Março trouxe uma correção para a bolsa brasileira, após dois meses de forte valorização. O Ibovespa recuou tímidos 0,7%, ao digerir parte dos impactos geopolíticos no Oriente Médio – o que colocou a expectativa sobre o ritmo do corte de juros em discussão mais uma vez. Chama atenção, apesar da volatilidade, a resiliência do fluxo estrangeiro aos mercados emergentes: este segue forte, como atestam os R$ 11,6 bilhões de investidores estrangeiros que ingressaram em março, acumulando R$ 53,4 bilhões no ano, um marco extraordinário. O valor equivale a duas vezes o total de 2025 (R$26,9 bilhões) e é pouco menos da metade do recorde mais recente: R$ 119,8 bilhões, em 2022. No Brasil, o fluxo de ETFs foi positivo no 1T26, ficando em US$ 1,6 bilhão – contra os resultados negativos de México (US$ 700 milhões) e China (US$ 967 milhões). Nos mercados emergentes como um todo, esse fluxo ficou positivo em US$ 25,3 bilhões e, globalmente, em US$ 49,5 bilhões no mesmo período.
O SMLL teve queda mais acentuada (-5,8%), refletindo a maior sensibilidade das small caps a movimentos de realização, e o IDIV recuou 0,2%. Acreditamos que parte desse movimento é explicado pelo persistente fluxo negativo de capital dos institucionais locais – que são os agentes responsáveis pela maior parte do stock picking na bolsa brasileira. Estes reduziram a posição na bolsa em R$ 10 bilhões em março e em R$ 40,3 bilhões no ano. As NTN-Bs continuam a atrair capital deste público (já que oferecem o conforto de bater com larga folga as metas atuariais). A surpresa são os investidores individuais, que retiraram R$ 854 milhões das ações em março e R$ 6 bilhões no ano. Enquanto o fluxo local não se inverter, acreditamos que assimetrias em alguns papéis de menor liquidez seguirão presentes e oportunidades de arbitrar as ineficiências do mercado (que no Brasil são ainda mais gritantes) vão surgir.
Quantos aos nossos fundos, os desempenhos foram dispersos, mais uma vez: Delphos (-8%), Flagship (-8,7%) e Verbier (-7,5%) foram os mais impactados. Parte da explicação se relaciona com o fim (sem acordo) das tratativas da GPT sobre uma eventual aquisição da Kepler Weber. Esse movimento fez com que as ações da KW despencassem 14% em março, voltando aos preços próximos ao do período anterior às conversas. Entendemos que a companhia, apesar do ciclo negativo do agronegócio, segue como referência no pós-colheita e muito bem-posicionada em relação aos concorrentes para surfar a retomada (mesmo que esta ainda seja incerta). Concorrentes com margens praticamente nulas e sofrendo com a crise no setor agrícola trarão oportunidades interessantes para a Kepler avançar sobre o mercado. A GPT atribuiu a desistência da aquisição ao não acordo da Trígono com os termos da proposta para uma possível OPA de fechamento de capital. A Trígono, como gestora, segue seu dever fiduciário ao buscar os melhores interesses de seus cotistas.
Parthenon (-1,0%) e Horizon (-1,9%), tiveram quedas menos expressivas e próximas dos seus respectivos benchmarks. O destaque vai para o Horizon, que gerou alfa de 3,9 pontos percentuais, reflexo de uma carteira equilibrada e com teses com fundamentos sólidos para os mais variados cenários.
Quanto aos destaques, vale mencionar o Dynamic Long Biased, com valorização expressiva de 3,9%, na contramão do seu referencial. Esse desempenho, em um mês desafiador como março, ressalta o propósito do fundo de ter flexibilidade para se adequar ao dinamismo dos diferentes cenários do mercado, combinando stockpicking apurado e agilidade (o nome Dynamic não veio à toa), para tirar vantagem das oportunidades de curto prazo que aparecem na volatilidade do mercado.
Não menos importante, o Power Yield merece destaque, ao finalizar o mês com valorização de 1% (contra 0,5% do IDIV) e acumular expressivos 25,1% nos três primeiros meses de 2026, um dos melhores desempenhos de fundos não alavancados e sem uso de derivativos na bolsa. O cenário geopolítico atual segue adequado para a estratégia do fundo, que visa se beneficiar com teses que têm vantagens competitivas relacionadas ao tema de energia – de petróleo e gás a indústrias eletrointensivas com fonte renovável e barata de custos com energia (e mesmo metais, como ouro, cobre e outros, também relacionados ao tema energia).
Abaixo, os comentários para cada um dos fundos da casa:
Renda Variável
Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)
Em março, o Delphos recuou 8%, ante queda de 0,2% do IDIV – um alfa negativo de 7,8 pontos percentuais no mês. No acumulado de 2026, o fundo recua 2%, na contramão dos 15,3% de alta do referencial. Desde o início (abr/2018), o Delphos acumula 154,1%, ante 198% do IDIV, atraso de 43,9 pontos percentuais.
O mês foi penalizado de forma expressiva por Agricultura e Agropecuária (-4,7%), com Kepler Weber sendo de longe a maior detratora da carteira (a razão sendo a comentada mais acima). Bens de Capital, com Riosulense (-1,5%); e Indústria, com Marcopolo (-0,7%) e Metal Leve (-0,6%), também pesaram. Na ponta positiva, São Martinho (0,7%) foi a única contribuição relevante, refletindo recuperação ainda tímida do açúcar e a alta do petróleo – que pode sustentar os preços do etanol em patamares mais saudáveis. A concentração do resultado negativo em poucos nomes, sobretudo Kepler, explica grande parte da divergência em relação ao índice no mês.
Seguimos convictos no processo e na qualidade das empresas da carteira: geração de caixa, balanços sólidos e assimetria de valor no tempo. O descolamento pontual reflete a concentração do portfólio em teses fora do núcleo do IDIV, não uma deterioração dos fundamentos das investidas.

