Desempenho dos Fundos – Julho de 2026

6 ago 2026

Julho é já o começo do fim do ano – e o primeiro mês do 2º semestre trouxe alta moderada para a bolsa brasileira. Um destaque foi a retomada – tímida – do fluxo estrangeiro, cuja entrada totalizou R$ 3,3 bilhões. O IBOV subiu 3,5% – resultado principalmente do desempenho de ações de relacionadas a petróleo e combustíveis: Petrobras, Ultrapar, Vibra e Prio lideraram as altas do benchmark no mês e, juntas, contribuíram com 2,6 p.p. da alta. A incerteza acerca dos preços do brent e do estreito de Ormuz surtiram esse efeito.

Mais uma vez se repetiu o movimento contrário por parte das small caps. O SMLL caiu 0,8%, reflexo do intenso fluxo interno de investidores institucionais (saída de R$ 6,7 bilhões), participantes que costumam fazer maior stock picking local. São também os que enfrentam maior fluxo de resgates, principalmente por conta da renda fixa (ainda bastante atrativa, com juro real 10% acima da inflação – CDI x IPCA).

A relativa “calmaria julina” na bolsa não encontrou par (infelizmente) nos principais produtos da Trígono, ainda sofrendo dada as concentrações nos setores de Agronegócio e Bens de Capital. Os mais prejudicados foram Flagship 60 (-8,2%) e Verbier (-6,9%), penalizados por nomes como 3Tentos, Kepler Weber e Schulz.

Por falar em detratores do mês, 3Tentos merece comentário mais detido: a ação derreteu cerca de 19% em duas sessões, diante da percepção negativa disseminada após conversas da companhia com o mercado. Segundo tais conversas, as margens do segmento industrial têm vindo mais fracas que o esperado – e isso resulta em pressão na margem de esmagamento, que teve uma combinação negativa de fatores: sobreoferta de biodiesel (produtores anteciparam capacidade contando com o B16, previsto para abril, mas que acabou não vindo); aumentos de preços de soja, metanol e frete; e queda do preço do etanol (o que reduz a rentabilidade do novo negócio – etanol de milho, iniciado no 2º trimestre em ainda em fase de ramp-up).

Entendemos que esses são fatores conjunturais, não refletem perda de participação de mercado ou deterioração de vantagens competitivas. Frustram, claro, nossas expectativas de curto prazo – mas o principal incômodo veio da comunicação: a informação chegou ao mercado de maneira desigual para os participantes. Essa assimetria amplificou a reação do mercado muito além do que a revisão justificaria. A administração reconheceu a falha e se comprometeu a mudar a forma de proceder quanto à divulgação antecipada de dados operacionais e prévias de resultados.

Em agosto, teremos a temporada de divulgação dos resultados do 2° trimestre. Nos próximos meses, traremos comentários de algumas das nossas principais posições.

Abaixo, segue a atribuição de performance dos principais fundos da Trígono:


Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)

O recuo de 8,2% do Flagship 60 veio da “tempestade perfeita” que o fundo enfrentou em julho. O SMLL perdeu mero 0,8% (o alfa negativo então foi de 7,4 p.p. – pior desempenho relativo em muitas janelas). No acumulado de 2026, o fundo recua 18,3%, contra 5,3% do referencial (atraso de 13 p.p.). Desde seu início, no entanto, o Flagship 60 acumula ganho de 133,1%, muito acima dos 24,6% do SMLL (108,5 p.p. de alfa) para o mesmo período. O ano de 2026 tem sido bastante penoso para a classe de small caps – mas o desempenho do fundo desde o início preserva a eficácia da estratégia no longo prazo.

A maior contribuição para a queda no mês veio de um único setor: Agricultura e Agropecuária (-4,6 p.p.). O grande responsável foi, de longe, a 3Tentos (TTEN3), sozinha tirando 3,7 p.p. do resultado – reflexo, como se disse mais acima, da menor expectativa das margens de esmagamento e da forma desigual como a informação chegou ao mercado (foram 19% de perda em dois pregões). Outros detratores foram Bens Industriais (-1,3%) e Consumo Discricionário (-0,9%).

