Ano novo, vida nova? Para os ativos de renda variável, esperamos que sim.
Mas vão transcorridos aí – no momento em que esta introdução é escrita – somente 36 dias de 2025. Coisa aí de 10% do tempo regulamentar. Como diz a metáfora futebolística, tem muita bola pra rolar ainda.
Por outro lado, o nível de precificação das ações na bolsa brasileira começou em um patamar que podemos chamar – por nossa conta e risco – de bastante assimétrico. O IBOV caiu (em dólar) 29,9% em 2024. Para encontrar desempenho pior que esse, só indo para antes de 2015. E para quem se lembra, o desempenho econômico atual não se compara em nada ao vivido dez anos atrás. O PIB, de hoje e de então, aponta para direções quase que simetricamente opostas: para 2024, espera-se crescimento de 3,5%; em 2015, o vimos despencar 3,5%.
Sem turbulências adicionais, em janeiro o IBOV subiu 4,9% – e o SMLL, 6,1%. Vimos um fluxo estrangeiro de R$ 6,7 bilhões – mas antes de soltar os rojões, observemos que a parte vendedora ficou na rubrica “Outros” (empresas e tesouraria, explicado pelo block trade de R$ 9 bilhões da Cosan para venda de sua participação na Vale), com R$ 7,1 bilhões de vendas. Institucionais venderam R$ 800 milhões. O investidor individual e as instituições financeiras compraram, respectivamente, R$ 300 milhões e R$1 bilhão. Não dá para dizer ali, “no pau da peroba, no aperfeiçoado” (como diria Guimarães Rosa) que o estrangeiro reencontrou, de forma geral, o caminho para a bolsa.
Nossos fundos ficaram um pouco atrás, mas também tiveram bom desempenho: Flagship 60 (3,1%); Delphos (2%); Parthenon (2,9%) – e o destaque do mês: Horizon, com seus belos 4,7% de valorização.
Desafios persistem: o problema do risco fiscal está aí, os juros seguem em ascensão e seus reflexos ainda não estão todos estampados nos resultados das companhias e na economia. No fim de janeiro, a taxa Selic (o juro básico da economia brasileira) chegou a 13,25% ao ano (o que era amplamente esperado). Quanto ao custo mais elevado de capital – este penaliza não só a precificação das ações em bolsa, mas também as empresas mais alavancadas. Não é por acaso que preferimos empresas com estrutura de capital conservadora: estas têm mais facilidade de navegar em mares como os atuais.
Gostaríamos de usar este espaço para mais uma de nossas analogias. Esta, conversa bastante com o momento atual de nossas investidas nos últimos três anos na bolsa. Nos últimos anos, elas cresceram e fizeram diversos movimentos – que, no entanto, ainda não chegaram aos balanços. Temos a Ferbasa, por exemplo, com seu “pushback” da mina; investimentos que a tornarão autoprodutora de energia; e investimentos em terras e fornos para avançar na produção de biorredutores (carvão vegetal).
Outro exemplo? Tupy: foram inúmeras as iniciativas da empresa que mal vimos refletidas nos resultados: aftermarket da MWM; plantas de biometano; transformação veicular; aumento da usinagem; novos contratos; mais valor agregado.
Os valuations têm estado sob intensa pressão de juros elevados, alta reversão ao risco e elevado custo de capital. E ainda nem podem contar (ao menos não totalmente) com essas iniciativas todas – que vão, sim, render frutos, mas consomem capital antes de trazer resultados.
E aqui entra nossa analogia – desta vez, com o bambu-chinês (Phyllostachys edulis).
Nos cinco primeiros anos, a planta praticamente não cresce. Desponta no solo – e é basicamente isso: fica só ali, ligeiramente à vista. Mas esses cinco anos são período de crescimento e fortalecimento das raízes.
Uma vez maturada – bem, aí ela dispara: alguns exemplares podem crescer coisa 90 cm por dia. Em umas poucas semanas, podem chegar a 25 metros de altura.
Outra característica: resiliência extrema. Suportar secas, inundações, venha o que vier. “Como?”, alguém se perguntaria. Foram aqueles cinco anos de fortalecimento de suas raízes, de seus “fundamentos” – já aqui indicando a saída do plano metafórico e a reentrada no mundo das finanças:

Boa parte de nossas investidas hoje se encontra em um período de fortalecimento e fixação de “raízes”. Quem olha só os “big numbers” – as linhas finais dos balanços ou (pior) as chamadas do noticiário – fica alheio aos resultados ainda não visíveis.
Mas é até certo ponto compreensível: a barulheira do momento econômico conturbado ofusca esse potencial. Força um pouco o investidor a mirar cada vez mais o curto prazo.
O que acontece é que, quando todas as iniciativas e estratégias se transformam em resultados tangíveis (ou seja: se tornam visíveis), o mercado costuma corrigir-se rapidamente. Já vimos isso algumas tantas vezes ao longo dos últimos anos.
Quando virá a correção? Não sabemos (ninguém sabe; se alguém disser que sabe, desconfie). Mas estamos posicionados para aproveitar.
Em tempo: o bambu é utilizado na China há milênios. É um material resistente, flexível, com grande longevidade. Empresas, quando boas, se assemelham ao bambu. Os investidores, como os construtores chineses há milhares de anos, farão muito bem se entenderem essa dinâmica: empresas que se mantêm num determinado tamanho podem ser um verdadeiro bambuzal, todas com fundamentos se fortalecendo. Quando o crescimento disparar, ninguém segura
Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)
Janeiro marcou uma certa virada de página: depois de um 2024 que, com a mais certa das certezas, não deixou saudade alguma, o mês passado veio como um alento para a renda variável. O Delphos entregou bons 2% de ganho. Ficou atrás dos 3,5% do IDIV – impulsionado pelo setor bancário (que contribuiu com 1,6 ponto percentual) e pelo de Telecomunicações (que entrou com 0,6 p.p.).
Como dissemos, o resultado do Delphos foi um alento, não ocasião para já colocar a champanhe no gelo. O resultado refletiu a rentabilidade do agronegócio (1,7%) e do setor bancário (1,1%). Já Metalurgia (-0,7%) e Siderurgia (-0,6%) pesaram (felizmente, pouco).
Nas performances por empresa, os destaques ficaram com Kepler Weber e Banco do Brasil.
Falemos um pouco do momento em que se encontram estas duas companhias – duas das principais contribuições para nosso portfólio.
KW: a expectativa de safra recorde neste ano (322 milhões de toneladas estimados pela Conab, crescimento de 8,3%) só faz evidenciar ainda mais (se tal é possível) o déficit de armazenagem existente no país. Escancara igualmente a urgência de se avançar nos investimentos em silos no Brasil. A produção maior (somada ao câmbio mais favorável) traz alívio para as margens dos produtores – que, mesmo com margens apertadas, não têm deixado de investir em armazéns. Em janeiro, o preço do aço subiu entre 5% e 8%, o que permitiu à companhia reajustar os preços (após a forte pressão no ano passado).
Ao contrário do que se pensa, a alta no preço do seu principal insumo é positiva para a companhia: afinal, ela o compra diretamente das siderúrgicas e se antecipa a reajustes ao compor estoques dos pedidos já em carteira.
Outro ponto importante: 2024 fechou com um recorde de 306 obras em execução – indicador bastante positivo de demanda aquecida por seus diversos produtos (o secador KW Max, o KW Biocav e os silos, entre outros). A excelência operacional da KW permite capturar a necessidade cada vez maior de armazéns.
BB: desempenho positivo no mês. Na verdade, a alta foi de cerca de 14%. Quase um ATH (all time high – ou “maior alta de todos os tempos”).
Isso quer dizer que a ação está cara e chegou a hora de vender?
Longe disso. O banco continua a negociar por múltiplos abaixo de 4,5x Preço/Lucro. Se excluirmos BB Seguridade (avaliada em R$ 51 bilhões), é negociado a 3,6x. Portanto, seguimos confiantes na tese e esperamos, além de resultados robustos, bons dividendos em 2025.
Com a janela desfavorável dos últimos 12 meses (Delphos: -10,9%; IDIV: 4,5%), enxergamos um desconto relevante em relação a nossas investidas. Seguimos com a revisão caso a caso – com a convicção inabalada. Desde seu início (abr/2018), o retorno é de 177,6% – contra 106,1% do benchmark (um alfa de saudáveis 71,5%).

Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)
Começa bem o ano para o Flagship: o ganho entregue foi de 3,1%. Infelizmente, o SMLL entregou expressivos 6,1% de ganho. Apesar de perder 3 p.p. de alfa em praticamente todas as janelas de análise a partir do início (abr/2018), o alfa resultante ainda assim é relevante: desde seu início, o Flagship 60 entregou 201,5% de retorno – contra ínfimos 6,8% do referencial. Nada mal em uma janela tão longa – são quase 7 anos (e bem sabemos que sete anos foram esses para as small caps!).
Contribuíram em janeiro os setores de Agricultura e Agronegócio (2,6%) e Bens Industriais (1,4%). Já entre os detratores ficaram Bens de Capital (-0,8%) e Metalurgia e Siderurgia (-0,5%).
A Schulz teve belo desempenho em janeiro: alta de 9,7%. A companhia entra em 2025 em um excelente momento e preparada para crescer após a compra da UPI Ferro da Wetzel – o que marca um novo ciclo de expansão da companhia. Cada vez mais relevante em caminhões pesados (especialmente Classe 8) e máquinas agrícolas. A expectativa para a produção de caminhões para 2025 é de estabilidade (após um bom 2024) e, para as máquinas agrícolas a expectativa é de avançar 8%. Com bastante potencial para abocanhar novos contratos, a Schulz está com R$ 210 milhões de caixa líquido, em um momento de juros em ascensão. Talvez seja a única do setor em tais condições.

Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)
O ganho de 2,9% do Parthenon em janeiro praticamente repõe o que se perdeu em dezembro. Seguradoras (1,3%) e Bancos (1,2%) ajudaram nesse sentido. O Fundo acumula alta de 6,5% desde seu início (dez/2023), período em que o IBOV ficou no vermelho (-0,6%). O benchmark, por falar nele, começou o ano com pé direito: alta de 4,9%, impulsionado por bancos (2%) e Energia (0,7%).
O Parthenon é o fundo mais recente da Trígono. Destaca-se pela elevada liquidez – média diária de mais de R$ 200 milhões por empresa –, aliada a uma grande capacidade de investimento e resgate em D+5 (prazo bastante curto), auferindo liquidez aos investidores. O fundo investe exclusivamente em empresas com valor de mercado superior a R$ 10 bilhões e liquidez diária acima de R$ 10 milhões. A liquidez média atual, no entanto, é muito superior (20 vezes maior que o mínimo para empresa elegível).
Por setor, o Parthenon contém: Petróleo e Gás (18,7%); Seguradoras (15,8%); Energia (14,9%); Papel & Celulose (9,7%); Indústria Aeronáutica (9,3%); Metalurgia e Siderurgia (9,2%); Bancos (9%); Álcool e Açúcar (7,4%); e Mineração (5%).

Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)
O Verbier – fundo da Trígono que fica de olho nas melhores oportunidades, independentemente do valor de mercado das empresas – encerrou janeiro com ganho de 2,95%. O IBOV subiu 4,9%. O alfa (1,9 p.p.) ficou, assim, com o benchmark.
As principais contribuições positivas vieram de: Agricultura e Agronegócio (1,8%) e Bens Industriais (+1,4%). As principais negativas: Bens de Capital (-0,8%) e Metalurgia e Siderurgia (-0,4%).
Desde seu lançamento (jul/2018), o Verbier entregou ganho de 181,5% – praticamente três vezes maior que o entregue pelo IBOV, com seus respeitáveis (mas só esforçados) 61,4% no mesmo período. O alfa da Trígono é, então, de nada menos que 120 p.p. Expressivo, ainda mais com pandemia, eleições, risco fiscal e juros elevados – e tanto mais que aconteceu nesse longo período.
Apesar do ambiente atual de aversão à renda variável nos oferecer oportunidades em quase todas as classes de capitalização, preferimos a exposição a micro e small caps (que, juntas, representam 92% da alocação do fundo). Há mais valor a ser capturado nas empresas de menor liquidez, justamente porque a maioria dos investidores deram pouca (quase nenhuma) atenção a companhias com esses perfis. No curto prazo o retorno não tem nada de muito estelar – reconhecemos isso. Mas, com fundamentos sólidos e múltiplos baixos, em algum momento, esse retorno vai entrar no campo de visão.

Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)
Com alocação 70/30 (70% renda variável; 30% renda fixa), o Trígono 70 Prev é boa opção de diversificação para a carteira previdenciária – segmento que pouco explora a renda variável e menos ainda o universo das small caps. Como todos os produtos da Trígono, temos viés de longo prazo (sempre mirando janelas acima de três anos).
Os 70% do portfólio alocados em renda variável estão concentrados em oito empresas, cada uma delas handpicked pela Trígono. Trabalho de ourives mesmo: são cuidadosamente escolhidas para construir uma carteira previdenciária sólida e resiliente. Estão nessas companhias todas as características essenciais para atravessar cenários desafiadores sem comprometer a segurança do investimento: forte geração de caixa; crescimento sustentável; capacidade para criar valor para o acionista; exposição ao dólar; e distribuição consistente de dividendos.
Além disso, a diversificação setorial (cada uma em um segmento diferente) e a solidez financeira dessas empresas conferem proteção adicional contra volatilidades de curto prazo. Isso traz equilíbrio entre preservação de capital e valorização ao longo do tempo.
Em janeiro, o fundo entregou ganho de 0,6% de valorização – contra o 1% do CDI. Em 12 meses, o retorno é de -3,8% – contra 10,9% do CDI (foi um período de cenário adverso para a renda variável, se bem nos lembramos). Analisado o desempenho desde o lançamento do fundo (set/2019), o retorno entregue foi de 80,1% – contra 55,3% do CDI. São 144,8% do CDI no período. O CDI, lembremos, completou, no mês passado, 3 anos acima de dois dígitos.
Mais uma vez, a principal contribuição positiva veio da Agricultura e Agronegócio (1,5%). Do lado negativo, Bens de Capital ( -0,7%) e Metalurgia/Siderurgia (-0,6%) pesaram.

Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)
O Icatu 100, fundo previdenciário, aloca 100% de seus ativos em renda variável, com foco em small caps (44,7%) e micro caps (54,6%). É um posicionamento praticamente único para a classe previdenciária. Uma boa diversificação para a carteira previdenciária no longo prazo.
É composto por 12 empresas muito minuciosamente selecionadas ; destas, seis representam 76% do portfólio. A distribuição setorial é: Bens de Capital (16%); Agricultura (15,6%); Bens Industriais (15,6%); Álcool e Açúcar (12,6%); Indústria Rodoviária (11,6%); e Metalurgia e Siderurgia (9,9%). Os 19% restantes estão nos demais setores.
Em janeiro, o fundo entregou desempenho positivo de 2,4% – menos que os 4,9% do IBOV. Também aqui Agricultura/Agronegócio (1,6%) e Bens Industriais (1,3%) foram o destaque. Os Bens de Capital (-0,6%) não foram tão bem.
Abaixo, o histórico de desempenho do Icatu 100:

Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)
É similar ao Icatu 100 – mas, como o nome mesmo já sinaliza, tem na renda variável 70% alocados. Em janeiro, teve desempenho similar ao do “primo”, ao subir 2,4% (2,4 p.p. atrás do IBOV). Nenhum setor deu contribuições dignas de nota; o retorno de janeiro foi uma espécie de “conjunto da obra”: Bancário (0,7%), Bens Industriais (0,6%), Agricultura e Agronegócio (0,6%) e Indústria Rodoviária (0,6%). Bens de Capital (-0,4%) vieram na contramão. Desde o início (mai/2023), o retorno foi de 2,6% (contra 14,4% do benchmark)
O fundo é composto por 15 empresas de diferentes capitalizações de mercado (29,8% em small caps; 27,5% em micro caps; 12,1% em large caps; e os 30% restantes em caixa), com alocação balanceada (nenhuma posição supera 9% do portfólio).

Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)
Nosso fundo voltado à captura de vantagens nos segmentos energético e de cadeia de produção (local e global) teve ganho de 1,2%, contra 5,3% do benchmark IEE (4,1 p.p. atrás). O deslocamento em relação ao IEE no geral é grande – porque a estratégia do Trígono & Power Yield não o limita a investir em empresas de concessão de energia (embora o portfólio tenha algumas dessas). O foco é tomar posição para tirar o máximo proveito do cenário de transição energética. Algumas empresas brasileiras deverão ser amplamente favorecidas nesse cenário: eletrointensivas, biocombustíveis, energia renovável e minerais importantes na transição energética (cobre e seu primo rico, ouro).
Por segmentos, Energia (1,3%) e Agricultura/Agronegócio (0,9%) ajudaram. Metalurgia e Siderurgia (-0,5%) não ajudaram.
Em 12 meses, o fundo recua 1,8% – contra queda consideravelmente maior (-10,3%) do referencial. O alfa é, assim, de 8,5 pontos. Desde seu início (fev/2021 – quatro anos de existência prestes a se completarem), o Power ganha 9,1% (ante perda de -1% do IEE).

Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)
O Trígono Horizon, focado em micro caps (classificadas aqui como empresas de valor de mercado inferior a R$ 3 bilhões), foi o “craque do mês” entre fundos da Trígono: 4,7% de ganho. O ganho do SMLL ainda foi um pouco maior: 6,1%. Construção (1,2%) e Agricultura/Agronegócio (1,1%) foram os destaques positivos. Nenhum setor deu contribuição negativa relevante.
Como já comentamos aqui, a classe das Micro Caps talvez seja a do maior número de oportunidades na bolsa atual. Porque esses ativos não têm fluxo, as assimetrias ficam cada vez mais “escandalosas”. Nosso cuidado aqui é não diversificar demais o portfólio e conseguir “surfar” as melhores oportunidades no momento.
A carteira atual é composta por 15 empresas – que de “micro” tem só a capitalização de mercado. Estamos falando de empresas centenárias, líderes em seus setores, com taxas de dois dígitos de crescimento esperadas para os próximos anos. Seis delas não têm dívidas; três têm endividamento próximo a zero.
Para dar um pequeno spoiler aos investidores: entre as investidas estão: Boa Safra; Schulz; BR Partners; Eucatex; Irani; e Celesc – como se vê, são setores bastante distintos. Abaixo, o histórico de desempenho do Horizon:

E para Renda Fixa? Como foi o desempenho no mês de janeiro?
TRÍGONO SIRIUS FIC FI RF LP
O Sirius teve retorno de 1,2% em janeiro – equivalente a 118% do CDI no período. Desde seu lançamento, o fundo acumula retorno de 104% do CDI. O Patrimônio Líquido da estratégia Sirius está em R$ 117 milhões, enquanto o fundo disponível nas plataformas digitais terminou o mês com R$ 100 milhões sob gestão.
Após um dezembro marcado pela aversão maior a risco (resultado da deterioração da situação fiscal), janeiro foi um mês de recuperação importante principalmente para a nossa carteira. A exceção dos setores de Transporte & Logística e Locação de Veículos, todos os demais deram contribuição positiva para o desempenho do mês. O fechamento dos spreads foi o principal vetor de retorno para o Sirius.

Fonte: JGP; elaboração Trígono Capital

Fonte: JGP; elaboração Trígono Capital

Fonte: Quantum Axis; elaboração Trígono Capital
Seguimos bastante cautelosos com as emissões primárias. Entendemos que o nível de taxa das ofertas não tem remunerado de forma adequada o risco de crédito. A época do ano já tem como característica uma certa escassez – e em janeiro ainda houve o efeito da antecipação, ao longo de 2024, das captações que muitas companhias fizeram para atender suas necessidades.
Continuamos a reduzir a exposição do fundo a ativos que julgamos não ter uma relação adequada de retorno ajustado ao risco no contexto macroeconômico atual. Nosso modelo de valor relativo segue em uso – e bastante seletivo em relação a nomes mais alavancados. Nossa posição de caixa subiu de 17% para 26% no decorrer do mês.

Fonte: Trígono Capital
Também utilizamos a posição de caixa em oportunidades no mercado secundário, principalmente elevando a exposição a letras financeiras de bancos de primeira linha.
O patamar de caixa, como está, é adequado para fazer frente ao cenário atual – e nos permite buscar oportunidades no mercado secundário e participar do primário (sempre de forma criteriosa e seletiva, mirando a remuneração adequada).

Fonte: Trígono Capital
Ao fim de janeiro, estávamos com 68 ativos em carteira, carrego de CDI + 1,09% ao ano, rating médio brAAA e 2,9 anos de duration.
Em termos de exposição setorial, o financeiro/bancário (28% do fundo) segue como o favorito – beneficiado que é em cenário de aumento de juros e pujança da economia, com baixa taxa de desemprego. Seguimos expostos apenas a instituições de primeira linha e a bancos ligados a grupos internacionais.