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)
O Flagship 60 recuou 8,7%, ante queda de 5,8% do SMLL – alfa negativo de 2,9 pontos percentuais no mês. No acumulado de 2026, o fundo cai 2%, contra 5,8% de alta do referencial (-7,8 p.p. de alfa no ano). Desde o início, o Flagship 60 acumula 179,6% de ganho, ante 39,1% do SMLL (expressivos 140,5 pontos percentuais de alfa).
Os detratores foram: Agricultura e Agropecuária, que pesou com Kepler Weber (-3,1%) e Três Tentos (-0,7%); em Construção, Lavvi (-1,4%) foi o destaque negativo; e Schulz veio com -1,1% em Bens Industriais. Já na ponta positiva, São Martinho (+0,4%) trouxe alívio marginal.
Apesar do mês difícil em termos absolutos, reforçamos o potencial de destravar valor das nossas posições. As teses continuam intactas. Mantemos a disciplina e a convicção de que, no tempo, a assimetria de valor será reconhecida pelo mercado.

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)
Em março, o Parthenon recuou 1%, ante queda de -0,7% do Ibovespa – alfa negativo marginal de 0,3 ponto percentual. No acumulado de 2026, o fundo avança 21,1%, acima dos 16,4% do referencial – alfa de 4,7%. Em 12 meses, o Parthenon entrega 43,6%, praticamente em linha com os 43,9% do Ibovespa. Desde o início, o fundo acumula 54,1% (contra 47,7% do referencial).
O destaque positivo do mês foi Petróleo e Gás, com PRIO (3%), que acabou por ser beneficiada com a alta do petróleo pós-conflito e o first-oil de Wahoo, que trará incremento de até 40 mil barris/dia na produção – e com um lifting cost de US$1/barril. São Martinho (1,5%), Copel (0,6%) e Vibra (0,5%) também contribuíram favoravelmente. Na ponta negativa, Embraer (-2,7%) foi a maior detratora, seguida por Marcopolo (-1,5%) e Aura Minerals (-1,1%). Em Construção, Cyrela (-0,8%) também pesou.
A carteira segue concentrada em empresas de qualidade, combinando mid e large caps (valor de mercado acima de R$ 10 bilhões), com foco em geração de caixa consistente, boa governança e capacidade de distribuir dividendos. O desempenho acumulado no ano reforça a proposta do fundo: alta liquidez (D+5) e exposição a teses com vetores claros de crescimento.