Do lado positivo, o único destaque foi Bens de Capital (0,4%), novamente com a Tupy à frente – respaldada pela chegada de Harro Burmann como CEO, do novo CFO, Augusto Ribeiro (ex-Vibra) e pelos indícios cada vez mais firmes de retomada do mercado de veículos pesados nos EUA.

Apesar dos ventos contrários nos últimos tempos, e de termos sofrido com a maior concentração em setores mais sensíveis na atual conjuntura (Indústria e Agronegócio), mantemos a disciplina do processo de seleção em micro e small caps. Reforçamos que nosso foco continua em empresas que combinem i) EVA (Economic Value Added); ii) Dividendos; e iii) ESG.

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ 29.177.0130001-12)

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)

Em julho, o Parthenon teve queda de 3,1%, contra ganho de 3,5% do Ibovespa. No acumulado anual, o fundo tem retorno de 4,5%, abaixo dos 10,5% do benchmark. Desde seu início (nov/2023), o retorno do Parthenon é de 32,9% pouco menor que os 40,2% do índice de referência.

Em termos setoriais, o destaque positivo foi o setor de Petróleo e Gás (1,7%), impulsionado principalmente por Vibra e Prio. A continuidade do conflito no Oriente Médio (leia-se: a incerteza acerca de um cessar-fogo) trouxe valorização de 14% no preço do barril Brent no mês passado.

Já o destaque negativo veio principalmente do Agronegócio (-3,4%) puxado pela performance de 3Tentos – cujo papel perdeu 21,8% no mês por conta do evento relacionado à comunicação, sobre o qual falamos mais acima. A companhia sinalizou margem de esmagamento abaixo do esperado; a CVM chegou mesmo a oficiar a empresa devido à forma desigual da divulgação ao mercado – e isso causou uma reação negativa muito maior do que a revisão de margem justificaria.

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ 52.924.5850001-30)

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)

O Verbier recuou 6,9% em julho, contra a alta de 3,5% do Ibovespa (foram 10,4 pontos percentuais de defasagem). No acumulado anual, o fundo caiu 6,4%, ante valorização de 10,5% do índice. Desde seu início (abr/18), no entanto, o fundo entrega 136,2% de ganho – acima dos 127,8% do benchmark (um alfa de 8,4 pontos percentuais).

Do lado do Ibovespa, os ganhos vieram quase que inteiramente de petróleo e gás (2,3%) e do setor bancário (0,8%). Ambos representam cerca de 39% do índice. Em um mês marcado pela continuidade dos conflitos no Oriente Médio, esses setores se destacam pela ligação direta à alta do preço do petróleo e à busca de investidores por ativos mais defensivos.

Dentro do Verbier, as principais contribuições negativas vieram de Agronegócio (-2,1%) e Indústria Rodoviária (-1,6%). Em específico, no caso do Agronegócio, o papel de 3Tentos (TTEN3) gerou contribuição de -1,3% por conta da revisão para baixo nas expectativas de margem do segmento industrial.

Seguimos convictos na qualidade das teses. Lembramos que o Verbier não tem limitação em seu universo de investimentos: as alocações vão de micro a large caps, sempre buscando as melhores oportunidades, independentemente do tamanho ou da capitalização das empresas.

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ 08.968.7330001-26)

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)

O Delphos recuou 7,2% em julho, ante retorno positivo de 3% do benchmark. No acumulado anual, o fundo caiu 18,1%, ante ganho de 10,2% do IDIV. Quando observado desde o seu início (abr/2018), o fundo teve retorno de 112,5% contra retorno de 185,3% do indicador de referência.

O setor de Bens de Capital (-2,8%) foi o principal detrator no mês. Outro destaque negativo veio de Indústria Rodoviária (-2,2%), pressionada pelas contribuições de Marcopolo (-1,5%) e Metal Leve (-0,7%).

Mantemos a carteira do Delphos fiel ao nosso processo de seleção: foco em empresas com geração de caixa consistente, balanços sólidos e capacidade de distribuir dividendos.

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ 29.177.0240001-00)

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)

Em julho, o Trígono 70 Previdência recuou 2,5%, ante carrego de 1,22% do CDI. Ao longo do ano, o fundo acumula queda de 3,11% versus um CDI acumulado de 8,1%.  Desde seu início (set/2019), o 70 Previdência acumula 80% de retorno (pouco abaixo dos 90% do referencial).

