Desempenho dos Fundos – Outubro de 2025

11 nov 2025

Renda VariávelCrédito Privado

Foi um longo inverno. Mas o degelo veio – e nossos fundos voltaram a se descolar positivamente dos índices. O Flagship decolou com nada menos de 9% de valorização; o Delphos subiu 8,3%; o Verbier, 4,4%; o 70 Prev, 3,7%; e o Horizon, 5%.

Algumas de nossas investidas foram impulsionadas por notícias boas. São elas:

I) Kepler Weber: alta de 25,9% em outubro. Resultados parecem finalmente ter chegado ao ponto de inflexão (ou se estabilizaram, ao menos): a margem EBITDA no acumulado do ano até aqui ficou em 15% – bem acima dos 5% do período 2016/2018 (que foi um ciclo negativo, com juros elevados de través). A companhia continua muito bem posicionada para aproveitar: i) o déficit de armazenagem no Brasil, de mais de 120 milhões de toneladas; ii) a expansão do segmento de biocombustíveis; e iii) o avanço em Peças e Reposição. Mesmo após a recente alta, negocia a 7x EV/EBITDA e com Dividend Yield de 8%.

II) 3tentos: valorização de 15,4% no mês. A agenda da empresa – bastante intensa com crescimento voltado ao esmagamento de soja, expansão na produção de biodiesel e nova planta de etanol de milho – a deixa bem posicionada na agroindústria. A expectativa é crescer acima de 20% ao ano nos próximos três anos – nos últimos cinco, desde o IPO, essa taxa foi de 40% ao ano. No mês passado, as margens do esmagamento de soja foram o que mais ajudou a ação.

Outra boa notícia foi a parceria com a Ipiranga, que implementará um centro de distribuição de combustíveis anexo à sua usina de biodiesel em Vera (MT). Só para refrescar a memória, a capacidade da planta de Vera para processar soja chegará ao fim deste ano 60% maior (de 3,5 mil para 4,8 mil toneladas por dia) e no início de 2026 a produção de biodiesel atingirá 1,5 milhão de litros/dia – um avanço de 50% sobre a capacidade atual. Nada mau.

III) Tronox: pouco representativa nas carteiras, a Tronox subiu impressionantes 78%. Isso vitaminou bastante alguns de nossos fundos no mês. Para contextualizar: há quase dois anos a companhia sofre por dois grandes problemas: 1) interrupção do fornecimento de ácido sulfúrico pela Paranapanema (substituído por importação); e 2) entrada agressiva da competição chinesa em dióxido de titânio no Brasil.

A Tronox passou a operar, por conta disso, com margem bruta próxima de zero. A ação chegou a ficar esquecida por muito tempo, em níveis de valor inferiores aos de aplicações financeiras + estoques (R$ 516 milhões), o que não se via há muito tempo na bolsa. No início de outubro, seu valor de mercado chegou a R$ 360 milhões – uma fração do seu custo de reposição. Mesmo sem gerar resultados operacionais, a companhia manteve seu caixa de R$160 milhões e carregava estoques de R$ 352 milhões, quase seu valor em bolsa. O que diria Benjamin Graham a respeito?

O pivô dessa alta foi a decisão da Câmara do Comércio Exterior (publicada no Diário Oficial da União) de aprovar a aplicação de antidumping por até 5 anos sobre importações de dióxido de titânio. O valor varia entre US$ 1.100 e US$ 1.220 por tonelada para a maioria das exportadoras chinesas – entre elas Lomon Billions e Anhui Gold Star. Em um exercício hipotético e conservador: se a Tronox conseguir repassar 70% do antidumping ao preço do TiO2 (ou seja: US$ 850/t), teríamos R$ 207 milhões de receita adicional e EBITDA, sem contrapartida de custos. É razoável mencionar que a maior parte desse repasse se converteria em lucro, uma vez que é uma companhia na SUDENE (70% de desconto no imposto de renda). E haveria R$ 85 milhões de prejuízos fiscais prontos para serem ativados. Mas isso para 50 mil t/ano, embora a capacidade seja de 70 mil t/ano (o Brasil, lembremos, importa 70% do seu consumo de TiO2 para a indústria de pigmentos e plásticos, entre outras). Se chegar a produzir 60 a 70 mil t/ano, o ganho será ainda mais expressivo (e melhor ainda: a perspectiva de voltar a distribuir generosos dividendos).