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)
O Verbier recuou 7,5%, ante queda de meros 0,7% do Ibovespa – alfa negativo de 6,8 pontos percentuais. No acumulado de 2026, o fundo avança 5,1%, abaixo dos 16,4% do referencial (este impulsionado por Vale e Petrobras). Desde o início (abril/2018), o Verbier acumula 165% de valorização, acima dos 139,9% do IBOV (25 pontos percentuais de excedente).
O mês foi pressionado principalmente por Agricultura e Agropecuária (-3%), com Kepler Weber novamente como principal detratora. Em Material de Construção, Eucatex pesou, com -1,2%. Químico e Petroquímico surpreendeu negativamente (-1%), puxado por Unipar (-0,8%). Marcopolo (-0,8%), Schulz (-0,7%) e Metal Leve (-0,6%) completaram as principais contribuições negativas. Na ponta positiva, Pettenati (0,3%) e Ferbasa (0,2%) foram os únicos destaques, mas insuficientes para compensar as perdas. Apesar de ser livre para investir em qualquer classe de ações, a carteira segue posicionada onde vemos assimetria no médio prazo – com predominância de micro e small caps. Mantemos disciplina de alocação e convicção nas teses.

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)
Nosso fundo previdenciário, com composição de 70% em renda variável e 30% em renda fixa, encerrou março com recuo de 2,1%, ante alta de 1,2% do CDI. No acumulado de 2026, o fundo avança 8,3%, acima dos 3,4% do referencial. Em 12 meses, entrega 18,5% de ganho, contra 14,8% do CDI. Desde o início (set/2019), o fundo acumula 101,2%, bem acima dos 81,7% do CDI.
Os detratores foram concentrados em Kepler Weber (-2%) e Marcopolo (-1%). Tupy (-0,5%) e Metal Leve (-0,5%) também pesaram. Na ponta positiva, PRIO (1,5%) foi o grande alívio do mês, seguida de São Martinho (0,7%), ambas favorecidas pela turbulência energética causada pelos conflitos de natureza geopolítica. A parcela de 30% em renda fixa segue cumprindo seu papel estabilizador. A carteira mantém a estrutura 70/30, com foco em empresas de valor, fundamentos sólidos e perfil adequado para uma estratégia previdenciária de longo prazo.

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)
O Icatu 100 recuou 3,9% em março, ante queda de 0,7% do Ibovespa. No acumulado de 2026, o fundo avança 9,7%, abaixo dos 16,4% do referencial. Em 12 meses, entrega 22,6%, contra 43,9% do IBOV. Desde o início (jul/2020), o fundo acumula 88,5%, levemente acima dos 86,6% do referencial – em uma janela desafiadora por conta dos altos patamares das taxas de juros.
Mais uma vez, o destaque positivo foi PRIO (1,9%), que, sozinha, evitou queda mais expressiva. São Martinho (0,4%) também ajudou. Na ponta negativa, Kepler Weber (-2,1%) foi a maior detratora, seguida por Schulz (-0,9%), Eucatex (-0,9%) e Riosulense (-0,6%).
O fundo segue fiel ao mandato de previdência 100% renda variável, com exposição concentrada em micro e small caps – posicionamento raro na indústria previdenciária, ao proporcionar diversificação real e baixa sobreposição com os demais fundos do mercado.

