Desempenho Mensal – Dezembro de 2024

10 jan 2025

Renda VariávelRenda Fixa

A segunda parte da nossa Resenha será o Desempenho Mensal dos Fundos da Trígono – que é este texto que o nosso estimado leitor tem ora nas mãos. É aqui que explicamos o que aconteceu de forma mais geral, que mostramos a atribuição de performance dos diversos setores e – sempre que for o caso – em que fazemos comentários pormenorizados sobre uma ou outra (ou outras) empresa. Esta parte do texto virá como publicação separada – atendendo diretamente investidores atuais e investidores potenciais. Para estes últimos, a informação sobre o desempenho de nossos fundos, dados cruciais para entender o que se passa, que fatores influenciam/influenciaram o desempenho dos fundos – tudo isso e muito mais fica mais à mão.

E, relembrando, a terceira parte será a combinação Conjuntura Nacional/Conjuntura Internacional. Terá frequência trimestral.

Pois bem, vencidas as preliminares, passemos à própria Resenha.


A busca por ativos mais defensivos foi a marca de 2024. Principalmente pelos ligados ao setor financeiro (bancos e seguradoras), os de empresas mais líquidas e conhecidas do mercado – as denominadas blue-chips – e os de empresas com receitas relacionadas à moeda estrangeira. Embraer, BRF, Marfrig, Santos Brasil, WEG, Cemig, Porto Seguro, Suzano, BB Seguridade e Petrobras – todas estas se destacaram. Uma vez mais prevaleceu a lógica – em que tanto acreditamos e que aplicamos sempre – das empresas pagadoras de dividendos.

O IDIV foi o índice de melhor desempenho da B3. Sim, ficou no negativo; digamos, então, que foi o menos negativo do ano (o que, se não chega a ser algo de que se orgulhar, pelo menos pode-se colocar na coluna das pequenas vitórias). O recuo no ano passado foi de 2,6%. Veja-se o IBOV, que caiu dolorosos 10,4% – e o SMLL (small caps) então? Portentosos 25% para baixo. Para cada real ali, um virou pó.

Mas será que as empresas pioraram tudo isso? Não custa lembrar que o PIB cresceu perto dos 3,5%.

E para os que achavam isso tudo assustador, segurem-se: o EWZ (índice que reflete ETF do Brasil), cotado a US$ 22,51 no fechamento de 2024, caiu nada menos que 34,7% em dólar. Foi o pior desempenho entre as principais bolsas do mundo – e isso afeta, como bem poucas coisas mais, o bolso e humor dos investidores estrangeiros. Ainda mais se eles vierem do país dos cowboys – aqueles personagens dos EUA que ficaram famosos no terço final do século 19, depois da Guerra Civil. Vagavam na expansão daquele país para o oeste e se aproveitavam da falta de leis para espoliar os outros por onde quer que andassem. Ganharam uma aura de heróis, mas a realidade era bem diferente (como se vê na série “Wyatt Earp and the Cowboy War”, da Netflix. Ou nos western-spaghetti de Sergio Leone – que têm a vantagem de terem sido musicados por Ennio Morricone).

Mas divago. Este texto é finalizado no dia da confirmação de Donald Trump no Congresso como presidente dos EUA. Quem gosta de lógica, racionalidade e planejamento vai ter um ano (na verdade, quatro anos) e tanto pela frente. E (palpite nosso) as alusões a cowboys deverão ser frequentes.

Pois bem, como dizia: o nível atual do EWZ está próximo aos piores da história do índice – casos de 2020 (pandemia), 2015 (governo Dilma) e – pasmem – pior até que os 34,3% a que chegou no pior momento da crise dos subprime, em 2008 (quando a sensação era de que o mundo iria acabar mesmo; éramos tão inocentes…). Para encontrar um desempenho pior, precisamos voltar a agosto de 2000, no início do índice – ou seja, praticamente um quarto de século atrás. O resultado de 2024 ficou só 13,7% acima de 2000. Valorização pífia – dificilmente há de se encontrar quem discorde disso.

Será que nossa realidade – a realidade das empresas, na verdade – é tão ruim assim?

Se compararmos a evolução de receitas, lucros e qualidade de governança (Novo Mercado) das empresas com crescimento do PIB ao longo das últimas duas décadas (especialmente agronegócio, setores petrolífero, de mineração e financeiro), algo parece estar muito fora do lugar. Recomendo a releitura da primeira parte da Resenha – em que trazemos outros dados interessantes sobre o Brasil e alguns países do G20 (as 20 maiores economias do planeta).

Fonte: Yahoo Finance

O que podemos dizer já de saída é: o mercado nos parece disfuncional, afetado por um pessimismo exagerado. O que estamos assistindo em tempo real é a prevalência de fatores comportamentais sobre a racionalidade: fluxo e aversão a risco estão se sobrepondo a qualquer tipo de avaliação técnica – com base nos fundamentos e no real valor das empresas.

