Prezados leitores e investidores,
Sim, o leitor talvez tenha pensado ao ver o título da Resenha: o tema deste mês não prima pela originalidade. Aproximar investimentos e jogos é algo que muitos livros tentam – vejamos, por exemplo, O Jogo Infinito, de Simon Sinek (Sextante, 2019); Soccernomics: Por que o futebol explica o mundo (Tinta Negra, 2010), de Simon Kuper e Stefan Szymanski; e mesmo O Jogo Interior do Tênis (Edipro, 2019, mas a publicação original é de 1974), de W. Timothy Gallwey. E coincidência, matéria de O Estado de S. Paulo do dia 7 de abril “Craques do futebol declaram amor pelo xadrez”, como Antoine Griezman, Haaland, Salah e Harry Kaine são alguns craques que se dizem “viciados” pelo jogo. O livro “Pep Guardiola Confidencial” (de Martí Perarnau) detalha como técnico vê o futebol como um campo de estratégia, comparando frequentemente o futebol a um tabuleiro de xadrez. O treinador do Manchester United utiliza conceitos do xadrez para estruturar suas equipes, focado no posicionamento posicional, controle espacial e movimentação de peças. Guardiola é um grande admirador de Garry Kasparov (vide mais a frente) e já se encontrou com ele para discutir estratégias de jogo. O livro ilustra como essa visão estratégica foi crucial em sua primeira temporada no Bayern de Munique, onde implementou suas ideias complexas. Para os amantes do futebol e xadrez o livro perfeito, a para nós investidores, mais uma oportunidade de aprender com aqueles que fizeram e fazem a diferença “pensando fora da caixa”.
Muitas vezes, a aproximação que mencionamos nem é intenção do autor; o caso é que tais livros comunicam algo que transcende o mundo do esporte, ou pelo menos encontra leitores que veem/descobrem aplicação dos princípios expostos ao universo das finanças.
É justo então que comecemos a Resenha com alguma explicação. Afinal, gostaria que o texto que o leitor ora acompanha não se perca entre um mar de títulos, muitos deles excelentes e que ofuscam este pequeno texto, mas vale a ousadia de tenta marcar um “tento” (termo futebolístico tão bem usado por Nelson Rodrigues para falar do gol).
Esta Resenha nasceu da inspiração trazida por dois eventos cuja relação, se houver, não é óbvia: o lançamento do livro escrito pelo meu avô em 1936 e a crise geopolítica originada no Oriente Médio. A preparação da Resenha demandou pesquisa, reunião de livros e outros materiais, trabalho que renderia mesmo um livro. Por ora, ficaremos com a Resenha.
Werner, está divagando de novo…
Perdão, caro leitor. Pois bem: livros sobre xadrez, os relacionados estritamente ao jogo são um gênero em si mesmo, enchem bibliotecas. Aqui, vamos citar o livro do já citado Garry Kasparov, campeão mundial de xadrez em 1985, o mais jovem até então, com 22 anos de idade. O título não prima exatamente pela criatividade: Aprenda Xadrez Com Garry Kasparov (Ediouro, 1997).
Transcrevo uma pequena parte da Lição 1:
“Mesmo quando eu analiso aquilo que já fiz e traço planos para o futuro, não consigo deixar de me impressionar diante da inesgotabilidade do xadrez, e de me tornar cada vez mais convencido da sua imprevisibilidade.”
Essa passagem é particularmente interessante porque acredito que investimentos estão perfeitamente alinhados com o que Kasparov escreveu sobre o xadrez, sobre infinitas possibilidades e incertezas, o que é simplesmente o “bread and butter” de qualquer investidor, e mais ainda no cenário atual. E o investidor deveria agir como um jogador de xadrez, que, como diz Kasparov no livro, jamais deixa de estudar, aprender e evoluir. Nem os computadores mais modernos e nem a IA conseguem (ainda; talvez nunca consigam) desvendar e elucidar todas as possibilidades para se chegar a um xeque-mate.
A respeito da história deste jogo, a maioria dos termos de xadrez, usados pelos europeus, tem origem persa (), significando “O Rei Vai Se Render”. Shah, que quer dizer “rei”, deu origem a check e chess em inglês; echec e echecs, em francês; scacco, em italiano; e xaque, em espanhol. Shâh-mât (ou “xeque mate”) significa “o rei está morto.
Sobre o livro do Opa (termo carinhoso em alemão para avô), escrevo no final desta Resenha – e lá relaciono o livro com o tema desta. Trata-se de uma conexão de caráter pessoal, importante para mim, e que gostaria muito de dividir com você, leitor. Também escrevemos a respeito do nosso grande mestre Mequinho, o maior enxadrista brasileiro.