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)
Em março, o Icatu 70 recuou 0,8%, ante queda de 0,7% do Ibovespa – resultados praticamente em linha. No acumulado de 2026, o fundo avança 12,5%, abaixo dos 16,4% do IBOV. Em 12 meses, entrega 25,7%, contra 43,9% do referencial. Desde o início em maio de 2023, o fundo acumula 24,9%, contra 70,3% do IBOV.
O destaque positivo foi PRIO (2,2%), que mais que compensou os principais detratores: Marcopolo (-1%) e Kepler Weber (-1%). Schulz (-0,5%) e Aura Minerals (-0,3%) também pesaram. São Martinho (0,5%) também contribuiu favoravelmente. A estrutura 70/30 segue cumprindo seu papel, com a parcela de renda fixa atenuando a volatilidade da carteira.

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)
O cenário geopolítico segue como pano de fundo relevante para a tese do fundo. As tensões persistentes no Oriente Médio, com o conflito entre EUA, Israel e Irã adicionando prêmio de risco ao petróleo e incerteza sobre rotas de fornecimento, beneficiam diretamente posições como PRIO e, indiretamente, empresas eletrointensivas (que têm biorredutores e fornecimento de energia como vantagem). Ao mesmo tempo, o ambiente de transição energética e a demanda crescente por biocombustíveis no Brasil reforçam a atratividade de nomes como São Martinho e Três Tentos dentro do portfólio. A carteira segue focada no ecossistema de energia e em setores correlatos, nos quais a combinação geração de caixa-dividendos-vetores estruturais de crescimento continua a oferecer boas oportunidades de valor.
Em março, o Power avançou 1%, ante alta de 0,5% do IEE – leve vantagem de 0,5 p.p. sobre o referencial. No acumulado de 2026, no entanto, o fundo avança expressivos 25,1%, bem acima dos 7,8% do IEE. Em 12 meses, entrega 69,6% de ganho, contra 55,6% do referencial. Desde o início, o Power acumula 90,8%, ante 61,1% do benchmark (29,7 pontos percentuais de alfa).
O grande destaque do mês foi PRIO (3,4%), comentada mais acima. São Martinho (1,4%) também contribuiu de forma relevante, assim como Copel (0,5%) e Ferbasa (0,3%). Na ponta negativa, Aura Minerals (-1,5%) foi a maior detratora, seguida de Unipar (-1,2%) e Três Tentos (-0,9%).

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)
Em março, o Horizon recuou 1,9%, queda bem menor que a de 5,8% do SMLL – gerando alfa positivo de 3,9 p.p. no mês. No acumulado de 2026, o fundo avança 12,3%, bem acima dos 5,8% do referencial. Em 12 meses, entrega 42,4%, contra 27% do SMLL. Desde o início (set/2021), o fundo acumula 24,5%, enquanto o referencial recua 14,3% no mesmo período (quase 39 p.p. de alfa acumulado). O resultado de março ilustra bem a proposta da estratégia: em um mês de queda generalizada para small caps, o Horizon conseguiu se descolar positivamente graças à seleção ativa em micro caps pouco correlacionadas com o índice.
O destaque positivo do mês veio de Telecomunicações, com Unifique (2%), e de Tecnologia, com Bemobi (1,1%) – dois nomes que despontaram na divulgação dos resultados do 4T25. Ser Educacional (0,3%) e Pettenati (0,2%) também ajudaram. Na ponta negativa, Materiais de Construção pesou com Eucatex (-1,1%); Kepler Weber (-1,3%) detratou em Agronegócio; e Schulz contribuiu com -0,7%. A carteira segue concentrada em empresas com capitalização abaixo de R$ 3 bilhões, diversificada entre setores onde vemos assimetria e espaço para criação de valor, um nicho pouco explorado (na verdade, desprezado) pelo mercado e onde a Trígono encontra suas melhores oportunidades. A micro cap de hoje poderá ser a small de amanhã – que sabe a mid cap ou mesmo a large cap: a WEG o caso que melhor ilustra o potencial das small caps.