Por fim, a questão do ácido sulfúrico segue pendente, o que explica parte do aumento expressivo do estoque. Esse material tem sido importado da Europa. Sua logística é sabidamente difícil e o armazenamento, no porto de Aratu (BA), pesa muito nos custos atuais. A saída seria a entrada em operação da fábrica de ácido sulfúrico da Unigel, no Polo de Camaçari (a menos de 20 km de distância). Viria daí uma economia expressiva em custos logísticos e estocagem – e isso seria um grande alívio na necessidade de capital de giro. A planta deve entrar em operação no 1º trimestre de 2026. Mas o momento financeiro da Unigel é delicado, e essa entrada em operação já foi postergada algumas vezes.

IV ) Ferbasa: alta de 18%. Com um mercado de ferroligas “frio” em preços (ferrocromo com ligeira recuperação nos últimos meses e ferrosilício operando levemente negativo), a novidade tem sido a situação delicada dos produtores de FeCr na África do Sul. Os altos custos e a (in)disponibilidade de energia têm tornado estes cada vez mais fracos – o que levou a joint venture Glencore/Merafe a reportar queda de 51% na produção de FeCr no acumulado de 2025. No momento, essa produção está 100% parada. A África do Sul é o maior exportador mundial de FeCr (80%) e a China, seu maior mercado. A lei da oferta e da demanda “costuma” ajustar os preços.

Outra surpresa foi a distribuição extraordinária de R$ 213 milhões (R$ 0,65 por ação) de JCP – divididos em duas tranches: a primeira, de R$ 0,22/ação, a ser paga em 5 de dezembro; a segunda, de R$ 0,43, virá em junho de 2026 (yield superior a 8% garantido).

Abrindo a temporada de resultados do 3° trimestre de 2025, esperamos sinalizações positivas de diversas investidas. Principalmente daquelas que têm sido constantemente relegadas pelo mercado – e às quais uma simples normalização (o que tem sido o caso da Kepler) pode trazer movimentos de preços interessantes.

Apesar da atual flutuação da B3 no seu topo histórico em reais, em dólares, a situação é bem outra: a defasagem nessa métrica é de cerca de 70% frente à máxima (mai/2008). Entendemos também que ainda não chegou fluxo em diversas Micro e Small Caps, o que pode significar movimentos vindouros de reprecificação de algumas teses com a chegada desses recursos. A porta pequena para a saída é menor ainda na entrada.


Renda Variável

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)

Em outubro, o Delphos avançou 8,3%, enquanto o IDIV subiu 1,8%. Essa foi a melhor performance mensal do fundo desde maio de 2023. Isso resultou em um alfa de 6,5 pontos percentuais. Apesar do forte desempenho mensal, o fundo segue com um desempenho negativo no ano (-9,4%, ante alta de 21,6% do referencial).

O mês teve alta relevante nas principais posições. Kepler Weber (5,4%), uma das maiores alocações, apresentou resultado trimestral que sinaliza a normalização dos resultados na ponta final (contribuição expressiva e muito bem recebida pelo mercado). Ferbasa (2,2%) e Metal Leve (1,8%) também ajudaram. As que não ajudaram foram São Martinho (-1,1%), Tupy (-0,8%) e Marcopolo (-0,7%) principalmente, num ambiente ainda seletivo para bens de capital e desafiador em açúcar e álcool.

O ano tem sido exigente, ainda mais em comparação com o IDIV. Mesmo assim, mantivemos a carteira fiel ao nosso processo, acreditando no valor das nossas empresas: foco em geração de caixa, balanços sólidos e assimetria de valor no tempo. O desempenho de outubro foi bom e reflete não uma mudança de direção, mas uma consistência de execução. Seguimos disciplinados, com paciência e convicção nas teses.

Desde o início (abril/2018), o Delphos acumula 146,6%, frente a 142,3% do IDIV.