Vivemos um momento de entropia, sobre a qual já escrevi em outra Resenha. Entropia é uma grandeza física que mede o grau de desordem, aleatoriedade ou caos de um sistema, associado esse grau ao número de configurações possíveis das partículas que o constituem. O conceito é usado para descrever o excesso de informação que leva à desorganização do conhecimento, como o conceito de “agonia do Eros”, de Byung-Chul Han, que diz que o excesso de estímulos dificulta a estruturação do pensamento. Para nós, gestores de investimentos, lidar com o excesso de informações, na velocidade com que nos chegam, em meio a um cenário em mutação, é um enorme desafio. É como ter Kasparov do outro lado do tabuleiro.
Byung-Chul Han (Seul, 1959), a título de curiosidade, é um filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade de Artes de Berlim. Ele estudou Filosofia na Universidade de Friburgo e Literatura Alemã e Teologia na Universidade de Munique. Atualmente, é professor de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim e é autor de uma dezena de ensaios de críticas à sociedade do trabalho e à tecnologia. Fácil ver que seus trabalhos têm muita intersecção com o cenário geopolítico e econômico que vivemos.
Há uma torrente de informações com que lidar, já presentes: a guerra de EUA e Israel contra o Irã; o caso Master e todos os seus desdobramentos ainda a caminho; as eleições de mid-term nos EUA e as eleições gerais (presidente, governadores, deputados e senadores) Brasil), taxa de juros aqui e no exterior, todas essas (mas não só) tornam nossas decisões sobre investimentos muito difíceis. Fora que mudam sem prévio aviso e sem que haja qualquer forma de prever que movimento será esse.
Como o xadrez pode nos ensinar e ajudar a nos orientarmos?
Inicialmente, um pouco de história da origem do xadrez. São muitas, e muito da “história” do jogo é envolto em lenda. Aqui, vou adotar uma que fala comigo devido ao que vejo como uma ligação com a espiritualidade. Ficará mais clara a razão dessa escolha mais adiante.
A versão aqui será a do controvertido, divertido, sábio e influente iogue (mestre espiritual indiano) e fundador da Isha Foundation, Jaggi Vasudev. Ou, como é mais conhecido, Sadhguru. Um mestre indiano para explicar um jogo que tem sua origem ligada à sabedoria e à estratégia da antiga Índia: nada mais apropriado. A explicação de Sadhguru mescla história, tradição cultural e interpretação filosófica. Ele conta que o xadrez deriva de um antigo jogo chamado Chaturanga, criado há cerca de 1.500 anos (pelo menos).

O nome “Chaturanga” significa “quatro divisões do exército”:
i) Infantaria;
ii) Cavalaria;
iii) Elefantes;
iv) Carruagens.
Esses elementos representavam a organização dos exércitos na Índia antiga. No tabuleiro: peões e cavalos, bem, autoexplicativos. Os elefantes, no entanto, evoluíram para a peça chamada bispo; e as carruagens se tornaram as torres.
A história que Sadhguru conta sobre a criação do xadrez é uma parábola famosa da Índia antiga: a história do sábio e os grãos de arroz.
Um sábio inventou o jogo e o apresentou a um rei indiano. Este ficou maravilhado com a inteligência e a estratégia do jogo, e quis recompensar o sábio. Ele disse: “Peça qualquer coisa que quiser”.

O sábio respondeu com algo que parecia muito simples:
– Coloque 1 grão de arroz na primeira casa do tabuleiro, 2 grãos na segunda, 4 grãos na terceira.
– Continue dobrando a quantidade em cada casa até a 64ª casa.
O rei riu. O pedido lhe pareceu tão pequeno que só podia achar graça: “Tão sábio e faz um pedido tão tolo”, teria pensado o rei. Que ordenou então que seus servos trouxessem o arroz para cumprir o pagamento.
O problema: quando começaram a calcular, perceberam que a quantidade crescia de forma explosiva. Quanto mais avançavam nas casas do tabuleiro, mais gigantesco o número se tornava. No final, seriam necessários 18 quintilhões (18.446.744.073.709.551.615) de grãos de arroz. Recorrendo à IA agora: isso representaria cerca de 369 bilhões de toneladas (imaginando que um grão de arroz pese em média 0,02g). Imaginando que a produção anual mundial de arroz – hoje, com toda a tecnologia e a eficiência da agricultura moderna – seja de cerca de 750 milhões de toneladas, o sábio teria que ser pago com o equivalente a 500 vezes a produção global total de arroz.
O rei havia, no entanto, dado sua palavra.
Curiosidade impressionante: o número possível de partidas diferentes de xadrez é estimado em cerca de 10¹²⁰ posições possíveis. Esse valor é conhecido como Número de Shannon, maior que o número de átomos observáveis no universo.
Na lenda dos grãos de arroz do xadrez, a história termina de formas diferentes, a depender da versão contada na tradição popular. Não existe um final único historicamente documentado – trata-se de uma fábula matemática, não de um evento histórico real. Mesmo assim, há finais conhecidos ou supostos.
