Desempenho dos Fundos – Maio de 2026

3 jun 2026

“Sell in may and go away” (ou “venda em maio e caia fora”, em tradução livre), diz o famoso mantra. Eis que passamos por maio e o mantra se aplicou fielmente mais uma vez. O mês passado trouxe um mercado mais arisco e sensível a movimentos geopolíticos. O impasse entre EUA e Irã persiste sem acordo de paz definitivo – vimos serem trocadas meras cartas de intenção, apesar dos sinais de Donald Trump de que um acordo iminente estava encaminhado na 2ª quinzena. O prolongamento das negociações continua a pressionar preços do petróleo, gerando temor inflacionário nos mercados globais a cada semana de impasse.

Tanto é assim que, após possíveis avanços nas negociações, o petróleo cedeu de US$ 120/barril para cerca de US$ 95/barril; e o do ouro (mais sensível aos cenários inflacionários e de juros elevado por conta do carrego) seguiu a mesma tendência, indo de US$ 4.700/oz para US$ 4.500/oz.

Nos últimos meses, os preços dessas duas commodities vinham se comportando de formas opostas. Nossa leitura é: mesmo que os preços do petróleo retornem a patamares menores (embora não acreditemos que a volta ao cenário de US$ 65/barril seja possível no curto prazo, por conta da redução dos estoques estratégicos de diversos países desenvolvidos), o mercado deverá seguir precificando pressões inflacionárias mais persistentes e poderá mesmo postergar as projeções de eventuais cortes de juros nas principais economias (os BCs talvez até sejam forçados a adotar um novo aperto monetário).

Em meio a todas essas incertezas, vimos um fluxo global mais intenso de saída dos países emergentes e migrando para o mercado americano – em especial para as empresas de tecnologia (IA e semicondutores) e IPOs. A NASDAQ, a corroborar essa avaliação, fechou maio na máxima histórica. Na contramão, o movimento ficou claro no Brasil após a saída de R$ 14,9 bilhões, marcando o primeiro mês de fluxo negativo de estrangeiros no ano. De janeiro a maio, no entanto, o fluxo acumulado permanece positivo, na casa dos R$ 41 bilhões.

Com esse fluxo acelerado de saída, o IBOV teve expressiva queda de 7,2% no mês – o pior desde fevereiro de 2023, já engatando ainda quase oito semanas consecutivas de queda. A porta de entrada para os estrangeiros é estreita e a de saída, ainda mais, dado que investidores institucionais locais seguem sem grande fluxo. Também tiveram queda o IDIV – de 7,6% – e o SMLL – de 3,7% (este último sofreu menos por ser menos sensível ao fluxo estrangeiro, que geralmente tem como alvo empresas mais líquidas e com maior representação em ETFs e índices).

Quanto aos nossos fundos, tivemos um mês com diferentes performances. Flagship (-7,2%) e Parthenon (-5,8%) caíram em linha com o mercado. Já Verbier e Horizon conseguiram evitar quedas mais acentuadas – leves desvalorizações de 0,5% e 0,2%, respectivamente.


Renda Variável

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)

Em maio, o Flagship 60 recuou 7,2%, ante queda de 3,7% do SMLL (alfa negativo de 3,5 p.p.). No acumulado de 2026, o fundo recua 9,7%, muito acima do 1,3% do referencial. Desde o início, o Flagship 60 acumula ganho 157,8%, muito acima dos 29,8% do SMLL (nada menos que 128 p.p. de alfa) – o que comprova a eficácia da estratégia da casa em small caps. O foco é buscar empresas que apresentem a combinação de três pilares: i) EVA (Economic Value Added); ii) Dividendos; e iii) ESG.

O mês foi marcado por perdas generalizadas na carteira. O principal detrator foi Agricultura e Agropecuária (-2,5%), com Kepler Weber (-1,6%) como maior contribuição negativa individual. O resultado reflete um ambiente muito restrito para investimentos do lado do produtor, cujas margens vêm sendo espremidas por preços mais baixos de grãos, maiores custos (fertilizantes e diesel), juros elevados e agentes financeiros mais seletivos na concessão de crédito. Esses fatores também influenciam na disposição de investidores alocarem recursos em empresas ligadas ao agronegócio – isso impacta os preços das ações, embora o valor da companhia não se altere no curto prazo por fatores conjunturais/não-estruturais (caso, por exemplo, de déficit crescente de capacidade de armazenamento e gargalos logísticos de dentro da porteira até os portos). Bens Industriais (-1,1%) também pesou, com Schulz. Na ponta positiva, Álcool e Açúcar, com tímido 0,1%, em um mês em que as contribuições negativas dominaram.