As small caps são as mais prejudicadas neste contexto – mas, nunca é demais reforçar: empresas não são o mercado. Mercado é uma infinidade de forças, sentimentos, fluxos, aversões, comportamentos sensíveis à mídia etc. O amálgama desses elementos é o que forma o preço – e o leitor mais atento já percebeu: a realidade das empresas não entra na mistura. Mesmo daquelas que, a despeito da conjuntura econômica e política, vão muito bem, obrigado.

A Trígono tem por papel conduzir uma embarcação – que são os nossos fundos (para aqueles que sentiam falta de nossas alusões náuticas) – num mar de ondas grandes, ventos contrários, correntezas invisíveis, mas perigosas, mantendo o curso até que o mar se acalme. O gráfico do EWZ ilustra muito bem as oscilações do mercado – e, quando entra num ponto muito baixo ou mínimo, existe uma reação.

Não, não estamos dizendo que a bolsa vai subir amanhã – aliás, o que fazemos muito frequentemente é justamente dizer que nem nós, nem ninguém, sabe quando a virada virá (e que quem diz que sabe, ou vende aquele cursinho que explica como prever isso, está no mínimo mentindo).

O que fazemos é avaliar e acompanhar as empresas investidas. Temos a convicção de que muitas estão bastante descontadas. Elas estão pagando excelentes dividendos, investindo, crescendo, se modernizando, gerando valor aos acionistas. Para tudo isso, elas em nada – em nada! – dependem do tal “Sr. Mercado”.

Como comentamos em Resenhas anteriores, ao longo de nossa trajetória na Trígono, temos mantido o compromisso de abordagem fundamentada em princípios tangíveis e consistentes. Utilizamos o preceito bottom-up – o que é dizer que nos concentramos na qualidade dos fundamentos e no valor intrínseco das empresas (sobre isso, nos manifestamos mais longamente em março de 2024). A barulheira que o ciclotímico Sr. Mercado faz a cada mínimo ruído macroeconômico e flutuação de curto prazo não nos afeta: contra ela, utilizamos janelas à prova de som.


Dezembro trouxe uma interessante recuperação no desempenho de nossos fundos. Foi como uma dose ainda tímida de racionalidade voltando ao mercado, após os movimentos para baixo bastante acentuados em novembro e dezembro.

Mas reconhecemos que nosso desempenho em 2024 ficou aquém de todas as expectativas – mais que todas, das nossas próprias. O cenário do ano passado foi bastante desafiador em termos de fluxo de investimento na bolsa brasileira, com todos os ruídos e incertezas macroeconômicos – gerados principalmente pela indefinição na política fiscal do nosso país. Ainda há uma longa estrada a percorrer em 2025 e além. O excesso de turbulência faz parecer que toda a racionalidade debandou – mas essa é a visão do curto prazo, a visão imediatista. Estamos convencidos de que a qualidade prevalecerá no longo prazo.

As small caps, que compõem boa parte de nossas alocações (cerca de 80%, contando ainda as micro caps), seguem subvalorizadas, penalizadas e ignoradas por muitos investidores. Observando nossa cesta de principais posições, suas cotações permanecem pressionadas. Mas os fundamentos de todas são positivos: a estrutura de capital é adequada; as margens, saudáveis; todas são geradoras de caixa e muitas delas com exposição (direta ou indireta) relevante ao dólar. A pressão sobre as cotações não ocorre, portanto, por falhas em suas operações; vem simplesmente de se tratar de empresas menores (em termos de valor de mercado) e menos líquidas. As análises top-down costumam partir do pressuposto que todas as ações de determinados setores deveriam se comportar da mesma maneira; o caso é que a outra perna da pressuposição é de que esse comportamento se baseia no que tais analistas projetam para determinadas expectativas macroeconômicas. Mas, como bem vimos pelo histórico do boletim Focus, as taxas de acerto das expectativas macroeconômicas desses analistas tendem a zero.

Faz lembrar aqui de outra situação já vista no cinema: o clássico de 1976 “Rocky”. Rocky Balboa, o protagonista, enfrenta desafios aparentemente insuperáveis com determinação, paciência e a convicção de que o esforço constante o levará à vitória. A trajetória do personagem é um lembrete poderoso de que conquistas significativas são alcançadas com trabalho consistente, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis.

Como Rocky, seguimos firmes: cada “round” no mercado nos aproxima do reconhecimento do verdadeiro valor dessas empresas. A paciência e a persistência são nossas melhores ferramentas e estamos certos de que, no longo prazo, o mercado recompensará quem se manteve convicto e viu além das adversidades de turno. Muitos desistem e jogam a toalha muito antes da luta chegar ao final. Mas é como Rocky nos ensinou – já na versão de 2006, um lutador muito mais experiente: “Não importa o quanto você bate, mas o quanto você aguenta apanhar e continuar seguindo em frente. É assim que a vitória é feita”.