- O rei percebe que é impossível pagar o sábio, já que mesmo todo o arroz do reino jamais seria suficiente;
- O sábio revela que não queria realmente o arroz, mas sim ensinar uma lição. Ele teria usado o pedido para mostrar ao rei o poder da matemática e como pequenas quantidades podem crescer enormemente (efeito da capitalização, dividendos ou juros compostos). Assim, o rei aprende a lição e recompensa o sábio de outra forma. Fica tão impressionado com a inteligência do sábio que o nomeia conselheiro real.
- Existia um rei muito poderoso, mas arrogante, e um sábio que queria ensiná-lo a pensar com mais consciência. O rei, que acreditava controlar tudo, que sua inteligência era superior à de todos, que suas decisões eram sempre corretas, achava que ninguém no reino poderia ensinar-lhe o que fosse. Governava com confiança absoluta (ou ego absoluto, alguém dirá), e o sábio lhe ensina não só humildade, mas aquilo que o rei precisava mesmo aprender: estratégia, paciência e visão de longo prazo.
Na versão contada por Sadhguru, há um detalhe interessante que não aparece em muitas versões da história do xadrez: a rainha usa inteligência e lógica para salvar o rei da dívida e suas reputação. Nosso leitor poderia imaginar uma saída para o rei não quebrar sua palavra? Ou, melhor dizendo: como livrá-lo do xeque?
Segundo a história contada por Sadhguru, a rainha percebe um detalhe lógico no acordo. O sábio pediu que os grãos fossem colocados em cada casa do tabuleiro de xadrez. Então ela propõe algo simples. O rei deveria colocar os grãos um por um, exatamente como combinado. Mas, antes de se chegar ao meio do tabuleiro, a quantidade já se tornaria tão absurda que não haveria espaço físico no reino para armazenar o arroz necessário. Assim, ela argumenta que o pedido não pode ser cumprido na prática, pois excede qualquer possibilidade real. O resultado: o rei não quebra a promessa e o sábio é recompensado, tornando-se seu conselheiro. Algo como uma cláusula leonina: o contrato não poderia ser cumprido, logo é considerado inválido.
Voltando a Sadhguru: a moral de sua versão é: inteligência e clareza mental podem resolver problemas aparentemente impossíveis. A rainha não luta contra o problema: ela entende a lógica por trás dele. Duas coisas ficam claras: o poder da inteligência e o poder da matemática. Algo que parece pequeno pode se tornar imenso.
No xadrez, na vida e nas finanças, cada passo multiplica os resultados. Pequenas decisões podem gerar resultados enormes, para o bem e para o mal. Quem pensa várias etapas à frente tem vantagem. Inteligência estratégica vale mais que poder bruto.
Lição principal: o xadrez mostra que liderança não significa força bruta e absoluta. Significa coordenação, perspicácia, estratégia e equilíbrio entre todos os elementos.
Curiosidade histórica: no xadrez moderno, a peça mais poderosa, a rainha, ganhou seus movimentos atuais na Europa por volta do século 15, transformando completamente o jogo. Antes disso, no antigo Chaturanga, essa peça era muito limitada. Curiosamente, talvez como lição aprendida junto ao sábio, no final da partida, o rei se torna mais ativo. Quando restam poucas peças, ele pode de deve avançar no tabuleiro, ajudar a atacar e participar diretamente da vitória. Ou seja: torna-se mais sábio e importante, e muitas situações dependem da sua atuação direta para a vitória enquanto. No início do jogo, o rei é a peça mais frágil, e por isso é defendida a todo custo.
O rei como peça mais importante e mais frágil, eis aí mais um detalhe curioso do xadrez. Curioso por contraintuitivo, e por isso mesmo, útil para professores de estratégia (e pensadores como Sadhguru) que precisam explicar ideias sobre poder, liderança e vida.
Algumas tradições indianas e interpretações filosóficas associadas ao Chaturanga veem as peças do jogo como símbolos de diferentes aspectos da vida humana e da sociedade. Essa leitura simbólica também é mencionada em algumas explicações culturais e espirituais.
Alguns estudiosos ligam o tabuleiro do antigo Chaturanga a conceitos culturais da Índia antiga. Na tradição indiana há listas simbólicas de 64 artes ou habilidades, chamadas Chatushashti Kalas, que representariam o conjunto completo de capacidades humanas. O número 64 simbolizaria totalidade ou completude.
O mesmo número também aparece em outros sistemas antigos – como o I Ching, clássico filosófico da China que contém 64 hexagramas usados para interpretar mudanças e padrões da realidade. Alguns especialistas destacam a presença do número 64 em várias culturas como um número ligado à totalidade de possibilidades. O número 8 na espiritualidade simboliza o infinito representado pelo símbolo na forma horizonta, o equilíbrio entre o mundo material e o espiritual. Representa a força, a prosperidade e a capacidade de superar desafios através da disciplina. Cada lado do tabuleiro possui 8 casas e que elevadas ao quadrado ou multiplicadas entre si se chega ao 64. Ou seja, elementos que ligam o xadrez a espiritualidade e ao mesmo tempo a racionalidade, atributos indispensáveis às nossas vidas, imagino.