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ 29.177.0240001-00)

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)

Em outubro, o Flagship 60 avançou 9%, ante um modestíssimo 0,4% do SMLL. Foi o melhor desempenho do fundo desde maio de 2023. Apesar do alfa de 8,6 pontos percentuais no mês, o fundo acumula queda de 9,7% no ano, ante alta de 27,9% do referencial na mesma comparação. Desde o início, o Flagship soma 170,3%, ante 28,7% do SMLL (significativos 141,6 pontos percentuais de alfa).

O mês foi positivo nas principais posições e o que mais puxou o desempenho foi o Agronegócio (6%). O da Kepler foi de longe o maior resultado mensal: 4,5% de contribuição, seguido do 1,5% da Três Tentos – que tem sinalizado margens melhores que as esperadas pelo mercado. Em Indústria Rodoviária e Autopeças, Metal Leve deu uma boa contribuição (1,2%). Pelo lado negativo, em Álcool e Açúcar, São Martinho (-0,7%) pesou mais uma vez, com os preços do açúcar voltando aos patamares de US$ 0,14/libra-peso; em Bens de Capital, Tupy também teve resultados negativos (-0,6%).

Outubro foi excelente para dar uma amostra do potencial das nossas empresas para destravar valor e da importância da paciência para investir. As teses continuam intactas. Leva tempo em alguns casos para o mercado enxergar a assimetria de valor. Mas ele acaba enxergando.

Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ 29.177.0240001-00)

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)

O “patinho feio” do mês foi o Parthenon, com recuo de 4,5%, ante o avanço de 2,3% do IBOV (deixando o fundo com 6,8 pontos percentuais de atraso). No ano, o Parthenon sobe 9,4% – o que, se não é ruim, não se compara, no entanto, aos 24,3% de ganho do referencial. Em 12 meses, o fundo entrega 8,3%, menos que os 15,3% do referencial. Desde o início, o Parthenon soma 13,2% (contra 17,8%).

No mês, só são mencionáveis Indústria, com Embraer (1,2%); e Energia, com Copel (modestos 0,4%). Em sentido contrário vieram Mineração, com Aura Minerals (-1,8%) após a arrefecida do ouro (que, mesmo assim, ainda fechou outubro com 5% de alta, enquanto a ação caiu aproximadamente 13%); e Indústria Rodoviária, com Marcopolo (-1,8%). Álcool e Açúcar também puxou para baixo (-1,2%). Marcopolo (ainda muito descontada) continua a apresentar resultados recordes, além de praticamente não ter dívida e ser excelente pagadora de dividendos.

A carteira segue concentrada em empresas líquidas e de qualidade, com maior presença de Mid Caps e participação relevante de Large Caps. Mantivemos o foco em negócios com geração de caixa consistente, vetores claros de crescimento e de capacidade de distribuir dividendos, com disciplina de alocação e busca de assimetria de valor. É o padrão para todos os nossos fundos.

O Parthenon é um dos fundos mais recentes da Trígono e oferece alta liquidez, com capacidade de investimento e resgate em D+5.

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ 52.924.5850001-30)

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)

Nosso fundo livre para investir em qualquer classe de ação (de Micro a Large Caps – não tem essa de pequena ou grande demais) avançou 4,4%, contra os esforçados 2,3% do Ibovespa – vantagem (para nós) de 2,1 pontos percentuais. No ano, os polos se invertem: o fundo recua 13% e o IBOV sobe saudáveis 24,3% até aqui. Desde o início (abr/2018), o fundo acumula ganho de 137,8%, frente a 91,4% do referencial.

O mês teve contribuições relevantes em Agronegócio (3,8%), destaque para Kepler; em Metalurgia e Siderurgia (1,2%), destaque para Ferbasa; e em Indústria Têxtil (+1,0%), com Pettenati. Metal Leve (1,3%) também ajudou.

Na contramão, Construção, Bens de Capital e Álcool e Açúcar pesaram no resultado. Entre os detratores estão, respectivamente, Eucatex (-0,8%), Tupy (-0,7%) e São Martinho (-0,6%).

A carteira segue posicionada onde vemos valor e assimetria no médio prazo, com predominância de Micro e Small Caps – mesmo com liberdade para investir nas grandes empresas da bolsa brasileira. Mantemos disciplina de alocação e convicção nas teses, priorizamos empresas com geração de caixa consistente e capacidade de distribuir resultados ao longo do tempo. EVA e dividendos são pilares importantes.

