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      O que muda para o Brasil com a eleição de Biden

      Uma declaração de Joe Biden, ainda em campanha, ecoou no mundo inteiro e atiçou a curiosidade aqui no Brasil sobre o que mudaria para nós se Trump deixasse o poder.

      Em entrevista ao site da publicação independente Americas Quarterly, o democrata disse que não sossegaria até o presidente Jair Bolsonaro entender o valor do meio ambiente:

      “O presidente Bolsonaro deve saber que se o Brasil deixar de ser um guardião responsável da Floresta Amazônica, minha administração reunirá o mundo para garantir que o meio ambiente seja protegido.”

      Não foi a única vez que o então candidato americano mandou recado.

      Durante o primeiro debate eleitoral, no começo de outubro, Biden prometeu se juntar com outros países e oferecer US$ 20 bilhões (R$ 112 bilhões) para ajudar na preservação da região Amazônica.

      “Pare de destruir a floresta e, se não fizer isso, você terá consequências econômicas significativas”, completou, indicando possíveis retaliações ao governo brasileiro.

      Bolsonaro rebateu: “A cobiça de alguns países sobre a Amazônia é uma realidade. Contudo, a externação por alguém que disputa o comando de seu país sinaliza claramente abrir mão de uma convivência cordial e profícua”.

      Bravatas à parte, não se fala mais de alinhamento automático de Bolsonaro ao amigo Trump. Rei posto, Rei morto.

      O pragmatismo nas relações Brasil/Estados Unidos deverá ditar o tom do relacionamento. Coisa que o mercado financeiro já sabia.

      A maioria dos analistas financeiros vem pintando um cenário positivo para o Brasil com a chegada de Biden à Casa Branca.

      Com uma política externa americana mais previsível, menos explosiva e menos baseada em sustos e tuítes, o investidor começa a caminhar num ambiente de maior previsibilidade, o principal combustível do investidor internacional.

      Para o mercado, a sinalização de um pacote para estimular a economia americana levará apetite pelos ativos de risco em todo mundo, incluindo a bolsa brasileira.

      O aquecimento da maior economia do mundo faz com que muitos agentes elevem suas projeções para o crescimento da economia global.

      E, independentemente do embate que democratas e republicanos travarão no Congresso em torno dos valores e da disponibilização dos pacotes, visto que há objetivos divergentes entre os dois partidos, o montante a ser injetado na economia é muito robusto e vai impactar fortemente a recuperação do país.

      A tendência é que o valor alcance um meio termo: nem os US$ 2 trilhões exigidos pelos democratas, nem os US$ 700 bilhões propostos pelos republicanos.

      Os analistas apostam em algo em torno de US$ 930 bilhões, conforme acordo preliminar anunciado recentemente.

      Para eles, haverá pressão pela mudança de rumos na nossa política ambiental, mas nada que inviabilize acordos comerciais, nem tire do Brasil grandes oportunidades de ganhos nas áreas de infraestrutura, energia e agronegócio.

      Em 2 de dezembro, eu participei da live realizada pela Trígono Capital com os sócios Werner Roger e Frederico Mesnik; Fernando Rizzo, CEO da Tupy; Andre Guillaumon, CEO da BrasilAgro; e Renato Gennaro, fundador e CEO da MAC Gestão.

      Confira a avaliação dos especialistas sobre o impacto da gestão de Joe Biden em relação ao incremento das energias renováveis e à descarbonização da economia.

      Veja também como o agronegócio brasileiro poderá ser impactado, sobretudo na seara dos biocombustíveis; e como os Estados Unidos, que são o maior investidor do Brasil, poderão nos proporcionar avanços no setor de infraestrutura, neste momento em que nosso país se prepara para ampliar seu leque de privatizações.

      Pacote de estímulos à economia americana

      “É uma tremenda janela se oportunidade para o Brasil”, afirma André Guillaumon, da BrasilAgro.

      Para ele, o governo Biden pode favorecer uma retomada sustentável da economia mundial no pós-pandemia.

