Setembro foi mais um mês de recordes para a bolsa brasileira. O Ibovespa ficou perto dos 146 mil pontos. As bolsas globais seguiram a mesma direção – Nasdaq, Nyse e Russell 2000 (índice americano que engloba 2 mil empresas de pequena capitalização) navegaram nas máximas.
Mas o que parece otimismo não vem sem certas doses de incerteza e preocupação. O tom macro é de cautela, com incertezas fiscais que preocupam local e internacionalmente – e os EUA parecem prestes a se tornarem o personagem principal da peça.
Outubro começou com o governo federal norte-americano em shutdown – resultado da falta de acordo entre congressistas republicanos e democratas quanto ao orçamento federal. Sem acordo, o custeio da máquina pública seca e serviços não essenciais entram em suspensão. Economistas estimam que cada semana de paralisação tira cerca de 0,1% do PIB. No mês, quase 0,5% se vão.
Hoje, o déficit federal dos EUA já se encontra entre 6% e 7% do PIB. São percentuais perigosos se forem mantidos, mesmo para a principal economia do mundo. Isso, mais a guerra comercial com as saraivadas de tarifas que têm caracterizado o governo Trump 2, tem tirado peso do dólar. Visto por outro ângulo, isso tem movimentado o mercado global na direção de ativos reais.
Por exemplo:
- Ouro vai de máxima em máxima – coisa de US$ 3.900/onça.
- Bolsas nos picos – as citadas acima, Dow, DAX (Alemanha) e outras.
- Real Estate atrai capital em diversas regiões – Américas e EMEA (Europa, Oriente Médio e África, na sigla em inglês) principalmente.
- Bitcoin: apesar da polêmica, tem ganhado força (atingindo US$ 119 mil).
E tivemos ainda o Fed (Federal Reserve, BC dos EUA) abrindo o ciclo de cortes em seu juro básico: foi uma redução de 0,25 p.p. (ponto percentual), para uma faixa de 4% a 4,25%. Se será mesmo um ciclo de cortes, ainda vai-se ver – mas sinaliza que a atividade pode estar desacelerando. Essa redução ajudou no fluxo local, atraindo recursos estrangeiros na bolsa brasileira: foram R$ 5,3 bilhões em setembro, elevando o total do ano para R$ 27,7 bilhões. Institucionais locais retiraram R$ 9,2 bilhões no mês passado (e R$ 43 bilhões no ano).
Nossos fundos, no geral, tiveram mais um mês de desempenho misto. Alguns foram bem, obrigado, outros estão no vermelho (principalmente os mais expostos a Bens de Capitais e Agronegócio, mais uma vez). No lado do bom desempenho ficaram Parthenon (3,4% – igual ao IBOV), Power Yield (4,8% vs 4,5% do IEE) e Horizon Micro Caps (2,1% – acima do 1,6% do SMLL). Decepcionaram Delphos (-4,9% vs 2,8% do IDIV), Flagship 60 (-3,9% contra 1,6% do SMLL) e Verbier (-3,8% ante 3,4% do IBOV).
Outubro também abre a temporada de balanços trimestrais de jul/set, a serem divulgados mais para o fim do mês. Nossa visão, ao menos para as principais investidas, é de continuidade do visto no 2º trimestre, com o setor de Bens de Capitais (Tupy, Schulz e Metal Leve). A Tupy deverá ser o ponto de atenção, especialmente por sua exposição maior ao mercado norte-americano. Por lá, as vendas de caminhões enfrentam desaquecimento com a atividade econômica mais fraca. Juros altos e menor demanda por logística reduzem a disposição das empresas para expandir ou renovar frotas.
O setor tem sido duramente penalizado pelo mercado. Veja-se a Weg: não a temos nas carteiras, mas trata de um exemplo de empresa excelente, com bons resultados e que ainda assim amarga queda de 30% no preço de suas ações neste ano. O IBOV avança de recorde em recorde, basicamente refletindo o fluxo de estrangeiros e alocadores locais para as empresas maiores e mais líquidas dos índices locais, ETFs e índices internacionais. O mercado tem sido norteado basicamente por fluxo.
Seguimos atentos aos resultados e oportunidades em outras companhias. Como de praxe, comentaremos em detalhes os resultados em lives e resenhas futuras.
Renda Variável
Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)
Em setembro, o Delphos recuou 4,9%, enquanto o IDIV avançou 2,8%. No ano, o fundo acumula recuo de 16,3%, ante alta de 19,5% do referencial. Resultado do ambiente desafiador de curto prazo para o perfil de negócios em que investimos.
O mês teve oscilação mais forte entre as principais posições. Kepler Weber, uma das maiores alocações do portfólio, teve queda (-1,6%) no período; a tese permanece ancorada no papel estratégico da companhia no pós-colheita e no déficit estrutural de armazenagem no Brasil, além da visão construtiva para o agronegócio no médio prazo. Enxergamos uma tese que pode ser sensível a uma eventual queda de juros, o que destravaria diversos negócios. Destacamos a safra recorde neste ano: 345 milhões de toneladas – um avanço de 16% (ou 48 milhões de grãos acima da safra 23/24). Para a safra 25/26 já se espera desempenho ainda maior, devido à expectativa de condições climáticas favoráveis.
A Tupy também esteve entre os maiores detratores do mês (também com queda de 1,6%). O desempenho reflete um ambiente ainda mais seletivo para bens de capital e a leitura mais cautelosa para veículos pesados no exterior (especialmente no mercado americano), fatores que tendem a aumentar a volatilidade de curto prazo (mas que não alteram o racional de longo prazo). Riosulense e Metal Leve (ambas com queda de 0,5%) também puxaram para baixo o resultado do mês – embora parte relevante de suas receitas esteja no after-market (reposição), beneficiado pelo envelhecimento da nossa frota de veículos.
Houve desempenhos positivos pontuais – Banco da Amazônia (0,2%) e Ferbasa (0,1%) –, mas insuficientes para se contrapor aos detratores. Desde seu início (abr/2018), o Delphos entrega retorno de 127,8%, contra 138,1% do IDIV (reflexo das janelas desafiadoras enfrentadas nos últimos trimestres).