Seguimos convictos na qualidade das teses da carteira e na assimetria de valor das empresas investidas, mantendo a disciplina do processo de seleção em micro e small caps.

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ 29.177.0130001-12)

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)

Já o Parthenon recuou 5,8% em maio, ante queda de 7,2% do Ibovespa — gerando alfa positivo de 1,4 p.p. no mês, apesar do forte fluxo negativo de investidores estrangeiros e das incertezas relacionados a geopolítica e preço muito volátil do petróleo. No acumulado de 2026, o fundo avança 11,2%, acima dos 7,9% do referencial (vantagem de 3,3 p.p). Em 12 meses, o Parthenon entregou 28,4%, pouco acima dos 26,8% do IBOV. Desde o início (dez/23), o Parthenon acumula 41,6%, também acima (mas não muito) dos 36,9% do referencial (vantagem de 4,7 p.p.)

O alfa positivo no mês reflete a composição menos exposta (fruto de nosso agnosticismo ante os principais índices) da carteira aos segmentos que mais sofreram no período. Penalizaram o desempenho os setores de Indústria Rodoviária (-1,4%), Consumo Discricionário (-1,4%) e Energia (-1,2%). Do lado positivo, uma tímida contribuição de Álcool e Açúcar (0,2%).

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ 52.924.5850001-30)

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)

Maio foi um mês difícil para o Delphos. O recuo do fundo foi de 4,4%. Caiu menos, no entanto, que o índice IDIV, que caiu 7,6% (ficamos com um alfa positivo relevante, de 3,2 p.p.). Mesmo com a vantagem mensal, no acumulado de 2026 a vantagem é do benchmark, que sobe 5,1% enquanto o fundo recua 7,1% — diferença em grande parte explicada pela concentração da carteira em empresas micro e small caps (que representam a maior parte do portfólio) e que têm apresentado desempenho relativo mais fraco frente ao IDIV. O referencial se concentra em nomes como Petrobras, Vale e bancos, que se beneficiaram do fluxo estrangeiro dos primeiros meses do ano. Desde o início (abril/2018), o Delphos acumula 141%, abaixo dos 172,1% do IDIV.

As contribuições positivas no mês vieram de Construção (1,3%), com destaque individual para a Eucatex (1,3%), que tem conseguido entregar resultados muito resilientes por fatores como i) maior nível de exportação de painéis de madeira para os EUA, ii) mercado doméstico aquecido e iii) um mix de produtos de maior valor agregado. Mesmo com a companhia subindo quase 49% no acumulado do ano, o múltiplo de P/L segue negociado abaixo de 6x. Bens de Capital também deu leve contribuição positiva (0,3%). Na ponta negativa, Metalurgia e Siderurgia (-1,8%), e Bancário (-1,8%) foram os setores que mais pesaram, com Ferbasa (-1,8%) e Banco da Amazônia (-1,4%) como principais detratores individuais (este último sofreu com o volume maior de provisões devido ao aumento na inadimplência do agronegócio).

Mantemos a carteira fiel ao nosso processo: foco em empresas com geração de caixa consistente, balanços sólidos e capacidade de distribuir dividendos.

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ 29.177.0240001-00)

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)

Em maio o Verbier recuou apenas 0,5%. O que é notável, quando se olha para o tombo de 7,2% do Benchmark IBOV (ficando para nós um alfa positivo de 6,7 p.p.). No acumulado anual, o retorno foi de 6%, ante um retorno maior, de 7,9%, do Ibovespa. Desde seu início (abr/18), o fundo acumula ganho de 167,3%, uma vantagem de 44,7 pontos percentuais sobre o referencial. Lembramos que o Verbier não tem limitação em seu universo de investimentos: as alocações podem ir das micro às large caps (como Petrobras e Itaú): o que se busca sempre são as melhores oportunidades, independentemente do tamanho ou da capitalização (valor de mercado) das empresas. Em grandes linhas, essa é a estratégia all-caps.