Todos os nossos fundos de renda variável desempenham muito acima dos referidos benchmarks desde seus inícios. Em 2024, o Parthenon (fundo da Trígono que mais se assemelha ao que o mercado busca: empresas grandes, líquidas, “não-small caps”) teve queda de 2,36% – saiu-se melhor, portanto, que o IDIV (que caiu 2,62%) e muito melhor que o benchmark, IBOV (com -10,36%). Seja qual for a modalidade de luta que as grandes empresas praticam – boxe, MMA, greco-romana, judô etc. –, nós também praticamos – e ganhamos.

O Sr. Mercado reconhecerá, mais cedo ou mais tarde, o verdadeiro valor dessas empresas. Reafirmamos nosso compromisso de trabalhar com dedicação para transformar oportunidades em resultados sólidos ao longo de 2025.

Desejamos a todos um excelente início de ano – e que 2025 seja motivo de celebração.


Trígono Delphos Income FIC FIA (CNPJ: 29.177.024/0001-00)

Em dezembro, o Delphos apresentou retorno positivo de 0,8%, ante queda de 4,89% do benchmark, IDIV. Bens de capital/indústria (2,5%) e metalurgia/siderurgia (0,25%) tiveram valorização; já agronegócio (-1,45%) e consumo discricionário (-0,20%) pesaram.

Um ponto interessante no mês foi o comportamento da Tupy: duramente penalizada em outubro (-9,2%) e novembro (-11,4%), no mês passado recuperou algum terreno (15,6%). Sobre a Tupy, cabem dois dados relevantes:

– o anúncio, em 5 de dezembro, do aumento do programa de recompra de ações, de 4 milhões para 14 milhões (cerca de 10% do capital total); e o anúncio de JCP de R$ 190 milhões (6% yield, ex dia 2/jan. e pagamento em 15/jan.).

Combinados, ambos os fatos mostram: i) a confiança de acionistas e conselheiros na empresa e ii) a subvalorização das ações pelo mercado.

Também é o caso de mencionar os 11,4 milhões de ações alugadas (short), que correspondem a 25% do free float (excluindo BNDESpar, Previ, Trígono e Charles River – que somados controlam 68% do capital total). Apenas em dezembro a posição alugada aumentou em 5,8 milhões. Tendo em vista o programa de recompra e a concentração nos principais acionistas, a reversão desta posição nos parece bastante comprometida e sujeita ao short squeeze (corner), em caso de alta contínua das ações. Desta forma, será difícil a recompra das ações pelos shorters, especialmente por ter a recompra pela empresa ter sido alimentada pelos próprios shorters, e estes para reduzir ou reverter a posição de aluguéis, não encontrarão na Tupy a retribuição da gentileza e terão que buscar no free float. É uma aposta bastante arriscada. Coisa de especulador. Ou de kamikaze.

A Tupy tem cerca de 70% de suas receitas dolarizadas, enfrentou recentemente uma queda pontual de redução de pedidos e volumes vendidos para veículos pesados e off-road nos EUA. No entanto, houve em 2024, notadamente no segundo semestre, uma forte apreciação do dólar sobre o real (25%) e peso mexicano (22%), o que beneficiará suas margens operacionais. Lembremos que a maior parte dos custos da empresa nesses países está em moeda local, mas suas receitas são em moeda forte (dólar e euro).

Complementando a tese de investimento, destacam-se a evolução e o desenvolvimento no segmento de descarbonização, liderado pela MWM, com:

  • as iniciativas de produção de biogás/biometano através da construção de bioplantas;
  • transformação veicular com motores a gás, biometano e a etanol substituindo diesel;
  • inauguração de uma planta-piloto para reciclagem de baterias que poderá ganhar escala relevante a nível global, tecnicamente já demonstrada; e
  • a expansão da capacidade do centro de distribuição de peças de reposição e novos produtos.

Acreditamos que vêm aí anúncios de novos contratos e iniciativas de caráter relevante – e um 1T25 já refletindo a nova realidade cambial e os efeitos nas receitas e margens. Outro fato histórico importante para a empresa: o primeiro mandato de Donald Trump foi bastante positivo para a companhia. A expectativa é de potencialmente mais quatro anos positivos, uma vez que, nesta segunda etapa, deverá haver investimentos em infraestrutura e energia (notadamente de origem fóssil) nos EUA – de onde a Tupy aufere cerca de 50% de suas receitas.

