mês com R$ 129 milhões sob gestão.

Em julho, vimos no mercado alguma moderação no movimento de compressão de spreads, embora os índices continuem a apresentar grande dispersão entre os ativos que o compõem. A captação líquida voltou a ganhar importância, com R$ 42,5 bilhões de fluxo líquido para a classe de Renda Fixa no mês.

Fonte: Idex-CDI Geral JGP – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital

Nossa carteira mantém rating médio brAA+, com: 56% de ativos brAAA; 30% em brAA+; 7% em brAA e 7% em brAA-. Não temos nenhuma exposição com classificação de risco inferior a brAA-, evidenciando a elevada qualidade creditícia da nossa carteira. O carrego da carteira está em CDI + 1,08%, e a elevação do caixa para 9% reflete primordialmente as entradas de recursos nos últimos dias de julho, que foram alocadas apenas nos primeiros dias do mês de agosto.

Mantivemos em julho atuação bastante criteriosa e seletiva no mercado primário. Participamos apenas nas emissões de Unipar, TIM, Autoban e Banco Votorantim. Já no mercado secundário, seguimos com a estratégia de realizar lucro em ativos cujos spreads foram (em nossa visão) demasiadamente comprimidos, sobretudo no mercado bancário.

Ao fim de junho, o Sirius tinha 71 ativos de crédito (de 39 emissores diferentes), carrego de CDI + 1,08% e duration de 3,4 anos.

Nossa principal exposição (22%) é ao setor financeiro/bancário – composta por bancos de primeira linha e bancos ligados a grupos internacionais sólidos. Em seguida vêm exposições relevantes em Saneamento (15%) e Energia Elétrica (11%), setores com demanda resiliente – e, consequentemente, fluxo de caixa previsível.

Concentração por Setor

Fonte: Trígono Capital

Seguimos confiantes em que juros elevados por período prolongado, bem como incertezas relacionadas à guerra tarifária, manterão o fluxo de recursos positivos para a classe de crédito privado ao longo do ano.

Captação Líquida Anual

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital

Por outro lado, este contexto macro de juros elevados por período prolongado seguirá desafiando empresas com estrutura de capital mais alavancada. Dessa forma, ganha força nossa convicção de que um portfólio premium no segmento de ativos high-grade (de melhor qualidade de crédito) segue como a melhor estratégia. Indiscutível a importância de monitorar de perto a evolução da qualidade creditícia dos emissores.

TRIGONO POLARIS DEBENTURES INCENTIVADAS FIC FI RF

O Polaris teve retorno de -0,13% em julho – abaixo dos 0,29% do IMA-B5 –, com o impacto ocasionado pela abertura do juro real de forma mais significativa nos vértices intermediários. No acumulado do ano, estamos à frente do IMAB-5 por 208 bps. O Patrimônio Líquido da estratégia fechou o mês com R$ 44 milhões sob gestão. A duration do fundo terminou o período em 5,0 anos.

Em relação às curvas de juros, vimos uma alteração no comportamento observado nos meses precedentes. A parte curta abriu mais que a parte longa (+30 bps vs +21 bps), enquanto os vértices intermediários tiveram abertura ainda maior (+43 bps). Assim, como o prazo médio da carteira se situa nos vértices intermediários (“meio da curva”), o desempenho do Polaris ficou aquém do IMA-B5, com a marcação a mercado das NTN-Bs mais do que compensando os ganhos gerados pelo fechamento dos spreads de crédito. Importante ressaltar que o cenário de inflação resiliente, guerra tarifária e desafios fiscais corroboraram o incremento do juro real ao longo do mês.

NTN-Bs

Curva IPCA

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital

Continuamos com a estratégia de encurtar a duration do fundo, trocando ativos mais longos e com spreads bastante comprimidos por outros mais curtos e com mais prêmio. Também aproveitamos as oportunidades para aumentar nossa exposição a ativos não incentivados (respeitando os limites regulatórios, a fim de otimizar a alocação do fundo e do benefício tributário) – caso das alocações em Unipar, Autoban e Equipav. Estes movimentos levaram a um aumento de nossa alocação em debêntures incentivadas para 74,2% e redução do caixa para 3,3%, o que resultou em um incremento no carrego para IPCA+ 8,50%. Permanecemos com alguma folga em relação ao mínimo exigido pela regulação: 67% para fundos entre 6 meses e 2 anos de vida. Seguimos com as alocações seletivas no fundo (e sem pressa para atingir os 85% que passam a ser obrigatórios só em fevereiro de 2026).

Concentração por tipo de ativo

Fonte: Trígono Capital

As negociações supracitadas propiciaram ao fundo atingir spread de +62 bps em relação à NTN-B 2032 (título público atrelado ao IPCA, com duration mais próxima à do fundo), a despeito dos spreads de crédito do Idex-Infra Core terem se comprimido de forma relevante no mês, num claro impacto causado pela demanda por investimentos isentos ante à publicação da MP 1303/2025. Como mencionamos, a partir de 1º de janeiro de 2026 haverá tributação por uma alíquota de IR fixa de 5% para pessoas físicas. Assim, em nossa opinião, ao longo desse segundo semestre de 2025 ocorrerá uma pressão compradora em títulos isentos, com investidores objetivando manter a isenção (o que já não será possível para investimentos nas cotas de fundo emitidas a partir de 2026).

Idex-Infra Core

Fonte: Idex-Infra Core JGP – elaboração: Trígono Capital

Polaris Spreads de Carrego

Fonte: Trígono Capital

Ao final de julho, o fundo tinha 82 ativos de crédito, carrego de IPCA + 8,50% ao ano (equivalente a NTN-B 2032 + 0,62%), rating médio de brAA+ e duration de 5,02 anos. A carteira continua setorialmente diversificada, mais exposta a Energia Elétrica (32%), Saneamento (13%), Agronegócio (11%) e setor Financeiro (9%).

Polaris

Fonte: Trígono Capital

Nossa estratégia para o Trígono Polaris é manter a carteira com elevada qualidade de crédito, sem incorrer em riscos de projeto (o fundo só incorre em risco de crédito corporativo). Dados o cenário macroeconômico e a elevação de juros, entendemos ser prudente a alocação exclusiva em riscos corporativos.

Seguimos confiantes em nossa combinação rara, oportunística e atrativa para o investidor pessoa física: (i) manutenção da isenção fiscal indefinida para aportes feitos nos fundos de debêntures incentivadas até o fim de 2025; e (ii) nível elevado de juros reais das NTN-Bs (acrescidos de spread de crédito). Estes fatores, combinados com a elevada qualidade de crédito da carteira do Polaris, nos permitem seguir com uma visão otimista para o produto.


Equipe de Crédito Privado da Trígono Capital

Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital
Marcelo Antonio Tramontina Peixoto, CGA — Head e Gestor de Crédito Privado
Rômulo Bredt, CGA, CNPI — Cogestor e Analista de Crédito Privado
Larissa Marrocos Resende Villar – Analista de Crédito Privado
Eric Gordon Findlay – Analista de Crédito Privado
Gabriel Russo de Moraes – Estagiário de Crédito Privado

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