O mês foi marcado pela já mencionada continuidade dos conflitos no Oriente Médio – e pela já também mencionada volatilidade intensa aos mercados globais. No Brasil, os destaques da bolsa vieram principalmente do setor de petróleo e gás, que contribuiu em 0,97% de retorno para o Trígono 70 Previdência, puxado pelas ações de PRIO.

Dentre as contribuições negativas, Indústria Rodoviária (-2,1%) e Mineração (-0,7%) se destacaram. Mas a robusta parcela do fundo em renda-fixa (aproximadamente 30%) cumpriu seu papel defensivo mais uma vez, em um mês desafiador na renda-variável.

Utilizando da estrutura 70/30, o 70 Previdência mantém foco em gerar retorno através de empresas de valor e fundamentos sólidos para uma estratégia previdenciária de longo prazo.

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ 33.146.1300001-96)

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)

O Icatu 100 FIA recuou 5% no mês passado, ante retorno positivo de 3,5% do Ibovespa. No acumulado anual, o fundo tem queda de 3,3% vs variação positiva de 10,5% do índice. Desde seu início (jul/2020), o fundo acumulou retorno de 66%, contra 77% do benchmark.

No mês, as contribuições negativas vieram principalmente de Agronegócio (-2%), Indústria Rodoviária (-1,4%) e Bens Industriais (-1%), pressionados, respectivamente, por 3Tentos, Marcopolo e Schulz.

Já o destaque positivo veio majoritariamente do setor de Petróleo e Gás (1,1%), puxado pelo bom desempenho de Prio – o cenário é o já comentado, de alta do petróleo devido à continuidade do conflito no Oriente Médio e seus desdobramentos geopolíticos e nos mercados.

A carteira segue fiel ao mandato de previdência 100% alocada em renda variável, com exposição concentrada em micro e small caps. Isso proporciona baixa sobreposição em relação a pares do segmento previdenciário.

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ 35.610.3420001-08)

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)

Em julho, o Trígono Icatu 70 recuou 3,8%, ante os 3,5% de ganho do Ibovespa. No acumulado anual, o fundo tem ligeiro recuo de 0,4%, ante o ganho de 10,5% do índice. Desde seu início (mai/2023), o fundo acumula retorno de 10,7% (contra 61,7% do benchmark).

As contribuições negativas vieram principalmente de Indústria Rodoviária (-1,6%), Agronegócio (-1,5%) e Mineração (-1%), puxados, respectivamente, por Marcopolo, 3Tentos e Aura Minerals.

Já do lado positivo, as principais contribuições vieram de Petróleo e Gás (0,9%) e Bens de Capital (0,4%). No setor de Petróleo, Prio foi nosso papel de destaque, em um mês marcado pela alta do barril de petróleo (razões já comentadas acima). No setor de Bens de Capital, nossa contribuição veio principalmente de Tupy – respaldada pela percepção do mercado de uma melhora na governança da companhia e pelos indícios da retomada do mercado de veículos pesados nos EUA.

A parcela robusta de renda-fixa (cerca de 30%) no Trígono Icatu 70 segue cumprindo seu papel defensivo. Com a estrutura 70/30, mantemos foco em empresas de valor e fundamentos sólidos para uma estratégia previdenciária de longo prazo.

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ 49.459.3450001-05)

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)

Julho foi um mês adverso para o Power & Yield. O fundo apresentou retorno negativo de 4%, contra ligeira variação para baixo de 0,5% do IEE. No acumulado anual, o fundo acumulou retorno de 3,7% – ligeiramente acima dos 3,5% do índice (leve alfa de 0,2 p.p.). Desde seu início (fev/2021), o fundo apresenta 58,2% de retorno, também um pouco acima dos 54,7% do benchmark (com alfa de 3,5 p.p.).

A principal contribuição positiva do mês veio de Prio (1,3%), impulsionada pela alta no preço do barril de petróleo (14% de valorização no preço do Brent) – reflexo da guerra entre EUA, Israel e Irã, sem vistas a um cessar-fogo.