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ 08.968.7330001-26)

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)

Outro fundo “All Caps” da Trígono, o 70 Prev mantém 70% em renda variável e 30% em renda fixa, com foco em empresas de valor, fundamentos sólidos e espaço para crescer. Tudo isso preservando a mentalidade de longo prazo, o que é de se esperar de uma carteira previdenciária – além de explorar uma base de ativos pouco aproveitada pela maior parte dos fundos previdenciários. Somos uma alternativa de diversificação no portfólio previdenciário.

No mês, o fundo avançou 3,5%, contra 1,3% do “confortável” CDI. No ano, acumula queda de 3,5%, ante valorização de 11,8% do referencial. Em 12 meses, recua 5,2%, frente a 13,7% de ganho do CDI. Desde o início (set/2019), soma 72,9%, levemente acima dos 71,8% do CDI.

Contribuíram o Agronegócio – com destaque para Kepler (3,8%), que praticamente justificou toda a performance mensal; e Metalurgia e Siderurgia, com Ferbasa (2%). A Indústria de Autopeças também ajudou, com Metal Leve (+1,3%). Na outra ponta, Álcool e Açúcar pesou, com São Martinho (-1,3%), e houve impactos menores de Mineração, com Aura Minerals (-0,7%), e Indústria Rodoviária, com Marcopolo (-1%). A Aura reportou excelente resultado e esperamos recuperação do preço da ação. A seu favor ainda há a alta de mais de 50% do ouro neste ano (e o crescimento robusto da produção da companhia, que deve acelerar) e excelente pagadora de dividendos (yield de 7%)

No curto prazo, oscilações em relação às companhias investidas podem penalizar o histórico – mas seguimos confiantes em entregar aos cotistas a proposta do fundo. Com carteira de renda variável concentrada em apenas sete nomes, acreditamos estar bem-posicionados para gerar valor aos cotistas quando essas teses se materializarem. Quando? A ver.

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ 33.146.1300001-96)

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)

Outro destaque de outubro, o Icatu 100 avançou 4,1%, contra 2,3% do Ibovespa. No ano, o fundo recua 4,8% e, em 12 meses, 9,3%. Desde o início (jul/20), acumula avanço de 55,5% (mais que os 48,9% do referencial).

O mês foi de alta nas principais posições. Como nos demais fundos da casa, a Kepler puxou o resultado (aqui, em 4,1%). Em Metalurgia e Siderurgia, Ferbasa contribuiu com 1,9%. Em Indústria de Autopeças, Metal Leve trouxe 1,3% – beneficiada pelo mercado na Argentina e pela desvalorização do peso. No sentido inverso, o cenário desafiador de preços para Açúcar e Etanol ainda ganha tração – e a São Martinho sentiu (-1,3%). Outros nomes, como Eucatex, Aura e Tupy, “contribuíram” com -0,6% cada.

Seguimos fiéis ao mandato de previdência 100% renda variável, com carteira focada em dez empresas, todas atendendo aos seguintes atributos: geração de caixa, fundamentos sólidos e assimetria de valor no tempo.

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ 35.610.3420001-08)

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)   

O Icatu 70 mantém a estrutura 70/30 (70% em renda variável, 30% em renda fixa), buscando assimetria em companhias de menor capitalização e preservando a volatilidade compatível com uma carteira previdenciária.

Em outubro, o fundo avançou modesto 0,1%, ante proporcionalmente gigantescos 2,3% do Ibovespa. No ano, acumula 3% (ante 24,3% do referencial). Desde o início (mai/2023), soma 3,3%, bem atrás dos 35,8% do IBOV. Reiteramos nosso agnosticismo (para o bem ou para o mal) em relação ao benchmark, o que explica a não-correlação com os índices de mercado.

No mês, destaques positivos vieram de Agronegócio (com Kepler Weber) e Metalurgia e Siderurgia (com Ferbasa). A Indústria de Autopeças (com Metal Leve), Bancos (com Banco da Amazônia) também ajudaram. Entre os detratores, Mineração pesou com Aura Minerals; Álcool e Açúcar impactaram com São Martinho; e, em Industriais e Bens de Capital, houve pressão negativa com Marcopolo e Tupy.