      Mas o principal desafio é termos uma agenda de muita negociação. Porque o grande temor de todo setor produtivo é que esse programa de Biden venha com uma agenda de subsídios, uma agenda impositiva de tributação, de tarifas de importação.

      É importante evitar que o pós-pandemia vire uma onda de protecionismo, o que seria muito ruim para o Brasil.

      Para Renato Gennaro, da Mac Gestão, o discurso de Biden soa como música para o agronegócio brasileiro, pois não há como ignorar nossa produtividade e condição de celeiro do mundo, com terras agricultáveis de sobra e liderança em exportação.

      O crescimento da agricultura vai demandar mais máquinas e equipamentos. E o que chama a atenção com o plano de governo de Biden é a necessidade de encontrar o equilíbrio entre a qualidade de vida e o progresso. A questão é: como eu cresço em sustentabilidade?

      Fernando Rizzo, da Tupy, vê o pacote de estímulos à infraestrutura americana como uma grande chance de incrementar a agenda de descarbonização brasileira:

      “Temos uma matriz energética muito eficiente, temos o etanol e outros biocombustíveis que terão protagonismo na agenda bioenergética dos dois países. A nova administração americana deve criar uma demanda forte pelos produtos da empresa nos próximos 3 anos, já que mais de 60% da receita da Tupy vem dos EUA, principalmente de sistemas relacionados à infraestrutura e ao agronegócio.”

      Oferta de US$ 20 bilhões (R$ 112 bi) ao governo brasileiro para ajudar na preservação da Amazônia

      André Guillaumon vê com bons olhos, desde que a ajuda seja gerenciada de forma austera e que seja aplicada em programas sociais que tragam renda para a população mais carente da região:

      “Temos uma legislação forte, um Código Florestal com muitas restrições a quem quer desmatar e políticas de controle. Estamos produzindo bem, mas estamos sofrendo um grave dano de imagem. Temos que encarar o problema da ilegalidade na Amazônia e esses R$ 20 bi vêm para ajudar a combater isso.”

      Renato Gennaro afirma que a ajuda é bem-vinda, mas questiona: até que ponto é uma ajuda, até que ponto é uma afronta à soberania? Para ele, essa discussão precisa ser feita internamente em paralelo ao esforço para melhorar nossa reputação frente às instituições globais.

      Werner Roger, da Trígono Capital, sugere que a oferta americana seja direcionada aos CBios, Créditos de Descarbonização, que podem ser comercializados na Bolsa de Valores.

      E entende que não há o que temer em relação às ameaças de retaliação de Biden ao comércio brasileiro, caso o governo Bolsonaro mantenha sua política ambiental de descaso com a Amazônia e outros biomas:

      “Se o Brasil sofrer retaliações de barreiras alfandegárias, os Estados Unidos e o mundo vão comprar de quem? Se Biden impuser retaliações, o custo vai passar para o alimento e o consumidor vai pagar mais caro.”

      Reforma do setor energético americano e desenvolvimento de fontes de energia livres de carbono em até 15 anos

      Fernando Rizzo, da Tupy, avalia que Biden traz uma forte política de pesquisa e desenvolvimento para o uso de biocombustíveis e eletrocombustíveis.

      E este aspecto do pacote americano é super importante para o desenvolvimento sustentável do Brasil, uma vez que temos uma longa tradição no desenvolvimento de tecnologias relacionadas às energias renováveis e combustíveis alternativos.

      Os biocombustíveis estão assumindo cada vez mais um papel importante na mobilidade, com destaque para o etanol. Há também a oportunidade de desenvolver o hidrogênio verde, que pode ser produzido a partir da energia hidráulica, solar e eólica, e que também faz muito sentido na mobilidade.

      O hidrogênio verde também fará a diferença no uso industrial, já que os Estados Unidos ainda usam muito carvão. Se o Brasil tiver excedentes de energia advinda da disponibilidade de energia éolica e solar, esse excedente pode ser usado para produzir hidrogênio, que poderá ser exportado num horizonte de 10, 15 anos.