Trígono Dynamic Long Biased FIA (CNPJ: 41.063.457/0001-22)
Nosso fundo caçula segue se destacando ao avançar 3,9%, enquanto o Ibovespa recuou 0,7% –alfa expressivo de 4,6 p.p. em um mês desafiador. Recém-completado seu primeiro ano como fundo (iniciado como clube em 2021 e transformado em fundo em fev/2025), o Dynamic segue se diferenciando dos demais veículos da Trígono por ser long biased: pode ficar comprado em até 120% do patrimônio líquido do fundo, e vendido em até 20%, além de poder investir no exterior até 20% do patrimônio. Essa flexibilidade permite a captura de oportunidades táticas e o uso de posições vendidas em ETFs como forma de fonte de recursos para teses de maior convicção, com intuito de gerar alfa aos cotista no longo prazo.
O grande destaque do mês foi o setor de Telecomunicações (2,6%), com Unifique, e Petróleo e Gás (2,7%), com PRIO. Consumo Discricionário (1,2%) e Comércio Atacadista (1%) completam o quadro de principais contribuições positivas. A posição vendida em ETFs (BOVA11 e SMAL11) gerou contribuição positiva marginal (0,3%), funcionando como proteção em mês de queda. Na ponta negativa, Máquinas e Equipamentos (-1%), com Armac, e Indústria Rodoviária (-0,8%), com Iochpe-Maxion, também pesaram. O Dynamic mantém cerca de 75% do portfólio em teses que consideramos compounders, ou seja, a espinha dorsal, com o restante alocado de forma tática e ágil para capturar oportunidades e assimetrias pontuais de mercado (proposta única dentro da grade da Trígono).

Crédito Privado
TRÍGONO SIRIUS FLEX 5 FIC FI RF LP
O Trígono Sirius teve retorno de 0,87% em março (72% do CDI), acumulando retorno de 100% nos últimos 12 meses e de 102% desde seu início.
Março mostrou continuidade na correção generalizada de spreads, com abertura de 10 bps (0,1 ponto percentual) no carrego do IDEX-CDI, que passou de 1,9% para 2%. O movimento de maior aversão a risco pôde ser observado em diversos nomes – e em especial alguns com particularidades, como Raízen, Grupo Cosan, CSN e, mais recentemente, Aegea.
Já a curva de spread para ativos com rating brAAA apresentou aumento de prêmio e de inclinação, com maior abertura nos vértices longos, de maior duration.

Fonte: Idex-CDI Geral JGP – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital
Continuamos bastante criteriosos e seletivos no mercado primário. No mês passado, participamos de apenas da emissão primária da Copasa. Mantivemos a estratégia de realizar lucro em ativos cujos spreads foram demasiadamente comprimidos e alocar recursos em ativos que julgamos ainda ter possibilidade de fechamento de taxa ou que tiveram abertura de crédito excessiva ao longo do mês. Sendo assim, nossa posição de caixa foi reduzida tática de pontualmente de 11% do patrimônio líquido para 5,4%. Seguimos atentos tanto a oportunidades de realização de lucros como de alocação nos mercados primário e secundário.

Fonte: Trígono Capital
Finalizamos o mês com 133 ativos, de 54 emissores diferentes e duration de 3,7 anos. O rating médio da carteira ficou em brAA+, sendo: 58% de ativos brAAA; 16% em brAA+; 10% em brAA; 13% em brAA-; e apenas 1% em brA+. O carrego bruto da carteira aumentou para CDI + 1,17%, equivalente a 108% do CDI.
Nossa principal exposição (33%) é ao Setor Financeiro/Bancário – composta basicamente por bancos de primeira linha e bancos ligados a grupos internacionais sólidos. Em seguida vêm exposições relevantes em Saneamento (13%) e Rodovias (7%), setores com demanda resiliente – logo, fluxo de caixa previsível.