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ 49.459.3450001-05)

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)

Grande destaque da Trígono em 2025, o Power segue com desempenho sólido mês a mês. Com proposta de extrair valor de empresas do ecossistema de energia (geradoras, transmissoras, eletrointensivas e fornecedores da cadeia), tem se beneficiado do bom momento do segmento de utilities.

Em outubro, o Power avançou 1,4%, enquanto o IEE subiu 3,2%. No ano, o fundo acumula 25,1% de ganho, contra 44,7% do índice – de janeiro a outubro, entregou desempenho positivo em oito meses. Em 12 meses, registra 22,9%, ante 29,6%. Desde o início, soma 34,9% frente a 36% do benchmark.

No mês, contribuíram Agronegócio, vindo da 3tentos a maior ajuda (2,6%), e Energia, com Copel e Emae (juntas, contribuindo com 2,4%). Na outra ponta, Mineração, com Aura Minerals, foi de longe o pior desempenho (-2,1%), refletindo as oscilações bruscas do ouro (comentado mais acima).

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ 40.265.1530001-85)

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)

Consolidando um bom desempenho em 2025 até aqui (apesar de estar atrás do SMLL), o Horizon avançou 2,5%, ante 0,4% do referencial – 2,1 pontos de vantagem. No ano, o fundo sobe 19,1%, enquanto aquele acumula 27,9% (8,8 pontos de diferença). Desde o início (set/2021), o fundo teve valorização de 3%, mesmo em um cenário desafiador para empresas de menor capitalização (por falta de fluxo para esta classe). Em comparação, o SMLL caiu 20,8% nestes pouco mais de 4 anos.

Kepler Weber, presente na maioria de nossos fundos, contribuiu com 1,8%, seguida de Indústria Têxtil – com a Pettenati (0,9%). Também contribuíram Bancos (Banco da Amazônia e BR Partners, juntos, puxaram 0,7% para cima). Na ponta negativa, Construção pesou, com Moura Dubeux (-1,1%) e Eucatex (-0,8%).

A carteira segue concentrada em Micro Caps, com diversificação entre setores em que vemos assimetria e espaço para criação de valor. Em Construção, mantemos a visão de execução consistente e demanda resiliente no Nordeste. Em Agronegócio, Kepler segue beneficiada por diversificação operacional e diversas avenidas de crescimento no setor de armazenagem. Em serviços financeiros, seguimos expostos a plataformas regionais e nichadas com bom histórico de capital alocado e excelência profissional.

Seguimos disciplinados: foco em empresas com fundamentos sólidos, governança próxima, tese clara de crescimento e potencial de expansão de múltiplos ao longo do tempo – isso tudo dentro de um nicho pouco explorado pelo mercado e onde encontramos as melhores oportunidades: empresas com capitalização abaixo de R$ 3 bilhões. Outubro foi um bom mês para a estratégia, reforçando o papel do Horizon como veículo de qualidade e baixa correlação dentro do universo de Micro Caps. E também como opção para aqueles que buscam diversificação e nomes pouco cobertos pelo mercado (apesar de seus excelentes resultados, como os vistos aqui).

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ 43.104.1340001-65)


Crédito Privado

TRÍGONO SIRIUS FLEX 5 FIC FI RF LP

O Trígono Sirius teve retorno de 1,17% em outubro (92% do CDI), acumulando 107% do CDI em 2025 e 105% desde seu lançamento. No mês passado houve impacto de uma correção no nível dos spreads de crédito, o que resultou em desempenho próximo ao do CDI no período.

O mercado secundário apresentou relativa estabilidade no nível de spreads em CDI + 1,7%, o que se vê no Idex-CDI Geral. A despeito da estabilidade do índice, no mercado secundário notamos variações relevantes em ativos de alguns emissores – e os que viram mais forte abertura de taxa no mercado foram: Companhia Brasileira de Distribuição (Grupo Pão de Açúcar); Simpar; CSN; e Viveo (antiga CM Hospitalar). São casos relacionados a empresas em situação desafiadora de fluxo de caixa e pressão de despesas financeiras devido ao nível elevado de juros. Por outro lado, alguns ativos, como as debêntures de DASA, Hapvida, Fleury e Claro, foram destaques positivos do mercado de crédito no mês.