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)
Em setembro, o Flagship 60 recuou 3,9%, enquanto o SMLL avançou 1,6%. No ano, o fundo acumula recuo de 17,1%, ante ganho de 27,3% do referencial. Desde seu início (abr/2018), o Flagship acumula retorno de 148,1%, ante modestos 28,2% do SMLL.
Agronegócio (−1,8%) e Bens de Capital (−1,1%) tiveram as maiores quedas, resultado dos desempenhos negativos principalmente de Kepler Weber (−1,4%), Tupy (−1,1%), Três Tentos (−0,4%), Schulz (−0,4%) e Metal Leve (−0,3%). Pelo lado positivo vieram EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia: 0,5%), no setor de Energia, e o setor de Construção (0,3%), com uma nova integrante.
As teses seguem intactas: em Kepler, permanecemos ancorados no papel central no pós-colheita e no déficit estrutural de armazenagem; em Tupy/Schulz/Metal Leve, seguimos focados em geração de caixa, disciplina alocativa, capacidade de distribuição e na biomobilidade (cientes de que períodos de menor liquidez e questões setoriais aumentam a volatilidade de curto prazo – sem, no entanto, alterar o racional de longo).

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)
No mês, o Parthenon avançou 3,4%, em linha com o IBOV no período. No ano, o fundo acumula ganho de 14,5% – bom desempenho, mas atrás do referencial (IBOV: 21,6%) por ter baixa exposição aos setores Bancário e de Energia (que, juntos, representam 13,2% de alta do índice no ano). Em 12 meses, no entanto, nosso fundo entregou retorno de 11,5% (ante 10,9% do IBOV) e, desde seu início (dez/2023), teve valorização de 18,5% (vs 15,2%).
Aura Minerals, uma das principais posições da carteira e menos correlacionada ao IBOV, foi o principal destaque do mês: ganho de 2,9%. Refletiu os recordes na cotação do ouro, já em US$3.900 por onça (alta de cerca de 50% apenas em 2025). Construção (0,9%), representada por Cyrela, e Indústria Aeronáutica (0,6%) pela Embraer, foram os principais destaques.
Na outra ponta, o desempenho foi parcialmente pressionado pelos setores de Indústria Rodoviária (-0,6%) e Álcool/Açúcar (-0,4%). As quedas foram pontuais e inferiores ao ganho observado nos principais vetores positivos do mês.
A carteira permanece focada em empresas líquidas e de qualidade, com maior exposição a Mid Caps e presença relevante de Large Caps. Privilegiamos negócios com geração de caixa consistente, vetores claros de crescimento e capacidade de distribuição de dividendos. Mantemos a disciplina de alocação, com ênfase em teses em que vemos valor e assimetria.
O Parthenon é um dos fundos mais recentes da Trígono. Destaca-se pela elevada liquidez (média diária de mais de R$ 200 milhões por empresa) aliada a uma grande capacidade de investimento e resgate em D+5 (prazo bastante curto), oferecendo liquidez aos investidores.