Fonte: Trígono Capital
Seguimos com alta convicção de que juros em patamares elevados por período prolongado (mesmo depois de iniciado o ciclo de cortes da Selic) exigem uma carteira com qualidade de crédito bastante robusta, para fazer frente aos desafios e impactos nas empresas e nos bancos do mercado brasileiro.
O cenário de juros altos por período prolongado impõe desafios para empresas, em especial aquelas com estrutura de capital mais alavancada. O atual cenário de incertezas políticas, geopolíticas e repique inflacionário tornam o custo de capital mais elevado e, reforçam nossa visão de que um portfólio premium no segmento de ativos high-grade (melhor qualidade de crédito) segue como a melhor estratégia. Monitoramento constante do risco e diligência são ainda mais primordiais no contexto atual.
TRIGONO POLARIS DEBÊNTURES INCENTIVADAS FIC FI RF
O Polaris teve retorno de -0,8% em março, aquém do 1,39% do IMA-B5. O Patrimônio Líquido da estratégia fechou o mês com cerca de R$ 43,3 milhões sob gestão. Finalizamos fevereiro com 4,8 anos de duration e 4,1% de caixa.

Fonte: Trígono Capital
O fundo tem exposição de 89,2% de debêntures incentivadas – dentro, portanto, do limite mínimo regulatório de 85% previsto na legislação (artº 3 da Lei nº 12.431/2011). O fundo agora já conta com mais de 2 anos de existência – logo, essa exposição acima de 85% deve ser obrigatoriamente mantida.

Fonte: Trígono Capital

Fonte: Trígono Capital
Ao final de março, o fundo tinha 95 ativos de crédito, carrego de IPCA + 7,62% ao ano (equivalente a NTN-B 2032 -0,11%), rating médio de brAA+ e duration de 4,8 anos. A carteira continua setorialmente diversificada. As principais exposições são apresentadas no gráfico a seguir:

Fonte: Trígono Capital
Nosso desempenho em março foi impactado pela abertura e inclinação da curva de juros, movimento amplificado também pela ampliação dos spreads de crédito. Ao longo do mês, o mercado de crédito apresentou abertura generalizada de spread – o que ficou evidenciado pelo aumento de 6 bps do Idex-Infra Core (que passou de -6bps para 0 bps).

Fonte: Idex-Infra Core JGP – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Trígono Capital
A Lei das Debêntures Incentivadas (no. 12.431/2011) prevê que esses títulos devem ter remuneração vinculada a índice de preços (usualmente IPCA ou IGP-M), juros pré-fixados ou à Taxa Referencial (TR). Para fundos que, como o Trígono Polaris, não são hedgeados (ou seja, não utilizam instrumentos derivativos para trocar a remuneração da NTN-B por CDI), há uma exposição indireta à variação da taxa das NTN-Bs. Ao longo de março, estas apresentaram abertura considerável – entre 30 bps e 65 bps, refletindo as incertezas fiscais domésticas e os choques energéticos / inflacionários globais. Isso impactou a rentabilidade do fundo, sobretudo nos ativos de maior duration, gerando impacto desfavorável em relação ao desempenho do benchmark (IMAB-5).

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital
Continuamos convencidos de que a melhora do carrego do fundo, combinada à isenção fiscal para a pessoa física, e um eventual fechamento de taxa de juros ao longo dos próximos meses podem gerar retornos bastante interessantes para o produto.
Nossa estratégia permanece inalterada: manter a carteira com elevada qualidade de crédito, sem incorrer em riscos de projeto (o fundo só incorre em risco de crédito corporativo). Dado o cenário macroeconômico de juros em patamares altos – ainda muito desafiador para as empresas –, julgamos prudente a alocação exclusiva em riscos corporativos.
Seguimos confiantes em oferecer ao investidor pessoa física uma combinação única – e bastante favorável, no presente contexto – para a classe de ativos: i) isenção fiscal; e ii) nível elevado de juros reais das NTN-Bs (acrescidos de spreads de crédito que começam a se normalizar). Tais fatores, combinados à elevada qualidade de crédito da carteira do Polaris, nos permitem seguir com uma visão otimista para o fundo.
Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital
Equipe da Trígono Capital
Renda Variável
Pedro Carvalho, CGA
Guilherme Cambraia, CFG
Crédito Privado
Marcelo Antonio Tramontina Peixoto, CGA — Head e Gestor de Crédito Privado
Larissa Marrocos Resende Villar – Analista de Crédito Privado