Fonte: Trígono Capital
Ter uma carteira bastante premium dentro do segmento high-grade é a melhor estratégia a adotar (e não é por outro motivo que a adotamos) em um contexto macroeconômico de aumento de juros e escalada do risco fiscal. Seguiremos diligentes, monitorando toda exposição de crédito do nosso fundo – e sem esquecer dos riscos e desafios que juros em alta representam para fluxo de caixa e métricas das empresas. Assim, revisamos recentemente toda nossa carteira promovendo choque de juros, incorporando as curvas de mercado às nossas projeções. Como resultado (e por prudência), reduzimos exposições a alguns dos emissores mais alavancados.
TRÍGONO POLARIS DEBÊNTURES INCENTIVADAS FIC FI RF
O Polaris teve retorno de 1,1% no mês, contra 1,88% do IMA-B5. O patrimônio líquido da estratégia encerrou janeiro com R$ 47 milhões sob gestão.
Carrego e fechamento dos spreads de crédito favoreceram a rentabilidade do fundo: ambos compensaram o impacto desfavorável de uma pequena abertura das NTN-Bs. Vimos alguma acomodação (talvez mesmo uma correção de exageros praticados pelo mercado), principalmente nos últimos dias do mês e após a 1ª decisão (sem surpresas) do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, agora comandado por Gabriel Galípolo. Ficamos para trás ante o benchmark, uma vez que nosso fundo investe em ativos de infraestrutura – que têm duration mais longa que o IMA-B5. Ainda mais em um mês em que as NTN-Bs mais curtas tiveram melhor desempenho.

Fonte: Quantum Axis; elaboração Trígono Capital
Seguimos com alocação ligeiramente acima do exigido pela regulação em debêntures incentivadas (68,5% vs 67%, para fundos entre 6 meses e 2 anos de vida). Não há qualquer pressa em se atingir o patamar de 85% (temos até fevereiro de 2026 para isso), mas seguimos atentos a oportunidades, sobretudo no mercado secundário.

Fonte: Trígono Capital
Ao longo do mês, seguimos nossa estratégia de negociação: foco em ativos de melhor retorno ajustado ao risco, seja para redução de duration, seja para incremento no nível de spread/carrego da carteira. Também reduzimos exposição a empresas mais alavancadas. Assim, elevamos nossa posição de caixa para 12% do fundo.

Fonte: Trígono Capital
Spreads de crédito seguem equilibrados, com fechamento marginal em janeiro (o que se vê no gráfico abaixo). Já em nossa carteira, aumentamos o spread over NTN-B de 58 bps para 66 bps. Reforçamos que o nível das NTN-Bs, o spread de crédito e a isenção fiscal tornam o produto fundo de debêntures incentivadas bastante atrativo – disso não há qualquer dúvida. Sabe-se também que, à medida que a taxa Selic sobe, a isenção fiscal que as debêntures incentivadas ou fundos de debêntures incentivadas proporcionam torna-se ainda mais atrativa ante debêntures ou fundos não isentos de IR para pessoa física.

Fonte: JGP; elaboração Trígono Capital
Encerramos janeiro com 66 ativos em carteira, carrego de IPCA + 8,40% ao ano (equivalente à NTN-B 2030 + 0,66%), rating médio de brAAA e 4,9 anos de duration.
Por setor, a carteira continua bem diversificada. A maior exposição é a do setor de Energia Elétrica (31%), seguida pelas de Saneamento (11,5%) e Transporte & Logística (10%).

Fonte: Trígono Capital
O Norte da nossa estratégia é ter uma carteira com elevada qualidade de crédito – o que conseguimos com monitoramento constante e seleção diligente.
E sempre é bom ressaltar, claro: não incorremos em riscos de projeto. O Trígono Polaris tem exposição apenas a risco de crédito corporativo. Entendemos ser isso bastante prudente no atual momento macroeconômico e de elevação de juros. Seguimos com visão otimista para o produto: temos uma combinação rara e auspiciosa para o investidor de longo prazo que suporta volatilidade de curto prazo: elevadas taxas das NTN-Bs, qualidade de crédito superior e isenção fiscal.
Equipe de Crédito Privado da Trígono Capital
Werner Roger, Sócio-Fundador & CIO Trígono Capital
Marcelo Antonio Tramontina Peixoto, CGA — Head e Gestor de Crédito Privado
Rômulo Bredt, CGA, CNPI — Cogestor e Analista de Crédito Privado
Larissa Marrocos Resende Villar – Analista de Crédito Privado
Eric Gordon Findlay – Estagiário de Crédito Privado