Idex-CDI Geral - Spreads de Crédito (DI + ex - Distressed Companies)

Fonte: Idex-CDI Geral JGP – elaboração: Trígono Capital

Spread - CDI + de ativos br.AAA

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital

Nossa carteira mantém rating médio brAA+, com: 55% de ativos brAAA; 25% em brAA+; 10% em brAA; 8% em brAA- e apenas 1% em brA+. O carrego da carteira está em CDI + 1,14%.

Continuamos muito criteriosos e seletivos no mercado primário. Participamos nas emissões primárias de debêntures da Vix Logística, Let’s Rent a Car, Motiva e Equatorial – e nas emissões primárias de letras financeiras de Nubank, Banco Daycoval, Banco John Deere e Banco XP. Já no mercado secundário, seguimos com a estratégia de realizar lucro em ativos cujos spreads foram demasiadamente comprimidos (principalmente em alguns ativos bancários), para financiarmos as operações primárias.

A despeito das vendas de ativos bancários, nossa exposição ao setor financeiro ficou estável em 24% devido à entrada em algumas emissões primárias em outubro. Este movimento visa oxigenar a carteira, realizando ganho nos ativos com spreads excessivamente comprimidos devido ao fluxo de recursos dos últimos meses e realocando os recursos em emissões primárias cujos prêmios vejamos como mais atrativos. Porque tivemos liquidações primárias no fim do mês, o caixa em outubro encerrou em 4,6%.

Caixa (% PL)

Fonte: Trígono Capital

Ao fim de outubro, o Sirius tinha 78 ativos de crédito de 45 emissores diferentes, carrego de CDI + 1,14% e duration de 3,8 anos.

Nossa principal exposição (24%) é ao setor financeiro/bancário – composta por bancos de primeira linha e bancos ligados a grupos internacionais sólidos. Em seguida vêm exposições relevantes em Saneamento (12%) e Energia Elétrica (11%), setores com demanda resiliente – logo, fluxo de caixa previsível.

Concentração por Setor - Top 5 (% PL)

Fonte: Trígono Capital

Seguimos bastante confiantes de que os juros elevados por período prolongado, bem como as incertezas geopolíticas e tarifárias, manterão o fluxo de recursos positivos para a classe de crédito privado ao longo do ano. O relatório consolidado diário da Anbima para fundos de investimento mostra retomada da captação nos fundos de Renda Fixa, ante meses anteriores com captação líquida modesta ou negativa. Os dados da Anbima, lembremos, estão sujeitos à reapresentação pela Associação. Esse fluxo positivo de recursos contribui para manutenção dos spreads de crédito em patamares comprimidos. Entendemos que, enquanto a taxa Selic se mantiver elevada, a classe deverá seguir com captação líquida positiva.

Captação Líquida - Outubro (R$ Milhões)

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital / *Dados sujeitos à reapresentação pela Anbima

Captação Líquida Mensal - Renda Fixa (R$ Bilhões)

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital

Captação Líquida Anual - Renda Fixa (R$ Bilhões)

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital / *Dados sujeitos à reapresentação pela Anbima

Conforme mencionado em meses anteriores, o cenário de juros elevados por um período prolongado impõe desafios para empresas com estrutura de capital alavancada e empresas com resultados cíclicos. Vê-se isso no pedido de recuperação judicial da Ambipar (deferido em 30 de outubro) e na contratação de assessores financeiros e jurídicos pela Braskem para sua reestruturação de capital (movimento entendido pelo mercado como antessala de uma recuperação judicial ou extrajudicial). Também aqui, lembremos: não temos nem tivemos, na Trígono Capital, exposição a qualquer dessas empresas. Frente a este cenário de incertezas e custo de capital mais elevado, reforçamos nossa convicção de que um portfólio premium no segmento de ativos high-grade (de melhor qualidade de crédito) segue como a melhor estratégia. É desnecessário mencionar a importância de monitorar de perto e frequentemente a evolução da qualidade creditícia dos emissores.