Do lado negativo, o papel de 3Tentos dragou 4,3% do fundo, justificando praticamente toda a queda do mês.  A companhia divulgou ao mercado, de maneira desigual, que as margens de seu setor industrial (esmagamento) virão mais fracas que o esperado para o trimestre – e essa comunicação desigual gerou reação extremamente negativa no mercado. Em nosso entendimento, o fato é conjuntural e não reflete perda de participação de mercado ou deterioração das vantagens competitivas da companhia.

O retorno acumulado no fundo desde seu início segue expressivo, reforçando a proposta de uma carteira focada no ecossistema de energia e setores correlatos. Apesar de sensível aos eventos geopolíticos atuais, o setor continua a oferecer boas oportunidades em momentos de estresse energético.

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ 40.265.1530001-85)

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)

O Horizon recuou 3% em julho, ante queda de -0,8% do SMLL (alfa negativo de 2,2 p.p. no mês). Ainda assim, o fundo segue com folga à frente do referencial nas demais janelas: no acumulado de 2026 avança 3,3%, contra queda de 5,3% do SMLL – um alfa de 8,6 p.p. no ano, num ambiente que segue bastante adverso para a classe. Em 12 meses, a valorização é de 19,9%, ante apenas 4,5% do índice (alfa de 15,4 p.p. no período). Desde seu início (set/2021), o Horizon acumula alta de 14,5%, enquanto o SMLL teve perda de 23,3% no mesmo período – quase 38 p.p. de alfa acumulado. Fica evidente a capacidade da estratégia de gerar valor no universo das microcaps, mesmo em um ambiente muito desafiador para esta classe de ativos.

Pesaram no mês os setores de Construção (-2%) e Bens Industriais (-0,7%), puxados, respectivamente, por Moura Dubeux e Schulz. Do lado positivo, o setor de Educação contribuiu com 0,8%.

A tese do Horizon se apoia justamente em episódios como o de Moura Dubeux no mês passado. No universo das microcaps (companhias com valor de mercado abaixo de R$ 3 bilhões, com cobertura limitada do sell side e liquidez reduzida), o preço frequentemente se descola dos fundamentos – e é dessas ineficiências que extraímos retorno. Nessa linha, mesmo sendo a principal detratora no mês, aproveitamos para reforçar um pouco nossa posição em Moura Dubeux – que segue com forte demanda na região Nordeste, entrando em MCMV com a marca “Única” e negociando a menos de múltiplo de 4x P/L para 2026. Nesse nicho subexplorado, seguimos garimpando negócios com geração de valor consistente e catalisadores próprios, menos dependentes do humor do índice e mais da execução de cada empresa.

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ 43.104.1340001-65)

Trígono Dynamic FIA (CNPJ: 41.063.457/0001-22)

O Dynamic recuou apenas 0,9%, ante alta de 3,5% do Ibovespa (alfa negativo de 4,4 p.p. no mês). Embora não tenha capturado o rali do índice (mais uma vez concentrado em grandes exportadoras e bancos), o fundo foi penalizado no stock picking do mês e sofreu com algumas posições relevantes – 3Tentos (-1,5%) e SBF-Centauro (-0,8%). No acumulado de 2026, o fundo avança 4,6%, ante 10,5% do referencial, e em 12 meses entrega 33,3%, em linha com o IBOV. Desde seu início (mar/2021 como clube; como FIA, a partir de 27/fev/2025), acumula expressivos 366,9% de ganho, ante 57,8% do IBOV (alfa de 309 p.p.).

Long biased e flexível (comprado em até 120% do PL, vendido em até 20%, sempre 100% net, com até 20% no exterior), o Dynamic combina teses de valor em small caps, blue chips, BDRs e papéis defensivos, usando as vendas em SMLL e IBOV como funding. Essa estrutura tem permitido atravessar janelas duras para a bolsa doméstica com retornos satisfatórios a seus cotistas – sob estrita observância dos limites de risco.

Trígono Dynamic FIA (CNPJ 41.063.4570001-22)

 


Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital

Equipe da Trígono Capital

Renda Variável

Pedro Carvalho, CGA

Guilherme Cambraia, CFG

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