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)
Setembro foi mais um mês de desafios para o Verbier, que recuou 3,8% (contra avanço de 3,4% do Ibovespa). No ano, o fundo acumula recuo de 16,7% (vs alta de 21,6% do referencial). Em 12 meses, tem desvalorização de 20,6% (ante alta de 10,9% do IBOV) mas, desde seu início (abr/2018), avançou 127,7% (vs 87,2% – alfa de 39,5 pontos percentuais).
O mês refletiu o desempenho negativo de algumas das principais posições do portfólio. Entre os detratores, destacaram-se Tupy (−1,4%), Kepler Weber (−1,2%), Schulz (−0,4%), Metal Leve (-0,3%) e Marcopolo (−0,2%). No agregado setorial, as quedas foram mais concentradas em Bens de Capital, segmento mais sensível ao cenário externo e ao ambiente atual. Do lado positivo, as contribuições foram bem tímidas. O setor Químico deu leve contribuição (0,1%).
A carteira segue posicionada onde enxergamos valor e assimetria no médio prazo, com maior peso em micro caps (≈74%) e small caps (≈25%) e em nomes nos quais vemos geração de caixa sólida e capacidade de distribuição. Mantemos disciplina de alocação e convicção nas teses centrais, como Eucatex, Schulz, Kepler Weber, Metal Leve e Tupy. Entendemos que a volatilidade de curto prazo não altera os fundamentos de longo prazo que norteiam a estratégia da Trígono.

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)
Outro fundo all caps da Trígono, o 70 Prev mantém 70% alocados em renda variável e 30% em renda fixa. A filosofia é de mais concentração em companhias com histórico de geração de valor, fundamentos sólidos e espaço para crescimento, mesmo em ambiente de juros ainda elevados. Isso sem abrir mão da mentalidade de longo prazo (vital para uma carteira previdenciária).
Em setembro, o fundo caiu 1,3%, contra generoso ganho de 1,2% do CDI. No acumulado de 2025, o fundo acumula perda de 6,7%, contra avanço de 10,4% do benchmark.
Entre os destaques negativos do mês vêm Kepler Weber (-1,2%) e Tupy (-1,1%), ambas do setor que mais tem penalizado nossos fundos no ano: Agronegócio e Bens de Capital. Do lado positivo, Aura Minerals (1,6%) segue atenuando os resultados negativos. Desde seu início (set/2019), o 70 Prev acumula valorização de 67,3%, levemente abaixo dos 69,6% do CDI.

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)
O Icatu 100 registrou queda de 2,6% em setembro, ante os saudáveis 3,4% já mencionados do Ibovespa. No acumulado de 2025, o fundo cai 8,6%, enquanto o referencial sobe 21,6%. Entre os destaques negativos, Kepler Weber (uma das principais posições do portfólio) recuou 1,2%. Outras duas posições importantes que penalizaram o desempenho foram Tupy (-1,2%) e Marcopolo (-0,4%). O setor de Mineração (com Aura Minerals), avançou 1,5%, na única contribuição positiva do mês.
O fundo segue fiel ao seu mandato: 100% exposto à renda variável, com cerca de dois terços em micro caps e o restante dividido entre small caps e mid caps. Trata-se de característica rara no universo previdenciário: proporcionamos diversificação real e baixa sobreposição em relação a fundos tradicionais. Desde seu início (jul/20), o Icatu 100 acumula valorização de 49,4%, contra 45,6% do Ibovespa.