Quanto ao desempenho em 2024 como um todo, o fato de nossa estratégia em relação ao benchmark ser agnóstica acabou nos penalizando em um momento de maior estresse no mercado. O IDIV – que se mostrou o melhor índice da bolsa brasileira nos últimos anos, fechou em queda de 2,6%; já o Delphos perdeu 18,7% no mesmo período. Isso reflete, em parte, nossa maior alocação em small caps – que, no caso do Delphos, são boas pagadoras de dividendos (yield de 11,1% em 2023 e 6,2% em 2024 que ainda será adicionado com os resultados do ano), mas também com atributo de crescimento e sólidos fundamentos. A aversão ao risco, no entanto, fez a diferença.

Desde sua criação (abr/2018), o Delphos entregou retorno acumulado de 172,1%, contra 99,2% do IDIV (um excedente de quase 73 p.p.) Apesar da volatilidade de curto prazo, confiamos nos fundamentos das investidas e na tese de longo prazo, especialmente considerando a qualidade e o potencial de valorização das empresas investidas (e que, afinal, ficaram 19% mais baratas – fora o crescimento de resultados).


Trígono Flagship Small Caps FIC FIA 60 (CNPJ: 29.177.013/0001-12)

Em dezembro, o Flagship entregou ganho de 1,59%, contra uma expressiva queda de 7,83% do benchmark, o SMLL. Tivemos um alfa de expressivos 9,4 p.p.

As principais contribuições positivas setoriais: bens de capital/indústria (2,9%) e metalurgia & siderurgia (1,0%). As principais negativas: agronegócio (-1,7%) e logística (-0,6%). A volatilidade de 12 meses do Flagship, não nos esqueçamos, foi de 16,3% – abaixo dos 19,4% do SMLL. A concentração, como se vê, não representa necessariamente maior risco. Na realidade, risco é a qualidade das empresas e a capacidade da equipe de gestão selecionar as melhores oportunidades (ainda que num determinado período o mercado não as precifique corretamente).

Neste mês, o benchmark SMLL sofreu forte impacto, especialmente dos setores de varejo, consumo cíclico e construção (que figuraram entre os maiores detratores), refletindo uma expectativa pessimista sobre a economia e sobre o rumo das taxas de juros. Esse cenário reforça a importância da seleção criteriosa de ativos e do nosso foco em fundamentos sólidos, empresas com baixa alavancagem, exposição a moedas fortes e que nos permitiram navegar com sucesso em um mês tão desafiador para as small caps.

Em 2024, o fluxo negativo de investimentos na bolsa brasileira foi impiedoso com o Flagship. Houve fortes resgates e vendas por parte de investidores institucionais locais e estrangeiros de empresas small caps, ETFs e fundos, além da série de ruídos macroeconômicos e incertezas fiscais no Brasil. O fundo encerrou o ano com queda de 18,3% – que, no entanto, foi menor que a do SMLL (-25%).

Apesar do alfa, o desempenho geral ficou aquém das expectativas. Mas mantemos plena confiança em que os fundamentos das investidas se destacarão no longo prazo, e mais que todos os daquelas com receitas relacionadas à moeda estrangeira. A flexibilização do câmbio, em 13 e 14 de janeiro de 1999, levaria o IBOV a subir 238% entre 14 de janeiro e 30 de dezembro daquele ano. Uma das maiores altas anuais da bolsa. Já o real perdeu 48,9% em 1999 (ou 35,5% entre 14 de janeiro e 30 de dezembro daquele ano). Boa parte desse desempenho do IBOV veio do efeito positivo da desvalorização do real sobre os resultados das empresas e início de um ciclo positivo das commodities. A principal ação da bolsa naquele ano era a da Telebras: o efeito do câmbio foi neutro, bem como commodities – mas todo o mercado foi beneficiado. Como se diz, ainda não “caiu a ficha” do mercado para o efeito do câmbio na economia, setores e empresas relacionadas.

Finalizamos o ano com cerca de 79% do portfólio concentrado em seis posições, e incorporamos dois novos nomes alinhados ao perfil do Flagship e com sólida situação financeira. Acreditamos que essas adições têm potencial para contribuir de forma importante para a rentabilidade do fundo nos próximos anos (além de trazer diversificação setorial).

Desde sua criação, o Flagship entregou retorno acumulado de 199,3%, superando o SMLL – que entregou pífio 0,7% no mesmo período. Destacamos também o alfa gerado pelo Flagship em todas as janelas anuais acumuladas desde sua criação.


Trígono Parthenon FIC FIA (CNPJ: 52.924.585/0001-30)

O Parthenon é o fundo mais recente da nossa casa e se destaca pela elevada liquidez – média de liquidez diária de mais de R$ 200 milhões por empresa – aliada a uma grande capacidade de investimento e resgate em D+5 (prazo bastante curto), auferindo liquidez aos investidores. O fundo investe exclusivamente em empresas com valor de mercado superior a R$ 10 bilhões e liquidez diária acima de R$ 10 milhões – mas a liquidez média atual é muito superior (20 vezes maior do que o mínimo para empresa elegível).