Bem, Werner, no ponto em que estamos, aprendemos um bocado sobre lendas/histórias do xadrez, curiosidades e até alguma espiritualidade, na figura de Sadhguru. E agora?
Muito oportuno sua intervenção, caro leitor, que faz uma suma sumaríssima do nosso percurso justamente ao termos chegado ao ponto a que se queria chegar. O Número de Shannon (10120) visto mais acima é uma estimativa para o número de variações de partidas possíveis no xadrez. Foi calculado por Claude Shannon em 1950 e representa as infinitas possibilidades do jogo. A Entropia de Shannon, introduzida por Claude Shannon em 1948, é uma medida matemática que mede a “surpresa” média de um conjunto de resultados: eventos muito prováveis trazem pouca informação (baixa entropia), enquanto eventos raros trazem muita informação (alta entropia).
A ordem de grandeza dos movimentos possíveis em um jogo de xadrez tende ao infinito. E a infinitude abre o caminho para a conotação espiritual a que fizemos menção. O universo é igualmente infinito – e, em uma reflexão espiritual (religiosa, para quem assim preferir), Deus é a entidade que não tem começo nem fim. Não há excesso algum aqui em se dizer que o xadrez seria o jogo dos deuses. Ninguém sabe, nem saberá, de fato quem criou o jogo – mas que uma criação humana de aparência tão prosaica quanto essa, seja a chave para pensarmos a infinidade de possibilidades de variantes e movimentos – bem, eis aí algo verdadeiramente sublime.
E as possibilidades envolvidas em fazer investimentos e lidar com cenários possíveis e suas mutações imprevisíveis… talvez não se chegue por aí a um patamar espiritual – mas não é implausível tampouco.
Vamos agora passar para algumas analogias e ensinamentos o xadrez para investimentos.
Rei: a manutenção do rei representa o centro do sistema, a perenidade e a vitória. Nos investimentos, corresponde ao nosso capital inicial. Se for perdido, game over (xeque-mate, o jogo acaba). A forma mais fácil de perdê-lo, e de perder o reino (e até mesmo o que não se tem), é a alavancagem financeira. Ao mesmo tempo, o rei no xadrez ser a peça mais fraca do tabuleiro tem um significado filosófico – e no nosso caso, financeiro – profundo: o nosso capital é uma das peças mais fracas.
Se o rei é a peça mais frágil e importante, isso significa que todas as demais estão a serviço de sua proteção. Nos investimentos, devemos construir uma carteira que proteja nosso capital e, ao mesmo tempo, tenha uma estratégia para multiplicá-lo. No xadrez, o objetivo é vencer, mas o jogo permite o empate. Nos investimentos o objetivo é obter retorno superior ao benchmark (índice de referência) ou, pelo menos, empatar (ter o mesmo retorno do benchmark em determinado período). Mas nenhum campeão se consagra empatando (gestão passiva). Ou seja: é preciso haver estratégias vencedoras. Em torneios, o campeão será aquele que apresentar mais consistência: pode perder alguns jogos – mas, se alcançar vitórias suficientes para superar os competidores, sairá campeão.
Como gestores, dificilmente bateremos os benchmarks em todos os anos. Mas é como num campeonato: a vitória virá da “melhor campanha” – do acúmulo de rentabilidade ao longo do tempo, e não apenas de um ano excepcional.
Podemos, assim, assumir que o rei é o capital investido de forma defensiva – em renda fixa ou ações de natureza defensiva (setor de utilities – elétrico, saneamento e telecom – ou mesmo financeiro). Não veremos crescimento espetacular dos lucros – e, como os do rei, os movimentos do gestor devem ser lentos e defensivos. Movimentos bruscos, ou usar o rei como elemento de ataque (ou especulação) em geral é sinal de quem não sabe o que está fazendo (no trade ou no tabuleiro).
O rei é uma peça muito limitada, apesar de central. Move-se uma casa por vez; seu ataque não tem range; depende totalmente das outras peças. Lição para investimentos: não devemos ter múltiplas estratégia simultaneamente ou de mudanças bruscas e o portfólio deve ser equilibrado, pois, se apenas defensivo, não baterá o benchmark. Para isso é necessária alocação de maior risco.
As demais peças:
- a rainhadomina o tabuleiro;
- as torrescontrolam linhas longas;
- os bispospercorrem diagonais;
- os cavaloscriam ataques inesperados.
A interpretação filosófica: Mesmo sendo o líder, o rei
- não vence sozinho;
- precisa de uma estrutura ao redor;
- depende do trabalho coletivo.