O principal destaque do mês foi o setor de Construção (4,4%), com a performance positiva da Eucatex. Que não está, lembremos, diretamente envolvida na construção: seu envolvimento vem nos materiais que entram na fase final – pisos, portas, materiais decorativos, painéis usados em gabinetes (cozinha e banheiros), armários e, ainda, móveis e tintas. Já na ponta oposta, Agricultura e Agropecuária (-1,9%) foi o maior detrator, pressionado principalmente pela contribuição de Kepler Weber (-1.6%).

Livre para investir em todas as classes de ações, o Verbier segue alocado com foco em assimetrias do médio prazo. No momento, predominam ações de micro e small caps (que oferecem a maiores assimetrias entre preços e valor).

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ 08.968.7330001-26)

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)

O Trígono 70 Previdência recuou 4,4% em maio, ante alta de 1,1% do CDI. No ano, o fundo apresenta ganho de 2,5%, vs 5,7% do acumulado do CDI. Desde seu início (set/2019), o 70 Previdência acumulou 90,3% de retorno, acima dos 85,7% do CDI no mesmo período.

O desempenho de maio refletiu o cenário adverso para a renda variável. Metalurgia e Siderurgia (-1,3%) e Agricultura e Agropecuária (-1,1%) foram os principais setores detratores, com destaques para Ferbasa (-1,2%) e Kepler Weber (-1,1%). Do outro lado, Álcool e Açúcar (0,1%) foi a principal contribuição positiva.

A parcela robusta em renda fixa (cerca de 30%) segue como amortecedor, em mais um mês desafiador para a renda variável. Com a estrutura 70/30, mantemos nosso foco em empresas de valor e fundamentos sólidos para uma estratégia previdenciária de longo prazo.

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ 33.146.1300001-96)

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)

Em maio, o Icatu 100 recuou 1,7%, ante os 7,2% de recuo do Ibovespa (ficamos com um alfa expressivo, de 5,5 p.p. no mês). No acumulado anual, o fundo teve ganho de 8,3%, acima dos 7,9% do índice. Desde o início (jul/2020), o Icatu 100 entregou 86,1%, novamente acima dos 73% do Ibovespa no mesmo período.

O principal destaque positivo veio de Construção (3,7%), puxado pela Eucatex. Do lado negativo, Agricultura e Agropecuária (-1,5%) e Metalurgia e Siderurgia (-1,2%) foram os principais detratores, pressionados principalmente por Kepler Weber e Ferbasa.

A carteira segue fiel ao mandato de previdência 100% alocada em renda variável, com exposição concentrada em micro e small caps. Essa característica proporciona, assim, baixa sobreposição em relação aos pares do segmento previdenciário.

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ 35.610.3420001-08)

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)

Em maio, o Icatu 70 recuou 4,6%, ante queda de 7,2% do Ibovespa (ficamos com alfa positivo de 2,6 p.p. no mês). Em 2026, o fundo soma 7,7%, o que é praticamente em linha com o Ibovespa e seu retorno de 7,8%. Desde seu início (mai0/2023), o Icatu 70 apresenta 19,6% de retorno, contra 57,8% do índice, refletindo uma janela difícil para as companhias da carteira, principalmente as small caps.

No mês, a principal contribuição positiva veio do setor de Álcool e Açúcar (0,1%), com destaque para os papéis de São Martinho. Na ponta oposta, Indústria Rodoviária (-0,9%) e Agricultura e Agronegócio (-0,8%) foram os principais detratores, puxados principalmente por Marcopolo e Kepler Weber.

Em um mês desafiador para renda variável, a estratégia previdenciária de 70/30 cumpriu seu papel em amortecer a volatilidade da carteira.

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ 49.459.3450001-05)

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)

A despeito do excelente retorno até o momento em 2026, maio foi um mês bastante desafiador para o Power & Yield: o mês fechou com recuo de 8,01%. E mesmo com um desempenho negativo como o do mês passado, ainda assim, ele fechou com um alfa de 0,8 p.p. – e isso porque IIE encerrou maio com uma queda ainda maior (mesmo que não muito) de 8,8%. No acumulado anual, o fundo se valorizou em 14% – bem acima dos 3% do benchmark. Isso se vê também na janela desde o início do fundo: nela, o Power acumula retorno de 73,4% com alfa de 20 p.p.