Acreditamos que a filosofia e a execução que nos tornaram referência no universo de small caps (vide resultado do Flagship desde o seu início) podem ser aplicados ao universo de large caps: rigor analítico; foco em fundamentos sólidos; e nossos três pilares: ESG, EVA e Dividendos. Além disso, empregamos uma estratégia de concentração: 16 empresas, nenhuma posição acima de 10% da carteira (atual maior concentração de 9%). Destacamos ainda a volatilidade anual do Parthenon: 11,7% (ante 12,9% do IBOV); quantidade de dias positivos de 54% (ante 38% do IBOV); e maior perda mensal em 12 meses de 3,8% (-4,8% do IBOV). A estratégia (FIA), que abriga os ativos, tem patrimônio de R$ 367 milhões (o que já é o 3º maior da Trígono nos 13 meses desde o lançamento). Para saber mais, veja a live.

Dezembro foi desafiador para o fundo, que registrou queda de 3,05%. Ainda assim, geramos alfa – uma vez que o IBOV caiu 4,28% no mesmo período. No acumulado do ano, encerramos com queda de 2,36%, contra recuo de 10,36% do IBOV, alfa de 8 p.p.

O fundo tem uma carteira setorialmente bem-posicionada: 51% das empresas com receitas altamente relacionadas à moeda estrangeira; 43% defensivas (bancos, seguradoras e concessionárias de energia elétrica); e apenas 6% mais sensíveis a juros (na verdade, mais ligadas à distribuição de combustíveis – ou seja: mais relacionado ao PIB que à Selic). Todas têm sólida estrutura de capital e são boas pagadoras de dividendos (6,4% de yield nos últimos 12 meses). Essa estratégia reflete nosso compromisso em buscar consistência nos retornos, mesmo em cenários de maior volatilidade e incertezas fiscais no mercado doméstico.

Neste primeiro ano do Parthenon, as principais contribuições vieram de empresas como Embraer, Porto Seguro, BB Seguridade e Cemig (por coincidência, entre as maiores altas do IBOV em 2024). Em dezembro, as principais contribuições positivas vieram de papel e celulose (0,26%) e seguradoras (também 0,26%). mineração e siderurgia (-1,34%), energia elétrica (-0,61%) e petróleo e gás (-0,59%) pesaram.


Trígono Verbier FIC FIA (CNPJ: 08.968.733/0001-26)

Com liberdade para selecionar as melhores oportunidades, independentemente do valor de mercado das empresas, o Verbier encerrou dezembro com valorização de 2,63% (melhor resultado entre os fundos da Trígono), enquanto o IBOV caiu 4,28% (gerando alfa de 7p.p.). As principais contribuições positivas: bens de capital/indústria (3,1%) e metalurgia & siderurgia (+0,9%). As principais negativas: agronegócio (-1,5%) e indústria têxtil (-0,14%).

O fundo encerrou 2024 com queda de 16,72%, maior que a do benchmark, o IBOV (-10,36%). Nossa estratégia de permanecermos agnósticos em relação ao benchmark acabou nos penalizando, em um momento de maior estresse no mercado. O Verbier hoje está com 49% alocados em micro caps; 44% em small caps; e 7% em large caps. Aqui também pesou a maior aversão ao risco, típica do quadro de disfuncionalidade do mercado – ou seja: fundamentos e resultados das empresas ficam em segundo plano.

Desde seu lançamento (jul/2018), o Verbier acumulou valorização de 173,5%, mais de três vezes superior ao IBOV – com seus 53,7% no mesmo período. Esse desempenho representa um alfa de 119,8 p.p. – resultado expressivo, mesmo em períodos de grandes incertezas (como pandemia, eleições, risco fiscal e juros elevados). Os velejadores sabem que é possível navegar contra os ventos, ainda que em ziguezague; seguem uma rota mais longa, mas mais efetiva. É como vem sendo com nossa navegação do Verbier. Muitas vezes o mar balança a embarcação, todos sentem algum desconforto. Com os investimentos, muitas vezes se dá algo parecido.


Trígono 70 Previdência FIC FIM (CNPJ: 33.146.130/0001-96)

Este fundo de previdência está 70% exposto a ações (renda variável), investindo em empresas de diversos portes – de small caps a blue chips, o que o caracteriza como um fundo all cap. É uma opção ideal para quem quer valorização superior ao CDI no longo prazo para complementar a aposentadoria.