É isso que leva a ver no xadrez uma metáfora para estratégia nos investimentos. Os portfólios precisam ser diversificados, como diversificadas são as peças do jogo, com suas diferentes funções. Gestores precisam de equipe qualificada e que trabalhe coletivamente, mas com diferentes competências e experiências, e mesmo diferentes características emocionais. Peça alguma ganha o jogo sozinha. A alocação dos investimentos precisa também se expor a riscos – controlados, claro, em estratégias agressivas. Nenhum campeão tem por característica uma estratégia defensiva.
Rainha: a peça mais versátil, de maior poder. Tem papel decisivo, e sua perda costuma trazer consequências trágicas. Nos investimentos, equivaleria à posição principal – a de maior convicção, alocação e potencial de valorização, com atributo de elevada liquidez. Como analogia para investimentos, em gestão mais conservadora a maior posição equivale a ITUB4 (8,2% do IBOV). Em gestão de risco médio, VALE3 representaria a rainha (10,9% do IBOV), enquanto em gestão mais agressiva, PETR3 e PETR4 (13,7% do IBOV). Um percentual maior nas carteiras representa uma gestão mais agressiva e de maior risco. Enquanto o setor financeiro representa movimentos mais comedidos da rainha, em commodities (como Vale e Petrobras) a rainha se movimentaria mais cedo e de forma mais contundente, atacando a defesa do rei. Exemplo atual: uma forte alta do petróleo favorece as empresas do setor e carteiras com posições acima do índice – mas uma forte e súbita queda do petróleo poderia equivaler à perda da rainha. Vale acaba se favorecendo de um novo ciclo de alta das commodities, mas pelo fato de o minério de ferro ter seu preço menos volátil, representa um risco menor que Petrobras. Itaú é uma posição neutra em relação ao petróleo, portanto, mais defensiva, como se a rainha aguardasse o avançar do jogo para se movimentar e no início ajuda a proteger o rei, ou o capital do fundo.
Torre: tem os atributos da estabilidade e da consistência. Seus movimentos pelas verticais e horizontais são mais previsíveis, mas podem mudar de cor do tabuleiro. Equivalem a setores defensivos, como financeiro (bancos, seguradoras e B3) e concessionárias de serviços públicos (Axia, Equatorial e Sabesp). É a base dos portfolios, essencial na proteção do rei (no movimento denominado roque). Quanto maior a presença destes setores, mais defensivo e de menor risco é a carteira. Em momentos de baixa visibilidade, como o atual, a maior representatividade nas carteiras representa maior proteção. Seu papel é de serem fundamentos, não carros alegóricos.
Bispo: visão de longo prazo. No xadrez, o bispo faz movimentos transversais em diagonais longas, mas com o fator limitante de seguir sempre na mesma cor. Os bispos muitas vezes assumiam a posição de conselheiros dos reis, o que é representado no tabuleiro pelo estarem postados ao lado do rei e da rainha na posição inicial do jogo. A visão de longo prazo que trazem corresponde, nos investimentos, a posições em tecnologia, small caps (crescimento), energia limpa.
Cavalo: assimetria, movimentos não óbvios em formato de L, que mudam rapidamente seu campo de atuação. No xadrez, é a única peça que salta sobre as demais, ultrapassando barreiras e proteções do adversário. Nos investimentos, seria o elemento surpresa: eventos, tecnologia, commodities, pouca previsibilidade, com possibilidade de ganhos inesperados. No xadrez, os cavalos podem promover uma mudança radical de uma posição difícil para o ataque, tornando o adversário de agressor em defensor. Dois cavalos combinados podem causar grandes problemas. O desafio é dominar a combinação de dois cavalos. Nos investimentos, alternativas complementares como tecnologia e commodities podem trazer ganhos relevantes em se acertando a estratégia, e eventos como fusões e aquisições. São as teses fora do consenso, a pouca cobertura pelo mercado, a narrativa complexa que o mercado evita ou falta de visibilidade como atualmente nas commodities (petróleo e ouro).
Peões: construção gradual da posição. No xadrez, são fracos tomados individualmente, mas são fortes em conjunto – especialmente quando dominam, com os cavalos, o centro do tabuleiro. O peão é a única peça que pode ser promovida para rainha; a única que não se move para trás – daí a importância da estratégia e do avançar para o centro do tabuleiro já nos movimentos iniciais. Nos investimentos, são empresas que devem compor a maior parte da carteira, com o atributo de distribuir dividendos – aportes regulares, dividendos compostos que, capitalizados (como a lenda dos grãos de arroz), são reinvestidos. Pequenos movimentos constroem posições estratégicas e pavimentam a vitória. São as small e micro caps: poucos dão atenção, são sacrificadas pelo suposto pouco valor – mas, no final, são decisivas, especialmente quando promovidos para rainha.