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)
O Icatu 70 mantém a estrutura clássica 70/30 (70% em renda variável, 30% em renda fixa), proporcionando exposição à filosofia da Trígono com volatilidade menor que a de um fundo 100% ações. A carteira de renda variável continua concentrada em companhias de menor capitalização: praticamente toda a parcela em renda variável está em small caps e micro caps (em large caps, só uma fatia residual). Sustentamos a convicção de que as maiores oportunidades de assimetria seguem nas faixas inferiores de mercado.
O desempenho no mês foi levemente positivo (0,7%), mas abaixo dos já citados 3,4% do IBOV. O setor de Mineração foi o alento do mês (1,8%), com a Aura Minerals. Na contramão vieram Bens de Capital (-0,6%), Agronegócio (-0,5%) e Álcool/Açúcar (-0,2%).
Por conta da exposição maior a small caps do setor de Bens de Capital e Agronegócio, o fundo tem deixado a desejar em 2025: a alta acumulada foi de 3% – enquanto o Ibovespa entrega 21,6%. Desde seu início (mai/2023), o retorno é de 3,2% (contra 32,8% do IBOV no período).

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)
Um dos melhores fundos da Trigono em 2025, o Power alcançou mais um mês positivo: 4,8%. O setor de Mineração foi o motor mais uma vez – sozinho, contribuiu para uma alta de 3,9%. A Aura Minerals subiu mais uma vez (18,5% no mês) e acumula alta de nada mais nada menos que 160% no ano. Resultado da combinação de crescimento operacional e preços recordes do ouro (no início de nossa tese, era a derivada secundária; agora, passa a principal), além do crescimento de suas operações.
O setor de Energia teve ganho de 1,7%. Do lado negativo, Agronegócio foi praticamente o único detrator (-0,8%).
A alta no ano é de 23,4% – mas esta brilha menos que os 40,3% do IEE. Mas supera os 21,6% do IBOV. Desde seu início (fev/2021), o Power acumula alta de 33%, contra 31,9% do benchmark. O foco do fundo é selecionar empresas ligadas à Energia nas suas mais diversas formas – ou seja, que se beneficiam direta ou indiretamente da transição energética (além de eletrointensivas, geradoras e fornecedoras da cadeia de energia).

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)
O Horizon Microcap completou quatro anos em setembro, e o presente foi uma alta de 2,1% – leve, mas ainda assim ligeiramente acima do 1,6% do SMLL. No ano, sobe 16,2%; apesar de uma alta contundente, está abaixo do SMLL (27,3%).
A diferença positiva se deu em grande parte por conta do forte desempenho do setor de Construção (2,2%), puxado praticamente pela Moura Dubeux, que tem entregado excelentes resultados e busca acelerar sua presença no MCMV ao unir forças com a Direcional em uma joint venture para preencher as lacunas demandadas no Nordeste. Mesmo após a alta de 162% no acumulado de 2025, estimamos que a empresa ainda negocie abaixo de 6,0x o lucro para 2026. A empresa atua no Nordeste, especialmente nas grandes capitais, onde enfrenta menos concorrência e se apresenta como alternativa de diversificação em seu setor.
O setor Bancário teve ganho de 0,6%, puxado pelo BR Partners – recém listado na Nasdaq via ADR. Tem atraído investidores estrangeiros com uma tese de reprecificação de múltiplos, dada a boa qualidade do banco de investimento. Já os vilões do mês foram Agronegócio (-0,4%) e Açúcar/Álcool (-0,3%).
Com foco em micro caps, o Horizon busca empresas com valor de mercado inferior a R$ 3 bilhões. O fundo tem, assim, uma carteira diversificada de companhias com elevado potencial de valorização. A estratégia é identificar negócios pouco acompanhados pelo mercado, mas com fundamentos sólidos, qualidade de gestão e capacidade de geração de valor no longo prazo. Com isso, o Horizon oferece ao investidor uma alternativa diferenciada e diversificadora, com potencial de retorno elevado e baixa correlação com os principais índices de mercado.
No acumulado desde seu lançamento, em 2021, há leve alta de 0,5% – bem melhor que os abismais 21% de recuo do índice SMLL no período. O referencial, não custa lembrar, é composto pelas mais líquidas e maiores empresas do segmento small caps (que até meados deste ano enfrentou forte aversão por parte dos investidores).

