Junho teve um certo gosto de reprise de maio, se o critério de comparação for o desempenho negativo. Foi o 2º mês consecutivo de saída de estrangeiros, dessa vez com R$ 8,1 bilhões – o bimestre maio/junho viu R$ 23 bilhões de recursos estrangeiros irem embora da B3. Acreditamos que parte dessa mudança de humor do investidor estrangeiro se deve ao apelo renovado do mercado americano após meses de incertezas – e à expectativa de que o ciclo de afrouxamento monetário ganhe tração, tendo os riscos de inflação diminuído com a volta do preço do petróleo aos US$ 70/barril. A leve percepção de menos tensões geopolíticas teve um papel aí também. Grande parte dos recursos voltaram para a terra do Tio Sam buscando empresas de semicondutores e IA, ou seja, tecnologia.
A guerra EUA x Irã saiu um pouco dos holofotes do mercado após declarações de acordo entre as partes. As tensões prosseguem, no entanto, enquanto se tenta ver que rumo as negociações tomarão. O fluxo no estreito de Ormuz segue limitado: na última semana de junho passaram ali 10 milhões de barris/dia (contra 20 milhões antes da guerra). As reservas estratégicas dos EUA e de outras economias desenvolvidas continuam a ser consumidas, caindo a patamares bem abaixo das médias históricas. Seguimos monitorando o cenário.
Por aqui, dada a manutenção do cenário de incertezas, com a proximidade das eleições gerais e o ambiente de Selic ainda nas alturas, a aversão ao risco mantém domínio sobre o mercado: o IBOV caiu 1% em junho, e o SMLL caiu 3,3%. O ponto fora da curva no mês foi o IDIV, com 1,8% de ganho – impulsionado pelos setores Bancário, Seguradoras e Energia (justamente os de menores resultados, historicamente menos cíclicos e mais capazes de pagar proventos em cenários econômicos adversos). Esse movimento dos índices demonstra certa expectativa de juros altos por mais tempo e de peso maior do carrego via dividendos nas carteiras institucionais.
Abaixo, os comentários de desempenho das principais estratégias da Trígono.
Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)
Em junho, o Flagship 60 recuou -1,5%, ante queda de -3,3% do SMLL (alfa positivo de 1,8 p.p. no mês). No acumulado de 2026, o fundo recua -11%, ante -4,6% do referencial. O ano tem sido bem adverso para a classe de small caps. Desde seu início, o Flagship 60 acumula ganho de 154,1%, muito acima dos 25,6% do SMLL (nada menos que 128 p.p. de alfa), o que comprova a eficácia da estratégia da casa em small caps no longo prazo.
A culpa praticamente toda do fraco desempenho no mês veio de Agricultura e Agropecuária (-1,3%), com Kepler Weber (-0,8%) como maior contribuição negativa individual. Em seguida veio a 3Tentos (-0,4%), em um momento que o mercado começa a temer os impactos do El Niño no agro brasileiro. Os setores Químico e Petroquímico (-0,6%) e da Indústria Rodoviária (-0,4%) também pesaram. Do lado positivo, Bens de Capital (0,8%), com a Tupy à frente, destacando a chegada de Harro Burmann como novo CEO, com seus mais de 25 anos de experiência no setor, e indícios cada vez mais fortes de retomada do mercado de veículos pesados nos EUA trouxeram um alento.
Seguimos convictos na qualidade das teses da carteira e na assimetria de valor das empresas investidas, e mantemos a disciplina do processo de seleção em micro e small caps. O foco é buscar empresas que combinem i) EVA (Economic Value Added); ii) Dividendos; e iii) ESG.

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)
O Parthenon recuou -3,1% no mês passado, ante -1% de perda do Ibovespa (um alfa negativo de 2,1 p.p.) No semestre, o fundo se saiu acima do benchmark, entregando alfa positivo de 1 p.p. Na janela desde seu início (dez/23), o Parthenon entrega 37,2% de valorização, pouco mais que o referencial no período (gerando alfa positivo de 1,7 p.p.)
Entre os setores, os destaques positivos foram Energia (0,3%) e Indústria Aeronáutica (1,2%), puxados respectivamente por Copel (beneficiada pelo reajuste tarifário de 20,5%,) e Embraer (que segue com boas expectativas de entregas na linha executiva e um backlog bem robusto construído nos últimos trimestres).
Os principais destaques negativos foram PRIO (-1,6%) e Aura Minerals (-2,7%), ambas empresas ligadas a commodities que apresentaram grande volatilidade ao longo do mês (com o petróleo brent de volta aos US$ 70/barril e o ouro se acomodando em US$ 4.100/onça).