Lições do xadrez que podemos aplicar aos investimentos:
– Ganha quem erra menos. Portanto, não se deve montar posições aleatórias sem uma estratégia e completo entendimento das teses.
– Paciência é fundamental. Apressar o jogo ou mudar a carteira sem que este tenha tempo de amadurecer é como desistir da estratégia do jogo antes que esta comece a atingir seus objetivos.
– Excesso de diversificação (que corresponde no xadrez a uma postura muito defensiva) não leva à vitória. Nos investimentos, poderá trazer um resultado mediano, mas raramente baterá o benchmark de forma relevante.
– Sacrifício de uma posição ao cometer um erro é fundamental no xadrez. Revisitar a estratégia ao partir para outra, tentando rapidamente reverter o erro, é fatal e abrevia o final do jogo – com derrota. Nos investimentos, é preciso ocasionalmente desfazer-se da posição, sem criar apego a ela, ao perceber mudanças definitivas dos fundamentos – mas jamais se deve adotar novas posições muito agressivas para recuperar perdas ou utilizar derivativos ou alavancagem como uma tática suicida, derrota certa.
– Concentração demasiada, mas em setores com baixa correlação. No xadrez corresponde a uma posição muito distribuída no tabuleiro, em que as peças não atuam de forma conjunta e ficam à mercê do ataque e captura do adversário. Nos investimentos, significa posições binárias – nas quais algumas se beneficiam da queda de juros, enquanto outras são prejudicadas; no fim, uma anula a outra, qualquer que seja a direção que os juros sigam. Sem clara posição direcional, a carteira terá um desempenho apenas mediano.
– Apesar de jogadores de xadrez e gestores (ou investidores) possuírem estilos próprios, eles devem se adaptar às circunstâncias de cada jogo (ou cenário), mudando a estratégia (ou posicionamento), como ser mais agressivo ou mais defensivo e conservador em momentos de pouca visibilidade.
– Quando estiver em vantagem, continuar a atuar com energia, acuando o adversário e impedindo uma reação, invertendo a vantagem. Nos investimentos, ao se obter um ganho importante, não se deve sair realizar lucro precipitadamente. Revisitar fundamentos e preço alvo, e se ainda houver valor a capturar e os fundamentos intactos, manter a posição, eis o movimento do bom enxadrista/gestor.
– “Conhece a ti mesmo”: procure reforçar seus pontos fracos (como aberturas e finalizações dos jogos) e evite jogar fora de suas próprias características ou de seus pontos fortes. O mesmo se aplica aos investidores: não se aventure fora das próprias áreas de competência (empresas, setores e mercados), mas procure estudar e compreender novos campos de conhecimento. Vide conselho do mestre Kasparov (o mesmo de Charles Munger e Warren Buffet).
– Prepotência e húbris (excesso de confiança) são maus conselheiros. Seja objetivo dentro das próprias limitações, evite movimentos heroicos, você é investidor, não herói. Nos investimentos, concentração excessiva em empresas e setores que não sejam amplamente conhecidos, apenas porque a macroeconomia pareça favorável, não tem nada de heroico, mas muito de inepto.
– Desconfie da generosidade ou dos erros dos adversários: podem ser armadilhas. Nos investimentos desconfie de algo que só você viu: talvez seja só você quem não saiba o que de fato está acontecendo. Como diz o jargão, there is no free lunch, ou não existe almoço grátis. Se você não consegue encontrar o bobo da sala, talvez seja porque o bobo é você.

– Aprenda com os jogadores clássicos que marcaram época, o mesmo valendo para os grandes investidores. Não se limite aos contemporâneos. Graham, Keynes, Templeton, John Bogle, Peter Lynch, Philip Fisher, Munger e Buffet, todos têm ampla bibliografia, repleta de ensinamentos.
– Aprenda xadrez estudando as melhores partidas de todos os tempos (encontradas em bons livros de xadrez). Nos investimentos, aprenda com os mais bem sucedidos casos dos mestres acima mencionados.
– Jogue sempre com uma estratégia e pergunte-se sempre onde suas principais peças estarão mais à frente. Nos investimentos, o que imagino que acontecerá com o setor e a empresa daqui três ou cinco anos? O que me faria mudar de ideia na estratégia do jogo e das minhas principais posições investidas?
– Partidas rápidas não são xadrez sério, como afirmou o mestre russo Mijail Botvinnik (1911-1995). Estratégias de retorno rápido em uma carteira de investimentos são um caminho para frustração e maus resultados. Quem investe pensando no curto prazo jamais colherá bons resultados no longo prazo.
– O primeiro campeão mundial oficial do mundo e considerado o pai do xadrez moderno, o austríaco Wilhelm Steinitz (1836-1900) ficou conhecido como “O Pensador”. Mas, mesmo considerado um grande pensador, no início da carreira ele usava estratégias muito agressivas que não o levaram a grandes conquistas. Depois, partidas menos agradáveis para ele, ficou mais defensivo, e isso o levou a mais vitórias e ao título mundial em 1886. A lição é: não construir carteiras apenas com empresas de maior potencial de valorização ou crescimento, mas mesclar com empresas e setores defensivos (como as boas pagadoras de dividendos, consideradas monótonas, excessivamente previsíveis).