Crédito Privado
TRÍGONO SIRIUS FLEX 5 FIC FI RF LP
O Trígono Sirius teve retorno de 1,41% em setembro (115% do CDI), acumulando 109% do CDI em 2025 e 106% desde seu lançamento. O mês de setembro foi marcado pelo fechamento de spread de crédito, principalmente em Cosan, Localiza e Armac, que ao longo do mês de agosto haviam apresentado abertura.
O mercado secundário apresentou relativa estabilidade no nível de spreads em CDI + 1,70%, evidenciado pelo Idex-CDI Geral. A despeito desta estabilidade do índice, no mercado secundário notamos variações relevantes em ativos de alguns emissores. Se por um lado o mês teve um fechamento generalizado de taxas dos ativos da Cosan após o anúncio de follow-on de R$ 10 bilhões na empresa. Por outro lado, o mercado começou a sofrer com uma possível recuperação extrajudicial ou judicial da Braskem e o pedido de medida cautelar da Ambipar para se proteger enquanto tenta negociar uma solução com os credores. Importante mencionar que os índices continuam a apresentar uma grande dispersão com emissores com spreads bastante comprimidos e os mais alavancados com ampliação relevante nos prêmios de risco.

Fonte: Idex-CDI Geral JGP – elaboração: Trígono Capital
Nossa carteira mantém o rating médio brAA+, com: 58% de ativos brAAA; 22% em brAA+; 13% em brAA; 6% em brAA- e apenas 1% em brA+. O carrego da carteira está em CDI + 1,02%.
Continuamos muito criteriosos e seletivos no mercado primário, tendo participado nas emissões primárias de debêntures da Energisa e da B3, além da emissão primária de letra financeira do Banco RCI. Já no mercado secundário, seguimos com a estratégia de realizar lucro em ativos cujos spreads foram demasiadamente comprimidos, principalmente em ativos bancários.
Reduzimos nossa exposição ao setor financeiro de 31% para 24% ao longo do mês de setembro. Este movimento foi motivado pela compressão excessiva dos spreads devido ao fluxo de recursos dos últimos meses. Adicionalmente ao aumento de caixa, aumentamos a exposição em Mills, Iochpe-Maxion e Rede D’Or objetivando capturar prêmios relativamente atrativos frente aos pares, conforme apontado em nosso modelo proprietário de precificação relativa.
Ao fim de agosto, o Sirius tinha 70 ativos de crédito (de 41 emissores diferentes), carrego de CDI + 1,02% e duration de 3,6 anos.
Nossa principal exposição (24%) é ao setor financeiro/bancário – composta por bancos de primeira linha e bancos ligados a grupos internacionais sólidos. Em seguida vêm exposições relevantes em Saneamento (13%) e Energia Elétrica (12%), setores com demanda resiliente e, consequentemente, fluxo de caixa previsível.

Fonte: Trígono Capital
Seguimos bastante confiantes de que juros elevados por período prolongado bem como as incertezas geopolíticas e tarifárias manterão o fluxo de recursos positivos para a classe de crédito privado ao longo do ano. Os dados reportados pela Anbima em seu relatório consolidado diário de fundos de investimento demonstram uma retomada da captação nos fundos de Renda Fixa, ante a meses anteriores com captação líquida modesta ou negativa – cabe destacar que estes dados da Anbima estão sujeitos à reapresentação pela Associação. Este fluxo positivo de recursos contribui para a manutenção dos spreads de crédito em patamares comprimidos. Entendemos que, enquanto a taxa Selic se mantiver em nível elevado, a classe deverá seguir com captação líquida positiva.