Em um mês de contribuições negativas em todos os papéis do fundo, o destaque veio das empresas ligadas aos setores tradicionais de energia (distribuição e geração): somadas, penalizaram o fundo com um recuo de 4%, puxadas principalmente por EMAE, Copel e CEB.

Apesar do recuo mensal, o alfa acumulado no fundo segue muito expressivo, reforçando a proposta de uma carteira focada no ecossistema de energia e setores correlatos: apesar de sensíveis aos eventos geopolíticos atuais, continuam a oferecer boas oportunidades em momentos de estresse energético através das empresas de Óleo & Gás e Petroquímico. Neste segmento, volatilidade e incertezas são os maiores desafios – mas também são os lugares de onde vêm boas oportunidades.

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ 40.265.1530001-85)

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)

Em um mês de elevada aversão ao risco, o Horizon ficou praticamente no “zero a zero”. Bem melhor que o SMLL, que caiu 3,7% — gerando alfa expressivo de 3,5 p.p. no mês. Grande parte dessa vantagem pode ser explicada pelo setor de Construção (5,1%), impulsionado pela Eucatex, que, como dito mais acima, segue entregando sólidos resultados por conta da demanda aquecida de painéis de madeira, um mix de produtos com maior valor agregado e segue com múltiplos de P/L abaixo de 6x, mesmo após alta de 49% no acumulado do ano.

Na ponta negativa, os setores de Tecnologia (-1,4%) e Bancário (-1%) pesaram, com Bemobi (-1,1%) e Banco da Amazônia (-0,7%) como principais detratores individuais. Serviços Educacionais (-0,7%) e Agricultura e Agropecuária (-0,7%) também contribuíram negativamente.

No acumulado de 2026, o fundo avança 11,3%, bem acima do recuo de 1,3% do referencial (gerando 12,6 pontos de alfa). Em 12 meses, entrega 24,4%, contra 3,1% do SMLL. Desde o início (set/2021), o Horizon acumula 23,4%, enquanto o SMLL recua incômodos 20,1% no mesmo período — mais de 43 p.p. de alfa acumulado. O fundo representa, como os resultados mostram, uma boa alternativa de diversificação no universo small caps. A proposta da estratégia é: seleção ativa em micro caps pouco correlacionadas com o índice referencial e pouco acompanhadas pelo mercado.

A carteira segue concentrada em empresas com capitalização abaixo de R$ 3 bilhões, diversificada entre setores nos quais vemos assimetria e espaço para criação de valor.

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ 43.104.1340001-65)

Trígono Dynamic FIA (CNPJ: 41.063.457/0001-22)

Em maio, o Dynamic recuou 6,5%, ante queda de 7,2% do Ibovespa — alfa positivo de 0,7 p.p. no mês. No acumulado de 2026, o fundo avança 9,5%, acima dos 7,9% do referencial. Em 12 meses, entrega 36,9%, contra 26,8% do IBOV. Desde o início (mar/2021 — como clube; como FIA, a partir de 27/fev/2025), o Dynamic acumula 388,5%, ante 54,1% do IBOV — expressivos 334 p.p. de alfa no período, mostrando uma estratégia assertiva.

Diversos setores contribuíram para o desempenho frágil neste mês: Locação de Veículos (-1,3%), Consumo Discricionário (-1%), Máquinas e Equipamentos (-1%) e Assistência Médica (-0,9%). As posições vendidas em BOVA11 (+0,6%) e SMAL11 (+0,3%) funcionaram como proteção eficiente em um mês de queda generalizada para a bolsa, ilustrando a proposta da estrutura long biased do fundo. Do lado positivo, Serviços Marítimos (0,3%) contribuiu, com OceanPact como destaque.

O Dynamic se diferencia dos demais veículos da Trígono por sua flexibilidade long biased: pode ficar comprado em até 120% do PL e vendido em até 20% (sempre 100% net), e pode investir no exterior em até 20% do patrimônio. Essa estrutura permite capturar oportunidades táticas e usar posições vendidas como funding para compor a carteira Long Only, no intuito de potencializar o alfa no longo prazo (com estrita observação dos limites de risco e prudenciais). O alfa acumulado desde o início segue muito acima do IBOV e reforça a proposta única do fundo dentro da grade da Trígono.

Trígono Dynamic FIA (CNPJ 41.063.4570001-22)


Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital

Equipe da Trígono Capital

Renda Variável

Pedro Carvalho, CGA

Guilherme Cambraia, CFG

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