– O xadrez é um jogo de lógica e paciência. Cultivar tais atributos melhora a qualidade do jogador. Sendo um jogo mental, a ameaça ou o medo podem ser mais fortes que o adversário. Na maior parte das vezes, a ameaça se mostrou de fato menor que o medo. O grande mestre polonês Savielly Tatakover (1887-1956) afirmou que “a ameaça é mais forte que a execução”. Nos investimentos, os atributos são os mesmos, e agir precipitadamente mediante uma expectativa negativa pode levar a resultados piores do que a passividade.
– O xadrez prima pela objetividade e clareza dos pensamentos. Não se troca a estratégia a cada movimento do adversário. Nos investimentos, dá-se o mesmo. Seguir principalmente a macroeconomia sujeita o investidor a sempre ficar sujeito a fatores não controláveis e a mudar de posição precipuamente e aleatoriamente, de forma desconexa, comprometendo a estratégia.
– No xadrez, para bater um adversário forte, pragmático e calmo é necessário criatividade e lógica. Nos investimentos, o adversário é índice ou ETF ou benchmark. É como se estes jogassem sempre com as peças brancas (que executam o primeiro movimento), ou seja: saíssem na frente (uma boa vantagem) e sem custos de transação, administração e, principalmente, sem estarem sujeitos ao aspecto emocional. Portanto, com essa desvantagem, o gestor ou investidor tem de assumir uma atitude ativa: sair da zona de conforto, assumir riscos, porque já sai em desvantagem.
– A maior ou menor quantidade de erros no xadrez, especialmente os graves, é o que determina a categoria dos jogadores. Nos investimentos isso é muito verdadeiro, ainda que a quantidade de acertos seja minimamente superior aos erros. O afã da vitória rápida ou de obter retornos superiores de forma muito agressiva e rápida poderá ser determinante nos erros.
– Quanto mais cedo se começa no xadrez, melhor. Antes mesmo dos 8 anos é o ideal: isso ajuda a desenvolver qualidades essenciais aos seres humanos, como controle psicológico e da ansiedade, concentração, criatividade, planejamento, decisão, organização, atitude, autocrítica, paciência, autoconhecimento, lógica, superação de adversidades e fracassos, adaptação, objetividade, a lista iria longe. Nos investimentos, esses são atributos altamente desejáveis, especialmente para gestores de recursos de terceiros, submetidos a grande pressão (talvez do próprio gestor, seu maior adversário).
– O xadrez é a arte da análise, disse Botvinnik. Único campeão mundial a recuperar o título mundial em duas oportunidades, é considerado o pai da escola dos enxadristas soviéticos, como Karpov e Kasparov. Ganhou de todos os melhores jogadores de sua época. Campeão em 1948, perdeu o título em 1957, recuperou-o em 1958, perdeu de novo em 1960 e voltou a recuperá-lo em 1961. Eis aí um bom exemplo acabado de persistência. Em 1963, perdeu de forma definitiva para Petrossian. Foi pioneiro do xadrez aplicado à tecnologia – talvez explicando o fato de Kasparov ter seu nome associado ao xadrez eletrônico fabricado pela Saitek. Se a o xadrez é a arte da análise, nada poderia ser mais útil para os investimentos.

– No xadrez é necessário dosar o tempo (os jogos têm tempo máximo de duração), não sendo desejável ficar avaliando inúmeras variantes. Nos investimentos, não podemos deixar de acompanhar de forma próxima nossas principais posições para ficar à cata de outras oportunidades. Perde-se o foco e a concentração.
– Não tenha medo em reconhecer seus erros. É a melhor forma de evitar que se repitam. Tanto para o xadrez como para os investimentos, os erros são nossos melhores mestres.
– No xadrez, não cometer erros é mais importante do que executar uma jogada brilhante. Nos investimentos é mais importante não ter três ou quatro posições que contribuem de forma negativa do que ter uma ou duas com grande contribuição positiva. Por isso, devemos focar na análise das posições atuais evitando diversificação excessiva e ativos que não conhecemos bem e que tragam retornos duvidosos.
– Na vida há dois tipos de personalidades: as que se abatem nas adversidades (e depois se limitam ao carteado) e as que se adaptam e não se rendem às circunstâncias desafiadoras (e jogam xadrez).
– Se um jogador teme reveses e não ousa, jamais será campeão. Nos investimentos, será no máximo um investidor mediano.