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)
Junho não trouxe alívio para o Delphos: o fundo recuou -5%, enquanto o IDIV subiu 1,8% (alfa negativo de 6,8 p.p. no mês). No acumulado de 2026, a vantagem segue do referencial, que avança 7%, enquanto o fundo recua -11,8%. Desde seu início (abril/2018), o Delphos acumula 128,9% ante os 177% do IDIV.
O resultado de junho foi fortemente marcado por dois setores: Bens de Capital (-2,4%) e Construção (-1,3%), este puxado por Eucatex. Indústria Rodoviária (-0,7%), com Metal Leve (-0,6%), também pesou. Do lado positivo, os setores Bancário (0,6%) e de Logística (0,3%) deram as principais contribuições.
Mantemos a carteira fiel ao nosso processo: foco em empresas com geração de caixa consistente, balanços sólidos e capacidade de distribuir dividendos.

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)
Em junho, o Verbier recuou -5,1%, contra -1% de queda do Ibovespa (alfa negativo de 4,1 p.p. no mês). No acumulado de 2026, o fundo avança magros 0,6%, comparado aos 6,8% do referencial. Desde seu início (abril/18), o Verbier acumula ganho de 153,8%, mantendo a relevante vantagem de 33,6 p.p. sobre o IBOV (120,2%). Lembremos que o Verbier não tem limitação em seu universo de investimentos: as alocações podem ir das micro às large caps (como as maiores representantes do IBOV). O que se busca são as melhores oportunidades, independentemente o tamanho ou a capitalização que tiverem as empresas. Em grandes linhas, essa é a estratégia all-caps.
O mês foi fortemente marcado pela queda da Eucatex (EUCA4), que, triste e ironicamente, havia sido o grande destaque positivo de maio no setor de Construção; no mês passado, ela foi, sozinha, responsável por -2,5 p.p. do resultado — impacto concentrado que explica boa parte do desempenho negativo no período. Em maio Eucatex reagiu de forma muito positivo ao resultado do 1T26, e acreditamos que em junho ocorreu a realização de lucros e já um esquecimento dos excelentes resultados.
Indústria Rodoviária (1%) e Agricultura e Agropecuária (-0,8%) e Bens de Capital (-0,5%) também pesaram. No lado positivo, apenas Consumo Discricionário (0,3%).

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)
O Trígono 70 Previdência recuou -3,5% em junho, ante o carrego de 1,1% do CDI. Dessa forma, o fundo encerrou o semestre com queda de -1,1% em retorno vs 6,8% acumulados do CDI. Desde seu início (set/2019), o 70 Previdência acumula retorno de 83,8%, pouco menos que os 87,8% do benchmark na mesma janela.
Junho foi um mês novamente adverso para a renda variável no Brasil (a queda de 1% do Ibovespa ilustra isso). O cenário geopolítico adverso (guerra no Oriente Médio) trouxe grande volatilidade à bolsa, principalmente para papéis ligados a commodities. Isso bateu forte nos setores de Mineração (-1,4%) e Petróleo e Gás (-1,2%). Na ponta positiva, o destaque veio do setor de Bens de Capital (0,9%), devido à importante contribuição de Tupy.
A parcela robusta em renda fixa (cerca de 30%) segue operando como amortecedor. Com a estrutura 70/30, mantemos nosso foco em empresas de valor e fundamentos sólidos para uma estratégia previdenciária de longo prazo.

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)
O Icatu 100 enfrentou um junho adverso, recuando -6% (ante o -1% do IBOV). O semestre fechou com uma contribuição de 1,8%, ante 6,8% do referencial. No acumulado desde seu início (julho/2020),contudo, o fundo apresenta alfa de 3,6 p.p., com 74,8% de ganho (levemente acima dos 71,3% entregues pelo Ibovespa).
No mês, a contribuição negativa veio principalmente dos setores de Construção (-1,9%), Petróleo & Gás (-1,4%) e Mineração (-1,3%), pressionados respectivamente por Eucatex, PRIO e Aura Minerals.
A carteira segue fiel ao mandato de previdência 100% alocada em renda variável, com exposição concentrada em micro e small caps. Proporciona, assim, baixa sobreposição em relação aos pares do segmento previdenciário.

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)
Em junho, o Trígono ICATU 70 Previdenciário recuou -3,8%, ante a queda de -1% do Ibovespa. No semestre, o fundo subiu 3,6%, menos que os 6,8% do referencial. Quando observado desde seu início (maio/2023), o fundo acumula 15,1% de retorno, versus do 56,2% do IBOV na mesma janela.
No mês, as principais contribuições negativas vieram de setores ligados a commodities (também aqui vemos os efeitos dos conflitos no Oriente Médio). Os papéis de PRIO (-1,6%) e Aura Minerals (-2,7%), empresas ligadas respectivamente a petróleo e ouro, foram as principais detratoras. Já no lado positivo, as contribuições de destaque vieram dos setores Bancário (0,2%) e de Bens de Capital (0,7%).
A parcela robusta em renda fixa (cerca de 30%) segue operando como amortecedor em mais um mês desafiador para a renda variável. Com a estrutura 70/30, mantemos foco em empresas de valor e fundamentos sólidos para uma estratégia previdenciária de longo prazo.