Em dezembro, o fundo apresentou ganho de 1,57%, superando o CDI (0,93%) no mesmo período. As principais contribuições positivas foram bens de capital/indústria (+2,4%) e metalurgia & siderurgia (+1,2%). Só o agronegócio teve desempenho negativo (-1,9%). No acumulado do ano, no entanto, o fundo caiu 9,68%, enquanto o CDI teve ganho de 10,88%.

A estratégia de alocação é 70/30: 70% do portfólio vai para renda variável, investindo em empresas com características adequadas para uma carteira previdenciária. Nosso foco está em negócios que combinam geração de caixa, criação de valor, crescimento sustentável, pagamento de dividendos e, nos últimos anos, exposição ao dólar – qualidade particularmente vantajosa no atual cenário de real depreciado. Este efeito do câmbio se manifestou principalmente no 4T24 e será mais fortemente refletido no 1T25 (desde que permaneça num patamar acima de R$ 6,00.

Lançado em setembro de 2019, o fundo, em seus primeiros cinco anos (um período ainda inicial para a visão de longo prazo em previdência), alcançou retorno acumulado de 79,04% – acima dos 53,7% do benchmark (e representando cerca de 147,2% do CDI no mesmo intervalo). Foi o primeiro ano em que o fundo teve desempenho negativo e abaixo do CDI – mas não devido a resultados negativos das empresas, e sim a fatores conjunturais de mercado e à aversão ao risco. Nada teve a ver com as empresas investidas.


Trígono Icatu 100 FIA PREV (CNPJ: 35.610.342/0001-08)

O Icatu 100 é um fundo previdenciário que aloca 100% de seus ativos em renda variável, com foco em small caps e micro caps – que, juntas, representam 98,3% do portfólio (53% e 47%, respectivamente).

Essas estratégias e exposição o diferenciam significativamente de outros fundos da mesma classe. Bom para o investidor, que conta assim com uma oportunidade única de diversificação previdenciária, com baixa sobreposição em relação aos pares da indústria. Além disso, por estar sujeito a regulações específicas da SUSEP (órgão regulador do mercado de seguros), opera sob limites distintos de fundos como o PREV 70 ou mesmo FIAs (fundos de investimentos em ações).

Apesar do cenário desafiador para empresas de menor capitalização, mantemos nosso compromisso com investimentos em companhias de qualidade, com sólidos fundamentos e preços descontados, criteriosamente selecionadas. Para nós, investir com visão de sócio é essencial — priorizamos companhias que criem valor no longo prazo para acionistas, e não o buscar ganhos momentâneos baseados em dinâmicas de mercado desatreladas dos fundamentos. Como diz o ditado, o que engorda o porco é o olho do dono.

Em dezembro, o fundo teve ganho de 1,68%, superando o IBOV (-4,28%), gerando alfa de 6 p.p. No acumulado do ano, no entanto, o fundo registrou queda de 20%, enquanto o IBOV teve desvalorização de 10,36%.

As principais contribuições positivas setoriais foram bens de capital/indústria (2,4%) e metalurgia e siderurgia (1%). Já o agronegócio (-1,87%) e logística (-0,48%) pesaram.

Lançado em plena pandemia (14.jul.2020), o fundo desde então alcançou retorno acumulado de 63,3% (e o período é curto para que se tenha visão de longo prazo em previdência) – bem acima dos 19,8% do benchmark no mesmo intervalo (um alfa de nada menos que 43.6 p.p.) Foi o primeiro ano em que o fundo teve desempenho negativo – mas, também aqui, não devido a resultados negativos das empresas, e sim aos fatores conjunturais de mercado já mencionados mais acima.


Trígono ICATU 70 Previdenciário FIC FIA (CNPJ: 49.459.345/0001-05)

Com uma estrutura similar à do Trígono 70 Prev, mas com uma carteira mais diversificada, o Icatu 70 foi desenvolvido para atender parceiros que desejam acesso a fundos previdenciários da Trígono sem exposição total à renda variável. O fundo é composto por 15 empresas de diferentes portes (capitalização) de mercado, com alocação equilibrada (nenhuma posição supera 9% do portfólio).

Em dezembro, o Icatu 70 ganhou 0,35%, mas encerrou 2024 com queda acumulada de 10,38%. Desde sua criação (18.mai.2023), o fundo permanece próximo da estabilidade no acumulado, enquanto o IBOV se beneficiou de um momento positivo – entregando alta de 9,24% no mesmo intervalo.


Trígono Power & Yield 100 FIC FIA (CNPJ: 40.265.153/0001-85)

O Power & Yield encerrou o mês com queda de 0,64% – contra significativo 5,63% de queda do IEE – que, reconheçamos, é um dos índices mais bem estruturados da B3. São as 15 empresas mais líquidas do setor elétrico, com participações individuais variando entre 5% e 10%.