Prezados leitores, finalizamos esta rápida jornada sobre o universo do xadrez e seus cruzamentos em potencial com o dos investimentos. O objetivo não é trazer dicas (embora citemos algumas empresas como exemplos), mas despertar a atenção daqueles que não conhecem ou não praticam o xadrez. Quisemos reforçar sua importância, para os praticantes, como algo análogo à atividade do investidor. Chamar o xadrez de “jogo dos deuses” não me parece um exagero: deuses e xadrez têm como atributo comum o tenderem ao infinito.
Acredito que jogar xadrez (há ótimas opções online) e estudar o jogo é algo que contribui não só para nossa vida pessoal, como uma terapia de domínio de ansiedade, planejamento, organização e atitude (ação), como também para nossos investimentos e nossas vidas pessoais.
Muito obrigado, e que venham bons estudos, boas partidas de xadrez e bons investimentos.
Post script:
Há cerca de três meses, antes ainda da guerra entre Israel, EUA e Irã, comecei a escrever esta resenha inspirado pela publicação do livro Um Médico Alemão no Interior do Rio Grande do Sul durante a década de 1930, de Oswald Müller-Roger, meu avô. Começa, então, o conflito no Oriente Médio – e, por estranho que possa parecer, abre-se um momento propício para fazer analogias entre o xadrez e as infinitas possibilidade dos investimentos, em meio a tantas incertezas e rápidas mudanças de cenário.
Osvald foi também meu padrinho de batismo. Ele que me ensinou jogar xadrez em 1969, durante suas bodas de ouro celebradas na pequena Ilvesheim, próxima a Heidelberg (cidade-natal dele e de meu pai). O livro foi traduzido por minha irmã Giselle Mueller-Roger Welter, fruto de um trabalho de 15 anos e agora publicado pela Editora Dialética. O livro recebeu inclusive contribuição de meu primogênito, André. Trata-se de um livro muito interessante e de agradável leitura (e não, não é comentário de neto).
No nosso livro A Trigonometria dos Investimentos, publicado em 2021, expliquei que foi justamente o livro do Opa, que estava sendo produzido, que me inspirou para publicar o meu. Para gaúchos, descendes de alemães e imigrantes, médicos e todos que se interessam por relatos históricos reais, em primeira mão, o livro é uma leitura sutil, crítica e recheada de fatos históricos de muita importância.
Werner, tenho certeza sobre os talentos literários em sua família. Mas o que isso tem a ver com a Resenha?
Meu avô, entre suas incontáveis habilidades, atividades e experiências de vida (a breve aventura no Brasil incluída), tinha a de ser um excelente jogador de xadrez. E me ensinou a jogar. Meu mestre, em particular, me fez entender a importância dos cavalos, sua especialidade, e me deixava absolutamente surpreso com seus lances com essas peças. Talvez por isso tenha me especializados em small caps.
Para ilustrar sua importância, além de inúmeros títulos e medalhas (hoje sob minha guarda) que nos legou, a mais importante são as peças do jogo no qual meu avô foi árbitro, disputado no mundial de 1929, na pitoresca Heidelberg. A decisão do campeonato colocou como oponentes talvez o maior enxadrista da história, o russo Alexander Aljechin, e o ucraniano naturalizado alemão Efim Boboljugow.
Curiosidade: o Campeonato Mundial de Xadrez de 1929 foi disputado entre o desafiante Bogoljubov e o detentor do título, Aljechin. O torneio foi realizado na Alemanha (Wiesbaden, Heidelberg e Berlim) e na Holanda (Roterdã, Haia e Amsterdã), entre 6 de setembro e 12 de novembro. Aljechin manteve seu título. No torneio, o competidor russo receberia US$ 6.000, independentemente do resultado; qualquer excedente seria destinado a Bogoljubov. O vencedor seria declarado aquele que marcasse 15,5 pontos com 6 vitórias em um máximo de 30 partidas.

A inscrição na tampa da caixa diz:
“Com estas peças joguei contra o Dr. Aljechin pelo Campeonato Mundial. Assinado por Bogoljubov, em Heidelberg, outubro de 1929.”
Ao contrário do torneio Capablanca x Aljechin de 1927, que havia sido disputado em privado, o torneio com Bogoljubov seria disputado publicamente. Os organizadores insistiram nisso para arrecadar dinheiro com a venda de ingressos. Apenas as cidades que contribuíram para o prêmio em dinheiro poderiam sediar a partida (Heidelberg sediou os jogos de 9 a 11). Daí vem minha relíquia, as peças com as quais aprendi a jogar xadrez e com dedicatária na caixa. Infelizmente, Werner, o Neto não herdou a competência (nada nem parecido) do avô na destreza do jogo. Meu principal adversário hoje é um xadrez eletrónico lançado em 1993 pela Saitek (empresa suiça fundada em 1979) – GK 2.100, chamado, nada menos, que Kasparov.
Curiosamente, tem 64 níveis de dificuldade e é um excelente professor – e um adversário pronto para ser enfrentado a qualquer momento.