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Anbima – elaboração: Trígono Capital
OBS: os dados do gráfico estão sujeitos à reapresentação de dados pela Anbima.
Conforme já havíamos mencionado em meses anteriores, o cenário de juros elevados por um período prolongado impõe desafios para empresas com estrutura de capital alavancada e empresas com resultados cíclicos. A medida cautelar concedida à Ambipar Participações para se proteger dos seus credores e a contratação de assessores financeiros e jurídicos pela Braskem para reestruturar sua estrutura de capital foram entendidas pelo mercado como antecessores a pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial – cabe destacar que não temos e nunca tivemos exposição às empresas mencionadas. Frente a este cenário de incertezas e custo de capital mais elevado, reforçamos nossa convicção de que um portfólio premium no segmento de ativos high-grade (de melhor qualidade de crédito) continua sendo a melhor estratégia a ser perseguida. Desnecessário mencionar a importância de monitorar de perto e frequentemente a evolução da qualidade creditícia dos emissores.
TRIGONO POLARIS DEBENTURES INCENTIVADAS FIC FI RF
O Polaris teve retorno de 1,97% em setembro, superando o seu benchmark IMA-B5 por 131 bps. No acumulado do ano 2025 o fundo supera o IMAB-5 por 369 bps, um retorno equivalente a 116% do CDI. O Patrimônio Líquido da estratégia fechou o mês com R$ 44 milhões sob gestão. Continuamos encurtando a duration do fundo, que passou de 4,7 para 4,6 anos ao final de setembro.
Nosso desempenho mensal foi resultado majoritariamente proveniente do fechamento de spreads de crédito. A curva de NTN-Bs teve movimento achatamento da curva: abertura da taxa dos títulos públicos com vencimento entre 2027 e 2035 e modesta redução de taxa dos títulos com vencimento entre 2040 e 2060.

Fonte: Quantum – elaboração: Trígono Capital
Continuamos com a estratégia de encurtar a duration do fundo, através da venda de ativos mais longos e com spreads bastante comprimidos. O fechamento dos spreads, e o aumento tático da posição de caixa de 8,0% para 11,4%; resultou em um decréscimo no carrego do fundo de IPCA+ 8,10% para IPCA + 7,71%. Embora tenhamos diminuído a alocação em debentures incentivadas de 71% para 68,5% do fundo, permanecemos com alguma folga em relação ao mínimo exigido pela regulação: 67% para fundos entre 6 meses e 2 anos de vida. Seguimos com as alocações seletivas no fundo (e sem pressa para atingir os 85% que passam a ser obrigatórios só em fevereiro de 2026).

Fonte: Trígono Capital
Com as ações acima, o Polaris encontra-se com spread de -19 bps em relação à NTN-B 2030 (título público atrelado ao IPCA, com duration mais próxima à do fundo). No mercado, presenciamos a aceleração do estreitamento dos spreads de crédito do Idex-Infra Core, claramente impactados pela demanda por investimentos isentos frente a MP 1303/2025 (de 0,00% para -0,32%). A despeito da incerteza com relação à manutenção da isenção fiscal para as debêntures incentivadas ou a sua possível tributação em 5% a partir de 1º de janeiro de 2026, entendemos que os títulos seguirão atrativos para os investidores relativamente às alternativas de investimento. Sendo assim, entendemos que ao longo desse segundo semestre de 2025 a pressão compradora nestes títulos deve ser mantida.

Fonte: Idex-Infra Core JGP – elaboração: Trígono Capital

Fonte: Trígono Capital
Ao final de agosto, o fundo tinha 76 ativos de crédito, carrego de IPCA + 7,71% ao ano (equivalente a NTN-B 2030 -0,19%), rating médio de brAA+ e duration de 4,61 anos. A carteira continua setorialmente diversificada, mais exposta a Energia Elétrica (29%), a Saneamento (14%), Agronegócio (10%) e ao setor Financeiro (9%).

Fonte: Trígono Capital
Nossa estratégia permanece intocável, manter a carteira com elevada qualidade de crédito, sem incorrer em riscos de projeto (o fundo só incorre em risco de crédito corporativo). Dado o cenário macroeconômico e ainda muito desafiador para as empresas com juros em patamares elevados, julgamos ser prudente a alocação exclusiva em riscos corporativos.
Seguimos confiantes de que temos uma combinação única para a classe de ativos e bastante oportunística para o investidor pessoa física: (i) possível continuidade da isenção fiscal; e (ii) nível elevado de juros reais das NTN-Bs (acrescidos de spread de crédito). Estes fatores combinados com a elevada qualidade de crédito da carteira do Polaris, nos permite seguir com uma visão otimista para o fundo.
Equipe de Crédito Privado da Trígono Capital
Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital
Marcelo Antonio Tramontina Peixoto, CGA — Head e Gestor de Crédito Privado
Rômulo Bredt, CGA, CNPI — Cogestor e Analista de Crédito Privado
Larissa Marrocos Resende Villar – Analista de Crédito Privado
Eric Gordon Findlay – Analista de Crédito Privado
Gabriel Russo de Moraes – Estagiário de Crédito Privado