As principais contribuições positivas setoriais foram metalurgia e siderurgia (0,95%), ligado a eletrointensivo e autoprodução de energia; e mineração (0,71%), ligado a ouro e cobre. Do lado negativo vieram o agronegócio (-1,61%) ligado a etanol, energia de biomassa e açúcar; e energia elétrica (-0,5%).

Como mencionamos em Resenhas anteriores, não visamos apenas geradoras, transmissoras e distribuidoras do setor elétrico. Buscamos empresas que, de alguma forma, tenham a energia como uma vantagem competitiva e duradoura. Ou negócios ligados à energia limpa, renovável e de baixo custo, como insumos.

No ano, o fundo recuou 5,17% – menos que o IEE, que mergulhou 18,43%. Desde seu início, o fundo acumula retorno positivo de 7,81%; no mesmo período, o benchmark recuou 5,97% (gerando um respeitável alfa de 13,8 p.p., mesmo tendo como benchmark as maiores e mais importantes empresas do setor elétrico; fica evidente a diversificação e objetivos do fundo). A volatilidade foi de 13,67%, ante 14,44% do IEE (outro atributo positivo do nosso fundo, que em 2 de fevereiro completará 4 anos).


Trígono Horizon Microcap FIC FIA (CNPJ: 43.104.134/0001-65)

O Trígono Horizon, focado em micro caps (empresas com valor de mercado inferior a R$ 3 bilhões), enfrenta atualmente um período de adversidade. Encara o famoso vento de proa (de frente), mar agitado com correntezas. A classe de ativos micro caps tem enfrentado desafios ainda maiores do que a das small caps. Em grande parte, isso se deve à falta de fluxo de investidores na B3 – cenário que penaliza de forma desproporcional empresas de capitalização e liquidez menores. Mesmo diante desse ambiente adverso, o fundo mantém um portfólio equilibrado, diversificado e sem grandes concentrações – e sempre focado na seleção de empresas alinhadas ao nosso “Trio Maravilhoso Regina” dos investimentos: Dividendos-EVA-ESG. “Trio Maravilhoso Regina” era aquele presente certeiro para dar no Dia das Mães, lá no final da longínqua década de 1950, e era composto de água de colônia, sabonete e talco – e eram inseparáveis.

Em dezembro, o Horizon recuou 4,29%, contra queda maior – de 7,83% – do SMLL. No acumulado do ano, o fundo recuou 25,44%, pouco mais que o benchmark (que caiu 25,03%).

A Indústria (0,24%) deu leve contribuição; já o agronegócio (-1,99%), logística (-0,80%) e financeiro (-0,55%) puxaram para baixo.

O cenário atual, como dissemos, é desafiador. Mas reafirmamos nossa convicção de que as micro caps oferecem potencial significativo de valorização no longo prazo, especialmente considerando os sólidos fundamentos das empresas em nosso portfólio. Continuamos a investir com visão de sócio, apostando em companhias que combinam boas práticas de governança, criação de valor e geração consistente de caixa (fatores que vemos como decisivos para recuperação sustentada quando o fluxo de investidores retornar a essa classe de ativos). Desde seu lançamento (1.set.2021), quando as small caps já estavam em situação complicada, o fundo (ainda que com desempenho acumulado negativo de 13,5%) gerou alfa de 24,5% sobre o SMLL. E a volatilidade do Horizon – que teoricamente deveria ser maior, por ser mais concentrado e com empresas ainda menores –, de 17,25%, foi inferior à do SMLL (19,4%).


E para Renda Fixa? Como foi o desempenho no mês de dezembro?

TRÍGONO SIRIUS FIC FI RF LP

O Sirius teve retorno de 0,32% no mês de dezembro, equivalente a 35,7% do CDI no período. O Patrimônio Líquido da estratégia do Sirius encontra-se em 118 milhões, enquanto o fundo disponível nas plataformas digitais terminou o mês com 100 milhões sob gestão.

O mês de dezembro foi marcado por maior aversão a risco devido à percepção, pelo mercado, da deterioração da situação fiscal – esta aversão de risco refletiu em abertura generalizada dos spreads de crédito.

Fonte: JGP; elaboração Trígono Capital

Fonte: Quantum Axis; elaboração Trígono Capital

Ao longo dos últimos meses ficamos mais cautelosos com as emissões primárias por entendermos que o nível de taxa das ofertas não remunerava adequadamente o risco de crédito incorrido. Complementarmente, reduzimos a exposição do fundo a ativos que entendíamos possuir uma relação risco/retorno desfavorável, conforme nosso modelo de precificação relativa – a combinação destes movimentos refletiu em uma elevação do nível de caixa.