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)
O Power & Yield apresentou retorno negativo de -5,2% em junho, contra ganho de 1% do IEE. Contudo, o fundo fechou o semestre com retorno positivo de 8,1% – acima dos 4,1% do referencial (gerando alfa semestral de 4 p.p.) Desde seu início, o fundo gerou um alfa ainda maior (9,4 p.p.), com retorno acumulado de 64,9% (ante 55,5% do benchmark).
O destaque positivo do mês veio da Copel (0,4%), impulsionada pelo reajuste tarifário de 20,5%. Na ponta negativa, as principais contribuições vieram de PRIO (petróleo) e Aura Minerals (ouro): as duas lidam com commodities que enfrentam grande volatilidade devido às incertezas presentes no Oriente Médio.
Apesar do desempenho mensal e da volatilidade do período, a performance acumulada no fundo desde o seu início segue interessante, o que reforça a proposta de uma carteira focada no ecossistema de energia e setores correlatos. Apesar da sensibilidade aos eventos geopolíticos atuais, esses setores continuam a oferecer boas oportunidades em momentos de estresse energético.

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)
O Horizon recuou -4,3% em junho, ante queda menor (-3,3%) do SMLL (gerando um alfa negativo de 1 p.p. no mês). Apesar do mês adverso, o primeiro semestre foi bem positivo para o fundo que entregou valorização de 6,5% no período, contra queda de 4,6% para o benchmark. O alfa de 11,1 pontos percentuais entre janeiro e junho evidencia a qualidade da carteira do fundo e a capacidade da estratégia em gerar valor no universo das micro caps. Em 12 meses, o fundo entregou uma valorização de 17,2%, comparado a perda de 1,4% do SMLL. Desde seu início (set/2021), o Horizon acumula uma alta de 18,1%, enquanto o SMLL recuou 22,7% no mesmo período, mais de 40 p.p. de alfa acumulado.
O mês foi marcado pela reversão de Eucatex (EUCA4): grande destaque positivo de maio, em junho ela respondeu, sozinha, por -2,6 p.p. do resultado. Na sequência dos detratores, Telecomunicações e Bens de Capital, ambos com queda de 0,6%, também penalizaram. Não houve setores com contribuição positiva relevante.
A carteira segue concentrada em empresas com capitalização abaixo de R$ 3 bilhões, diversificada entre setores nos quais vemos assimetria e espaço para criação de valor. O nicho é pouco explorado pelo mercado e é nele que a Trígono encontra as melhores oportunidades.

Trígono Dynamic FIA (CNPJ: 41.063.457/0001-22)
Em junho, o Dynamic recuou -3,5%, ante o -1% negativo da Ibovespa já mencionado (gerando um alfa negativo de 2,5 p.p. no mês). O fundo finalizou o 1º semestre com ganho de 5,6%, pouco menos que os 6,8% do referencial. O resultado ficou aquém da nossa expectativa, mas a janela entre janeiro e junho foi desafiadora para geração de alfa. O período viu um forte desempenho das blue chips: apenas Petrobras e Vale contribuíram, juntas, com 4% para o IBOV. Vale lembrar que a parte short do Dynamic utiliza como funding os ETFs de SMLL e IBOV.
Em 12 meses, o fundo entregou um ganho de 28,5%, acima dos 23,9% do IBOV. Desde seu início (março/2021 — como clube; como FIA, a partir de 27/fev/2025), o Dynamic acumula expressivos 371,2%, ante os respeitáveis, mas bem mais modestos 52,5% do IBOV (trata-se de um alfa de nada menos que 318,7 p.p. – o que mostra uma estratégia assertiva ao longo do tempo).
Diversos setores contribuíram para o desempenho frágil neste mês: Metalurgia e Siderurgia (-1,2%), Petróleo e Gás (-1,1%), Comércio Atacadista e Varejista (-0,9%), Telecomunicações (-0,9%) e Serviços Marítimos (-0,6%). Os principais detratores individuais foram PRIO (-1,1%), penalizada pelo recuo do brent no período. Do lado positivo, Bens de Capital (1,1%) foi o grande destaque, com a Tupy à frente; em seguida vêm Saneamento (0,7%) e Empreendimentos e Participações (0,7%).
O Dynamic se diferencia dos demais veículos da Trígono por sua flexibilidade e por ser long biased: pode ficar comprado em até 120% do PL e vendido em até 20% (sempre 100% net), e pode também investir no exterior em até 20% do patrimônio. Essa estrutura permite capturar oportunidades táticas e usar posições vendidas, no nosso caso (majoritariamente o SMLL e o IBOV), como funding para compor a carteira Long Only (com estrita observação dos limites de risco e prudência).

Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital
Equipe da Trígono Capital
Renda Variável
Pedro Carvalho, CGA
Guilherme Cambraia, CFG