TRÍGONO POLARIS DEBÊNTURES INCENTIVADAS FIC FI RF

O Polaris teve retorno de -0,76 % em outubro. No acumulado de 2025 até outubro, o fundo supera o IMAB-5 por 172 bps. O Patrimônio Líquido da estratégia fechou o mês com R$ 43 milhões sob gestão. Ao final do mês, alocamos em oportunidades nos mercados primário e secundário – do que resultou uma redução do caixa, de 11,4% para 2,8%, e, consequentemente, um aumento na duration do fundo para 5,2 anos. Segue vigente a estratégia de longo prazo de encurtar a duration.

Caixa (% PL)

Fonte: Trígono Capital

Nosso desempenho mensal foi impactado majoritariamente pela correção no nível dos spreads de crédito. No mês, a curva de NTN-Bs teve um achatamento: abertura da taxa da NTN-B 2026 e leve fechamento ou estabilidade dos demais vértices. Em contrapartida, o mês teve correção no nível dos spreads de crédito, principalmente para os papéis com duration mais elevada.

NTN-Bs (taxa indicativa, %)

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital

Spread - IPCA + de ativos br.AAA

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital

Concentração por Tipo de Ativo (% PL)

Fonte: Trígono Capital

Por entendermos que o mercado de crédito teve uma reação negativa exagerada no nível dos spreads das debêntures de Cosan e Raízen, ao longo de setembro e de outubro aumentamos nossa exposição a estes emissores. A despeito dos desafios que ambos apresentam, entendemos que realizarão os ajustes necessários em estrutura de capital e com venda de ativos. No caso da Cosan, tal alocação já rendeu fruto – os ativos entregaram fechamento superior a 150 bps após o anúncio do follow-on ancorado pelo banco BTG Pactual e pela Perfin. Para a Raízen, acompanhamos as evoluções para capturarmos os ganhos.

No mercado, presenciamos novamente um estreitamento dos spreads de crédito do Idex-Infra Core, impactados pela corrida por investimentos isentos ante a possibilidade de aprovação da MP 1303/2025 (os spreads do índice passaram de -0,32% para -0,42%). A despeito da não aprovação e da caducidade da MP – e da consequente manutenção da isenção fiscal para todos os títulos isentos –, entendemos que os títulos seguirão atrativos para os investidores, em vista das alternativas. No entanto, observamos uma abertura relevante de spreads no mercado após o desfecho da MP citada acima. A nosso ver, isso mostra racionalidade e disciplina do mercado. Não obstante, entendemos que a classe de ativos seguirá demandada – haja vista a atratividade que a isenção fiscal exerce em um ambiente de Selic elevada.

Index-Infra Core - Spreads de Crédito (Bps - NTN-B)

Fonte: Idex-Infra Core JGP – elaboração: Trígono Capital

Polaris - Spread de Crédito (Bps - NTN-B)

Fonte: Trígono Capital

Ao final de outubro, o fundo tinha 80 ativos de crédito, carrego de IPCA + 8,31% ao ano (equivalente a NTN-B 2032 +0,48%), rating médio de brAA+ e duration de 5,23 anos. A carteira continua setorialmente diversificada, mais exposta a Energia Elétrica (30%), Saneamento (13%), Transporte e Logística (12,5%) e Agronegócio (10%).

Concentração por Setor - Top 5 (% PL)

Fonte: Trígono Capital

Nossa estratégia permanece intocada: manter a carteira com elevada qualidade de crédito, sem incorrer em riscos de projeto (o fundo só incorre em risco de crédito corporativo). Dado o cenário macroeconômico ainda muito desafiador para empresas com os juros em patamares altos, julgamos prudente a alocação exclusiva em riscos corporativos.

Seguimos confiantes em nossa combinação única para a classe de ativos – e bastante oportunística para o investidor pessoa física: (i) continuidade da isenção fiscal; e (ii) nível elevado de juros reais das NTN-Bs (acrescidos de spread de crédito). Tais fatores, combinados ainda à elevada qualidade de crédito da carteira do Polaris, nos permitem seguir com uma visão otimista para o fundo.


Equipe de Crédito Privado da Trígono Capital

Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital

Marcelo Antonio Tramontina Peixoto, CGA — Head e Gestor de Crédito Privado

Rômulo Bredt, CGA, CNPI — Cogestor e Analista de Crédito Privado

Larissa Marrocos Resende Villar – Analista de Crédito Privado

Eric Gordon Findlay – Analista de Crédito Privado

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