Finalizamos o mês de dezembro com posição de caixa de 16,6%, levemente inferior ao mês anterior, mas ainda acima dos níveis anteriores – esta redução marginal é reflexo de alocações táticas e seletivas realizadas ao longo do mês reforçando nossa exposição em setores mais resilientes. Entendemos que, para o cenário atual, este patamar de caixa seja prudente, nos permitindo buscar oportunidades no mercado secundário e participar do primário, sempre de forma criteriosa e seletiva.

Fonte: Trígono Capital

Terminamos o mês com 77 ativos em carteira, carrego de CDI + 1,40% ao ano, rating médio brAAA e 3,1 anos de duration.

Em termos de exposição setorial: nossa predileção ainda é o mercado financeiro/bancário (27% do fundo), que se beneficia em cenário de aumento de juros e pujança da economia, com baixa taxa de desemprego. Estamos expostos a instituições de primeira linha e bancos ligados a grupos internacionais.

Fonte: Trígono Capital

Em termos de perspectivas para o produto, seguimos firmes na crença de que ele oferece excelente nível de retorno ajustado ao risco, considerando que nossa carteira é bastante premium dentro do segmento high-grade. Acreditamos ainda que a classe de ativos deve continuar a atrair recursos em um contexto macroeconômico de aumento de juros. Seguimos diligentes e monitorando, uma vez que a elevação dos juros apresenta desafios e impacta resultados, fluxo de caixa e métricas das empresas (principalmente as mais alavancadas).


TRÍGONO POLARIS DEBÊNTURES INCENTIVADAS FIC FI RF

O Polaris teve retorno de -2,69% no mês, contra -0,28% do IMA-B5. O patrimônio líquido da estratégia encerrou o mês de dezembro com R$ 47 milhões sob gestão.

A rentabilidade do fundo foi impactada com a abertura das taxas de todas as NTN-Bs devido à percepção de deterioração fiscal. Cabe destacar a abertura de 77 bps da NTN-B 28 e de 65 bps da NTN-B 35. Uma vez que o fundo possui, estruturalmente, duration mais longa que a do benchmark, o impacto da abertura de taxas reflete em maior impacto no valor dos ativos. Natural, em se tratando de ativos de infraestrutura.

Fonte: Quantum Axis; elaboração Trígono Capital

Seguimos com alocação pouco acima do exigido pela regulação em debêntures incentivadas (68% vs 67% para fundos entre 6 meses e 2 anos de vida), sem pressa alguma em atingir o patamar de 85%. Para isso, temos até fevereiro de 2026.

Fonte: Trígono Capital

Ao longo do mês seguimos nossa estratégia de negociação, trocando ativos sempre que faça sentido em termos de valor relativo, para redução de duration e/ou para incremento no nível de spread/carrego da carteira. Neste contexto, elevamos nossa posição de caixa de 1,9% para 11,4% – este aumento foi proveniente principalmente da venda de debêntures não incentivadas e letras financeiras.

Em linha com os meses anteriores, os spreads de crédito seguem equilibrados, apresentando abertura marginal como se vê no gráfico abaixo. Fechamentos adicionais de spread dependerão, em nossa opinião, de fluxos adicionais para a classe de ativos quando a poeira da volatilidade baixar. No entanto, é inegável que o carrego é, por si só, bastante atrativo.

Fonte: JGP; elaboração Trígono Capital

Terminamos novembro com 69 ativos em carteira, carrego de IPCA + 8,38% ao ano (equivalente à NTN-B 2030 + 0,58%), rating médio de brAAA e 5,2 anos de duration.

Quanto à exposição setorial, a carteira continua bem diversificada: a maior exposição é ao setor de energia elétrica (28,3%), seguido por saneamento (12,2%) e transporte & logística (11,7%).

Fonte: Trígono Capital

Em termos de perspectivas, não podemos desconsiderar, a despeito da volatilidade, o nível atual das NTN-Bs: acima de IPCA+8,0% ao ano para alguns vértices – uma raridade a se aproveitar. Ao consideramos o nível de spread de crédito e a isenção tributária para a pessoa física, temos uma excelente oportunidade de alocação para investidores com visão de longo prazo e menos sensíveis à volatilidade de curto prazo. Como podemos notar nos gráficos acima, a performance foi afetada pelo risco de mercado (abertura de taxa das NTN-Bs) inerente ao produto e não por deterioração do crédito. Seguimos com uma carteira com elevada qualidade de crédito, realizando monitoramento constante e sendo diligentes na seleção dos créditos.

Vale a pena lembrar que não assumimos riscos de projeto: o Polaris tem apenas exposição a risco de crédito corporativo – o que entendemos ser bastante prudente no atual momento macroeconômico e de elevação de juros.

Com isso encerramos aqui o texto e já acompanhando o mercado para trazer as evoluções do nosso portfólio no próximo mês.

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