      Outro exemplo é o biogás, cujo potencial no Brasil é duas vezes maior do que o volume que passa pelo gasoduto da Bolívia, e reduz as emissões de carbono em 90%.

      Portanto, o Brasil sai ganhando porque tem muita tecnologia a entregar e muitos produtos a exportar.

      Mas temos que ter atenção à questão do desmatamento e ao atendimento do Acordo de Paris.

      Os biocombustíveis brasileiros – etanol à base de cana-de-açúcar e de milho, biogás e biodiesel – podem ganhar espaços importantes na agenda internacional com o retorno dos EUA ao Acordo de Paris e pela pressão à substituição de energias fósseis por energias renováveis.

      Hoje, 73% das emissões de gases de efeito estufa, principais responsáveis pelas mudanças climáticas, vêm do setor de energia e transportes e 7% do desmatamento e das mudanças no uso da terra.

      Andre Guillaumon, da BrasilAgro, também acredita no enorme potencial brasileiro de desenvolvimento das energias renováveis.

      Mas alerta para a necessidade de fazermos mais programas, seja de descarbonização, seja de venda de créditos de carbono, a exemplo do que é o Renovabio, que é um programa de Estado e não de governo. Só assim vamos conseguir atrair investimentos.

      Futuro da Petrobrás

      A gestão Biden, com foco nas energias renováveis, colocaria em risco o futuro da Petrobrás?

      Renato Gennaro, da MAC Gestão, afirma que a própria Petrobrás é que pode implodir. A empresa precisa de um reposicionamento estratégico urgente, já que teve sua imagem afetada.

      A companhia está até discutindo biodiesel em cima de óleo vegetal e gordura animal, mas isso é insuficiente. Teria que implementar um processo de inovação disruptiva para se perpetuar no novo ciclo. O primeiro passo é a privatização.

      Werner Roger, da Trígono, acrescenta que a Petrobrás acabou de divulgar seu plano estratégico de cinco anos, sem colocar a conta ambiental no peso da balança.

      Privilegiou o pré-sal, está saindo das refinarias, dos gasodutos, vendendo participação na Braskem, porém não demonstra preocupação em compensar as fontes de carbono.

      Ademais, a Petrobras está virando uma empresa de petróleo puro, num mundo em que o consumo de petróleo é descendente.

      A indústria do gás de xisto

      Embora o gás de xisto seja hoje um grande propulsor do PIB americano. Joe Biden defende uma transição da indústria do petróleo, inclusive acabando ou pressionando para o fim do “fracking”, técnica de faturamento hidráulico para extração do gás de xisto.

      Mas no plano de governo dele não há nada em relação ao banimento total para extração do xisto.

      Para Fernando Rizzo, da Tupy, essa indefinição de Biden ocorre porque essa é uma questão muito complexa nos Estados Unidos, que tem a maior reserva de xisto do mundo, mas depende fortemente do carvão:

      “Na medida em que o país migra do carvão para o xisto, ele reduz a emissão de gases de efeito estufa em 50% para produzir a mesma quantidade de energia; então o xisto tem papel importante nesta transição para uma economia de baixo carbono. O problema é a contaminação dos aquíferos e o risco de combustão na exploração. O governo Biden deve focar na regulação do xisto e buscar alternativas para a transição energética, que deve começar pelo carvão.”

      Protagonismo do etanol brasileiro

      Renato Gennaro enxerga que o provável recuo na exploração do xisto durante a gestão Biden, vai resultar no aumento nas exportações brasileiras de etanol:

      “O etanol deve se tornar uma das principais fontes da matriz energética. Mas seu sucesso depende do reconhecimento dele no mercado externo. Por enquanto, o etanol ainda é uma mistura. O governo brasileiro precisa ter uma política efetiva, as montadoras precisam acreditar nele e a população também. Hoje ainda importamos etanol, mas vamos exportar.”

      Werner Roger acrescenta dados positivos em favor do protagonismo do etanol e potencial de exportação: a Índia e a China anunciaram que vão adicionar 10% de etanol à gasolina.

      Para ele, “a Europa deveria misturar 10% de etanol a seus combustíveis, em vez de usar as térmicas para recarregar os carros elétricos”.

      Andre Guillamon entende que o etanol é de fato a grande solução, mas destaca que para atuarmos no mercado global, temos que resolver a questão do estoque de segurança.

      Para isso, “precisamos ter uma cadeia de comercialização mais transparente via BMF, o que traria segurança jurídica pra todos”.

      Carros elétricos X etanol

      Parte dos investimentos anunciados por Joe Biden deve ser usada como um “vale” para as pessoas que trocarem os carros a gasolina pelos elétricos.

      Além disso, o presidente americano pretende construir cerca de 500 mil novas estações de carregamento e trocar toda a frota do governo, substituindo os veículos a combustão pelos eletrificados.

      A proposta inclui, ainda, financiar a transição das montadoras para modelos mais limpos e um maior suporte para as pequenas empresas iniciantes no segmento.

      Para Fernando Rizzo, da Tupy, Biden não acerta ao eleger o carro elétrico como a estrela do seu programa. Isso porque o líder americano desconhece o ciclo completo da cadeia produtiva do veículo elétrico, desde o uso da mineração dos materiais até a utilização do carro e a reciclagem.

      Considerando toda a cadeia, o carro elétrico emite de 2 a 3 vezes mais CO2 do que um carro a combustão.

      Werner Roger complementa alertando para a pegada hídrica na produção do carro elétrico. Na construção das baterias, são usados metais como níquel, cobalto e lítio.

      Para obtenção de uma tonelada de lítio, por exemplo, são necessários cerca de dois milhões de litros de água. Além disso, para separar o lítio da rocha em que está contido são necessários produtos químicos altamente tóxicos que acabam poluindo o meio ambiente.

      A busca pelo lítio gera outro tipo de problema: a Bolívia detém a metade das reservas conhecidas desse metal, fato que tem gerado instabilidade política no país. Mesma situação ocorre no Congo.

      Intensificação do milho e da soja no Brasil

      O cenário soja e milho é muito otimista! André Guillaumon destaca que vivemos um momento de desabastecimento de proteína animal, por conta dos reflexos da gripe suína, que dizimou 40% do rebanho de porcos da China. Além disso, o mundo está com uma renda maior e há mais gente consumindo proteína animal.

      Desta forma, teremos um momento de preços fortalecidos. O câmbio continua forte, o que vai trazer competitividade para o setor agrícola no que tange à soja e ao milho.

      “Estamos entrando numa safra que o Brasil nunca fez: 60% da soja já comercializada. A China deve importar mais. Só temos que ficar de olho no clima, que vai regular o preço das commodities.”

      Guerra comercial EUA X China

      Sabemos que disputa comercial entre Estados Unidos e a China impulsionou o aumento de exportações brasileiras para o país asiático.

      Caso essa disputa seja arrefecida durante a administração Biden, o agronegócio brasileiro e as empresas exportadoras poderiam sofrer um baque? A reaproximação das duas maiores potências poderia fazer com que os chineses voltassem a comprar commodities dos americanos, como soja e carne, em vez de importar do Brasil?

      Os nossos três convidados defendem que qualquer passo na direção do livre comércio é bom. E que os efeitos de uma eventual aproximação entre EUA e China, não são lineares.

      Poderia haver um efeito colateral nas exportações de soja brasileira, mas isso seria muito mais uma redistribuição e de quem compraria mais a soja brasileira, se a China ou outros compradores.

      Assim, a redução das vendas para o mercado chinês não representaria, necessariamente, uma queda das exportações brasileiras de soja. A tendência é de reconstrução de regras multilaterais comuns, o que manteria o Brasil firme e forte no jogo.

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